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13 de dezembro de 2008

A Humildade Fala à Razão sobre o Amor


Por meio do engano, a Razão destronou o Amor e tornou-se Dona do mundo. Mas certo dia, quando estava passeando pelos jardins da teoria e caminhando pelo pátio da experiência, a Razão observou ao horizonte uma velha senhora, ex-conselheira do seu reinado, que estava a se aproximar. Orgulhosa, ignorou-a. No entanto, a pequena se aproximou, olhou serenamente em seus olhos e com uma voz mansa disse:

- Há muito quero falar-te. Que bom que a encontrei, pois preciso comunicar-lhe um pedido. Peço que me atendas.

A Razão não era de dar ouvidos a conselhos de ninguém e não se importando com a ética nas palavras iniciou um discurso irônico e altivo:

- O que desejas? Eu entendo todas as coisas, sou eu quem governa este mundo e sei por que me procuras: Estás doente e sabes que tenho a cura para todos os seus males!? E se é de recursos tecnológicos que precisas, criei e desenvolvi sistemas avançados, perfeitos e resistentes que irão fornecer conforto e todas as informações necessárias. Não esqueça que eu sou a Razão e caso esteja procurando respostas para seus problemas físicos, emocionais ou existenciais, possuo um leque delas. Você sabe, conheço milhares e milenares filosofias sobre a existência, elaborei outras centenas de terapias e domino a química da vida.

A senhora Humildade ouviu pacientemente toda a altivez da Razão, até ela decidir se calar. Quando isto aconteceu, dirigiu-se com firmeza e respeito:

- Imperatriz, não vim atrás de remédios. Também não estou à procura de tecnologia, porque sei que máquinas não eliminam dores na alma. A psicologia é uma ferramenta para o trato dos ambiciosos. As filosofias humanas podem até parecer encantadoras, mas não respondem à eternidade.

A Razão com a sua postura de pavão, não desceu do salto alto. Inclinou o seu olhar para a Humildade e disse:

- Ousas afrontar a Dona do Mundo?

A humildade, respondeu com serenidade:

- Vim, ó imperatriz, a mando da Sabedoria, vossa mãe. Ela pede que devolvas o trono do Reino das Virtudes a quem de fato pertence: ao Amor.

- Devolver o trono ao Amor? Quem é este? Não o conheço - Respondeu friamente.
Mas a Humildade continuou:

- Senhora Razão, o Amor é aquele que sacrificou a vida quando estavas sendo condenada devido ao males provocados pelas suas invenções. Foi ele quem pagou a dívida do reino quando todos passavam fome por causa da Ambição, sua esposa. Para promover a paz, ele foi capaz de abnegar a vontade, agir com domínio próprio e uma profunda afeição.

A Razão tinha perdido seus sentimentos entre os próprios pensamentos, ela não era mais aquela jovem submissa à Sabedoria, sua mãe. Cansou de ouvir a Humildade falar sobre o Amor, não suportou e a interrompeu abruptamente:

- Chega! Não me lembro de tal virtude. Não o conheço.

- Imperatriz, o Amor é o seu pai!

Ela silenciou. Ficou ali, estática, sem piscar os olhos, abrir um sorriso ou derramar uma lágrima. O tempo se passava e nada saia de seus lábios. A Fofoca passava por ali e ouviu sobre o ocorrido. Imediatamente foi ao Palácio para informar à corte imperial o que teria acontecido. Então, a Soberba, o Orgulho, a Inveja, o Ódio, a Presunção e todos aqueles que viviam ao redor da razão chegaram ao local. Logo expulsaram a Humildade à ponta pés. E na tentativa de reanimar a Razão declamavam elogios, bajulavam e davam-lhe louvores. Nada adiantava. Foi então que, de repente, ecoou um grande estrondo no Reino das Virtudes! A Razão acabara de despencar ao chão com todo o seu poder e pompa. Todos ouviram a sua queda.

Com o fim da Ditadura da Razão, o Rei Amor, a arquiteta Fé, a conselheira Paz, a princesa Justiça e todas as virtudes foram libertas da opressão lógica. O Reino voltou à paz. O Amor reassumiu o trono e a Humildade sentou-se à destra da Rainha Sabedoria.

