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22 de janeiro de 2008

Teologia e Pastoreio


Aprendi a pastorear, pastoreando. Confesso que desejei “internar-me” durante quatro ou cinco anos em um seminário teológico, pois na época um dos pré-requisitos para ter o ministério reconhecido era um diploma de teologia. Hoje, esse paradigma está sendo revisto por aqueles quem vêem a Igreja mais como Corpo do que como Instituição. Suscitam-se questionamentos como: Por que afastar do rebanho aqueles que desejam pastoreá-lo? Não é entre as ovelhas que se aprende a pastorear? Mais que teologia, o pastor precisa de habilidades que lhe permitam desenvolver relacionamentos significativos no aprisco.
Entretanto, o fato de não ter cursado teologia não me permitiu ficar longe dela. E ai do pastor que não a considera, principalmente no contexto em que vivemos. Em um mundo de multi-informações, de novas descobertas e de profundos questionamentos, o conhecimento sistemático das Escrituras deve ser buscado por todos os ministros que querem dar respostas claras, dispor de idéias articuladas e argumentos conscientes. Para conquistar o direito de ser ouvido, precisamos conciliar uma vida piedosa com uma mente perspicaz e persuasiva. É neste ponto que entra a importância da leitura.
Não apenas os pastores, mas todos os cristãos têm as mesmas possibilidades de desenvolver um senso crítico através da leitura e meditação nas Escrituras. Temos em mãos mais de trinta mil versos, inspirados pelo próprio Deus, que podem nos tornar sábios e habilitados para viver bem neste mundo mal. Quando o evangelista Lucas observou a voracidade pelo conhecimento dos bereianos, logo se admirou e deixou registrado um elogio: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim (At. 17.11). Esse caso nos ensina que a leitura crítica é um ato nobre. E para aquele que tem a missão de conhecer a Deus para revelá-lo a outros, ela é vital. Quem deseja manejar bem a Palavra da verdade, deve aplicar na pesquisa teológica o pensamento de Victo Hugo: “Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come”. Isso Jesus disse quando afirmou que “...nem só do pão viverá o homem, mas de toda a Palavra de Deus" (Lc. 4:4).
Como pastor, sinto a necessidade de ler. Desenvolvi esse hábito lendo não somente teologia, mas também literatura, lingüística, psicologia, história, sociologia, antropologia, política, filosofia etc., tudo passado pelo filtro do bom senso bíblico. Mas não se engane, leitura sem reflexão prática é inútil, enfadonha. Foi o maior pesquisador da história bíblica quem disse que “não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne" (Ec. 12:12) e disse mais: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.” (Ec 1:12-18). De acordo com Augustus Nicodemus, Salomão “percebeu que a busca do conhecimento e da ciência per si não é capaz de satisfazer os anseios mais profundos da alma humana. Salomão concluiu que a suma de todo o conhecimento é o temor a Deus, que se expressa em obediência voluntária à Sua vontade”.
Entendo que conhecimento e solidariedade, juntos, geram credibilidade ao ministério. Foi Jesus quem nos ensinou isso. Quando as pessoas o ouviam ficavam tanto maravilhadas por seu conhecimento e autoridade (Mc.1:22) como incomodadas com seu espírito solidário (Mc. 2:16,17). Estou tentando imitar os passos do meu Mestre. Quero equilibrar a busca por conhecimento com a prática do amor.


Pr. Alex Gadelha

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