E a Razão? A Razão precisou ser cuidada pelo Amor e pela Sabedoria, aprendeu qual era o seu lugar no Reino das virtudes e consentiu em viver submissa aos seus pais.

Pr. Alex Gadelha.

8 de outubro de 2008

Em Memória de Arlan Carlos Gadelha


Em um dia 05 de Outubro perdi meu irmão. Há três anos ele partiu e deixou sua cadeira vazia na família. Ele se foi de forma inesperada e dolorosa, num gatilhar de um revólver. Lembro-me que estava na Igreja, ministrando o estudo no culto de oração, quando recebi a notícia de que teria sofrido um acidente e estava no hospital. Só que ao chegar lá logo confirmei a triste intuição de que havia morrido. Foi um choque. Alguém com quem convivi durante quase toda a minha vida acabara de dar o último suspiro aos trinta e três anos. Naquele momento passou pela minha cabeça o famoso filme gerado pela memória, resgatando as muitas experiências que compartilhamos juntos: Os anos de guerra e paz, de escassez e abundância, de tristezas e alegrias, de incredulidade e de fé. Sobrevivemos dois anos juntos em uma casa que evocava solidão.

Superamos muitos desafios, até que encontramos nossas amadas e decidimos nos casar, ele uma semana antes do que eu. Tivemos naturalmente de nos separar. O casamento e as responsabilidades nos distanciaram. Mas nesse ínterim ele se distanciou de Alguém que o amava mais do que qualquer outra pessoa. Ele se distanciou de Deus. Quando estava perto, ganhou almas, serviu em ministérios, abençoou e foi abençoado. Mas enquanto esteve longe, a aparente tranqüilidade escondia pecados e perigos. Viver longe de Deus é perigoso.

Hoje, quando me pergunto sobre quem matou meu irmão várias respostas surgem à mente: Primeiro, a maldade de um pai, um filho e um pistoleiro que na ganância pelo dinheiro fácil o assassinaram em meio a um jogo de falsidade, frieza e crueldade. Penso nos três dolorosos projéteis que perfuraram o seu corpo. Mas não ignoro a sua própria ganância e a busca por um status ilusório que o seduziu e o derrubou. Ainda penso na permissão de Deus, que é Justo Juiz, que não se deixa escarnecer, que pode disciplinar com a morte um filho a quem ama.

Quando perdemos alguém que amamos sempre nos vem aquela sensação de que poderíamos ter feito algo para evitar. Mas, nos final das contas, somos responsáveis pelos próprios atos. Cada um dará contas de si mesmo diante de Deus. Não podemos lançar sobre os outros os nossos erros e as conseqüências deles.

A morte de meu irmão além de esfaquear o coração da família, também gerou oportunidades de glorificar a Deus. Ao redor do caixão toda a família se reúne. E devido a um constrangido velório na Igreja Católica da cidade de Alexandria, tive a oportunidade de expressar minha esperança em Cristo e de pregar sobre a graça de Deus a um povo escravizado pela idolatria. As reações foram diversas, alguns se retiraram murmurando, outros se espantaram com tamanha ousadia e ainda o sacerdote baixou o hospital. Tenho plena convicção de que a verdade que liberta também incomoda e causa mal-estar em pessoas que vivem mergulhadas no erro. Mas também creio que quando é aceita e crida na pessoa de Jesus produz alegria, segurança e vida, vida eterna.

A memória de meu irmão continua viva em mim. No entanto, não vivo subjugado pelas recordações nem amargurado por um sentimento de ódio pelos assassinos. Quando penso em Arlan, tenho saudades de sua presença, sinto-me conformado porque creu em Jesus e desfruto das certezas que pregava. Quando penso no meu irmão, sou apaziguado pela esperança de reecontrá-lo, porque sei que aquele que crê em Jesus, ainda que morra, viverá.


Pr. Alex Gadelha

28 de setembro de 2008

Ensinar É a Arte Da Conquista: Uma Reflexão Sobre a Prática Pedagógica


A prática do ensino é um conjunto de ações envolvidas pelo desejo de conquista. É um jogo de vontades pessoais e coletivas, um confronto de forças entre o educador e o educando. Esse conflito não é físico ou particular, nem deve está relacionado ao alcance da supremacia de um sobre o outro. Mas, pelo contrário, ele é saudável à medida que as partes envolvidas têm como alvo o conhecimento e a realidade. O conhecimento porque é a partir dele que o homem se torna homem e habilita-se para a vida social. A realidade é um alvo porque quando se está consciente dela, livramo-nos do jugo dos maus intencionados que tentam dominar sob os estribos da ignorância e da ausência de senso crítico.

Na dinâmica do ensino-aprendizagem existem resistências. De um lado está o educador, que tenta atrair a consideração do aluno e construir junto a ele uma mente pensante e autônoma. Do outro o educando, que em nome de si mesmo tenta ignorar a necessidade de um mediador ou de alguém que seja seu parceiro na construção do saber. Este, por ainda vivenciar os primeiros passos de consciência, apresenta uma postura rebelde à disciplina para o desenvolvimento da inteligência. Em algumas situações atribui-se tal comportamento ao fator psicológico ou sua imaturidade, outras vezes considera-se um contexto familiar ou cultural que o adoeceu socialmente.

Mas nessa guerra contra a ignorância, o educador também vive crises de deserção. É que a estrutura educacional não o motiva e pouco investe no seu aperfeiçoamento profissional. E além dos problemas estruturais, ele ainda é bombardeado por dilemas nascidos fora e dentro do ambiente educacional. É em momentos assim que nascem indagações do tipo: Vale a pena investir na vida destas pessoas? Será que o trabalho dedicado promoverá algum bem para a sociedade? Por que não testemunho mudanças? Será que é possível ensinar para transformar? O sistema valoriza o esforço de quem educa e de quem se educa? Diante de tantos desafios alguns cansam, outros abraçam a indiferença, outros desistem e procuram outro ramo.

Dentro deste contexto procuramos entender como se dá o ensino. Tentamos responder metaforicamente a pergunta básica para a qual existem respostas complexas: O que é ensinar? Como diz o título deste texto, “ensinar é a arte de conquista”. É um jogo de sedução sem leviandade, que deve ser permeado de boas intenções. O objeto desejado é a atenção do aluno. Atenção no mais profundo do seu significado, isso inclui o respeito, o carinho, a admiração, o direito de ser ouvido. Quando se entende isso, também se percebe que o propósito de criar situações de aprendizagem é justamente atrair a atenção do aluno para o conhecimento. O que não é fácil, pois a superação da recusa consciente ou inconsciente exige propostas, estratégias e ações que sejam dinâmicas, de maneira que aprendam e sintam-se estimulados a continuar o processo de forma autônoma.

Nesse contexto, o professor através de técnicas e principalmente de relacionamentos, vai adentrando no espaço do pensamento. E progressivamente, à medida da intimidade com os seus alunos, ele se torna não só alguém que cumpre um papel profissional, mas, sobretudo, torna-se um modelo de vida, tanto pessoal quanto intelectual. Aqui se percebe a importância de uma postura ética do educador, de forma que seja uma referência de honestidade, humildade, de compromisso com o aluno e com a instituição para a qual trabalha. Não há como negar: o conhecimento que mais nos marcou veio anexado da postura de quem o ensinou.

Nesta dinâmica de sedução não se deve escravizar emocionalmente o seduzido, nem adoecê-lo com práticas que o torne dependente. Deve-se amar e ensinar a amar, de maneira que se sintam livres para expressar o que aprenderam ou estão aprendendo. O jogo da conquista na prática do ensino também deve primar pela liberdade e pelo respeito. Quando o aluno aprender a processar por si mesmo o saber, então se realizará enquanto ser na sociedade e também recompensará o esforço do professor, que se sente satisfeito ao saber que o seu trabalho não foi em vão, ao saber que conquistou o aluno pelo amor e para a liberdade do conhecimento.

Pr. Alex Gadelha

8 de setembro de 2008

Um País Sob a Ira de Deus



“Deus se ira todos os dias”.


Quero confessar alguns sentimentos que me ocorrem quando contemplo o caráter de Deus. Todas as vezes que examino as ações e os sentimentos divinos sinto uma profunda admiração para com a Sua Pessoa. De um lado admiro sua benevolência, paciência, compaixão e amor, por outro, fico reverente diante de sua santidade, sua justiça, sua ira, sua vingança. Também mexe comigo a tentativa de compreender a essência de Deus na triunidade, sua manifestação através do Filho e a contínua ação pelo Espírito Santo. Sinceramente, não é todas as vezes que consigo compreender a essência divina. Mas quando realizo pequenas descobertas, minha mente saltita como uma criança que é surpreendida com um presente do pai.

Como conseqüência de algumas descobertas, outro sentimento que nasce em meu coração é o temor. Aquele respeito gerado devido a quem a pessoa é e não meramente ao que ela possui. A fidelidade e a excelência do Senhor seduzem a minha alma e lança o meu corpo ao chão, ao prostrar-me, ao manifestar de minha adoração. É devido ao temor que tenho por Deus que sinto prazer em afirmar-lhe minha servidão, em crucificar o meu ego e evidenciar submissão à Sua Vontade.

Mas ainda tenho outra reação diante da Figura de Deus: Eu tenho medo de Deus. Sei que ao entrar na Sua Família pela fé em Cristo agora sou Filho, não apenas criatura. E tal privilégio me traz muitas responsabilidades: a obediência aos seus mandamentos, o zelo pelo nome daquele que me remiu na cruz, o cuidado para com meus irmãos, a Igreja, o dever de iluminar e salgar o mundo, o amor para com aqueles que estão de fora. Estou ciente de que quando não estou em conformidade com a vontade do Pai, passo a tornar-me merecedor da vara de Sua disciplina. Assim, passo a arriscar-me, porque essa vara causa dor, às vezes momentânea, outras vezes contínua e irreversível, e ainda outras vezes os ferimentos podem levar-me a morte. Deus pode me matar.

“Deus é um justo Juiz, um Deus que expressa sua ira todos os dias” escreveu Davi no Salmo 7:11. Ele sabia o que estava escrevendo, pois experimentou o furor da ira divina. Devido aos seus pecados, agravados pela posição onde Deus lhe havia colocado, sofreu vexames, tormentos e tragédias dentro de sua casa. Viu Deus matar o filho do adultério, houve estupro incestuoso entre Amnom e Tamar, homicídios entre irmãos, foi perseguido pelo próprio filho, muito sangue foi derramado na guerra, uma vida com cheiro de morte. O seu adultério e homicídio trouxeram muitas lágrimas, noites mal dormidas e dor nos ossos (Sl. 32). Somente depois de muito quebrantamento e um sincero arrependimento Davi sentiu o bálsamo do Senhor, que aliviou a sua alma (Sl. 51).

Mas a pergunta central é:
Deus ainda sente indignação todos os dias?


-> Então, se Ele continua irado porque não age da mesma forma como fez com a geração de Noé, com os da Torre de Babel, com Sodoma e Gomorra, como com os Israelitas que foram mortos durante os 40 anos no Deserto?
-> Por que não manda fogo do céu para consumir os idólatras como o fez com os profetas de Baal?
-> Por que Deus não abre o chão para engolir aqueles que dentre o povo de Deus decidem resolutamente ser rebeldes?
-> Por que não queima os falsos ministros de louvor como fez com os filhos de Arão?
-> Por que não envia ursos para devorar aqueles que zombam dos homens de Deus?
-> Por que não mata aqueles que tentam tomar vantagem através da mentira, como fez com Ananias e Safira que caíram estirados aos pés dos apóstolos?
-> Por que não transforma homens arrogantes em bichos ou os matam comidos por vermes como foi com Nabucodonosor e Herodes?
-> Por que não cega aqueles que impedem as pessoas de se converterem a Cristo, como fez com o mágico Elimas?

Deus não mudou. Ele continua Santo, Amoroso e Justo. Porque um dos meios de Deus efetuar sua justiça é deixando o homem por sua própria conta. E o pior que pode acontecer ao homem é ser desprezado por Deus.
Encarnado em Jesus, Ele deu a sua maior prova de amor ao vir se humilhar e morrer crucificado para dar oportunidade de salvação. Um sacrifício sublime, gracioso. Mas quando o homem despreza tamanha graça, não há mais o que fazer.
O Brasil despreza a graça de Deus. E o reflexo dessa indiferença é percebido na inversão de valores e na crueldade dos crimes que testemunhamos hoje.

A Inversão De Valores

1. Lei da Homofobia – A tentativa de aprovar a relação entre duas pessoas do mesmo sexo. Algo expressamente condenado por Deus em sua Palavra.
2. A Profissionalização da Prostituição – Tentam aprovar a idéia de que prostituir-se é um estilo de vida lícito para gerar renda. Deus diz que não herdarão o Reino os que tais coisas praticam.
3. A Lei Maria da Penha – Ela se torna necessária porque existe uma vergonhosa desonra entre cônjuges ao nível do espancamento. Deus diz que os cônjuges devem cuidar um dos outros, como cuidam de si mesmo.
4. A Pedofilia – Monstros que mantêm relações sexuais com crianças, muitos usam a capa da Religião.
5. O Aborto – A luta pela permissão de assassinar alguém que não possui o mínimo de defesa. É cruel.
6. A Corrupção Política – Política como meio de enriquecimento e não para o bem do cidadão, compram-se votos, desviam-se verbas públicas, criam-se atalhos para o nepotismo, mantêm-se o povo alienado de seus direitos, explora-se a pobreza, até utilizam-se até do nome de Deus.
7. A Idolatria – O Brasil é um país idólatra, possui milhares de ídolos que são venerados por milhões de pessoas. O nome de Jesus Cristo fica em segundo plano e outros nomes ficam em evidência. Isso nos faz perguntar: O Brasil é do Senhor Jesus ou é do Diabo?
8. O Sexo Livre – Jovens que “transam” sem nenhum pudor. São até incentivados pelo Estado e pela Mídia. O Resultado: DSTs, mães solteiras, desestruturação familiar etc.
9. A Dissolução do Casamento – Separação pelos motivos mais fúteis. A família perde o valor.
10. A Ausência do Senso de Autoridade – Um dos reflexos está nas Escolas, na sala de aula com a anarquia dos alunos e a falta de ética dos professores.
11. O Suborno das Autoridades – Compra-se de guarda de trânsito a juízes.
12. A Má Fé dos Religiosos – Que em nome de Deus fazem atrocidades com a consciência de seus liderados. Tomam-lhe de casas a fogões, privam a liberdade, fazem proselitismo, tornam as pessoas filhas do inferno duas vezes.
13. A Liberalização da Maconha – A permissividade do uso de uma droga que alimenta o crime e destrói as famílias.

As conseqüências: Os crimes
Leia algumas manchetes de Jornais dos últimos dias

Pai e madrasta matam e esquartejam dois meninos em Ribeirão Pires
(Folha Online - Domingo, 07 de setembro de 2008).

Mulher grávida é espancada pelo ex-marido até morrer
(Jornal Portal de Polícia – Porto Alegre/RS sobre o crime ocorrido em Natal/RN).

Mãe é presa por prostituir a filha
(Jornal “O Liberal” – Belém/PA).

Aluna mata colega a facadas em sala de aula
(Porta de Notícias: g1.globo.com/Noticias/Brasil)

Comissário de menores é preso por pedofilia
(Jornal da Mídia – Salvador/BA).

Rapaz mata toda família a facadas
(Jornal “A Cidade” – Crime ocorrido em Julho de 2008 em Unaí/MG.

Estes fatos revelam vidas que ignoram a graça de Deus e por isso permanecem sob sua ira.

Veja o Que A Bíblia Diz:

“... o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. (Jo. 3:36).

“E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más”. (João 3:19).

Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; (Romanos 1:24).

“Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados". (2ª Timóteo 3:12-13).

“Mas o meu povo não ouviu a minha voz, e Israel não me quis. Pelo que eu os entreguei à obstinação dos seus corações, para que andassem segundo os seus próprios conselhos”. (Salmos 81:11-12).

“Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.
Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.”
(Romanos 1:24-32).

Para Concluir

- A responsabilidade da Igreja:
· Brilhar: Manifestar a opinião de Deus;
· Salgar: Dissolver as impurezas do pecado através de um comportamento reto;
· Influenciar: Transformar a família, o lar, o ambiente de trabalho, a sociedade.

- A responsabilidade pessoal:
· Conhecer o caráter de Deus – Ruminar as Escrituras, praticar os princípios lidos, relacionar-se por meio da oração;
· Desenvolver um profundo temor – Adoração em Espírito e em Verdade, 24 horas;
· Reconhecer o perigo de caminhar pelo inverso da vontade de Deus - De Deus não se zomba, horrenda coisa é cair em suas mãos.

Pr. Alex Gadelha

20 de agosto de 2008

O Absurdo Da Vida Sem Deus



A palavra “absurdo” é originária do latim, era utilizada para indicar uma música fora do tom ou sem harmonia. Os romanos foram os primeiros a usarem-na de forma figurada relacionando à falta de coerência de um enunciado. Na filosofia cotidiana usamos o termo quando pretendemos discordar ou rejeitar uma idéia, um fato ou até mesmo uma pessoa. Tal expressão trás a noção de algo contrário à razão, ilógico, incoerente, sem harmonia. E como seres racionais que fomos criados, para que possamos compreender uma idéia precisamos de uma explicação que preencha os critérios exigidos pelas leis do pensamento.

Nesse sentido, se formos intelectualmente honestos iremos afirmar que a compreensão da vida sem Deus é um absurdo. Quando a pseudociência tenta explicar a origem do mundo, do homem e dos valores por meio de teorias que excluem a Deus, logo se torna carente da verdade e atrai um olhar desconfiado dos que zelam por ela. O fato é que para compreendermos a vida, os valores e a nós mesmos existe a necessidade premente de reconhecer a atuação do Deus Criador, Mantenedor e Juiz de Toda Terra.

Por que a vida sem Deus é um absurdo?

Primeiro, porque contraria as leis do raciocínio humano. A nossa estrutura mental exige o princípio da causalidade para compreender a origem das coisas, dos fatos e das idéias.
- A origem do Universo. Quando contemplamos os céus, o mar, o espaço, os astros, os fenômenos da natureza, a diversidade e complexidade dos seres vivos, nos perguntamos como tudo isso veio à existência? Qual a causa de tamanha vastidão e diversidade inteligente? Numa atitude rebelde, alguns criaram hipóteses como a origem por meio de uma explosão e a organização biológica através de uma evolução. Mas tais idéias são teorias rejeitadas até mesmo por membros da chamada comunidade cientifica e também pelo homem comum, pois tais explicações deixam brechas sobre a causa de tais acontecimentos. De onde veio o material que explodiu e quando e como surgiu o primeiro ser vivo de onde supostamente evoluímos? Não há respostas sem a admitir a existência de um Ser Todo Poderoso, Atemporal e de Inteligência Imensurável.

- A origem do Homem. E quanto a nós seres humanos? Que seres maravilhosos! Pequenos, mas capazes de dominar todos os outros animais do planeta. Capazes de voar pelos céus, mergulhar no coração dos mares e atravessar as fronteiras da terra. Adaptáveis ao frio e ao calor, desertos e florestas, planícies e planaltos, vales e montanhas. Com o poder de criar tecnologias e manipular os elementos químicos para preservar e produzir vida. Olhando para o macaco e observando a mera intuição de outros animais, não dá para aceitar que somos derivados de seres tão estúpidos e limitados em sua ação criativa. Apesar de também sermos mortais e muitas vezes agirmos de forma estúpida, existe em nós capacidade racional e tantos atributos emocionais que nos tornam especiais, diferentes de toda a Criação. O fato é que a nossa própria configuração bio-psicológica evidencia que fomos criados à imagem e semelhança do próprio Criador.

- A origem dos Valores.

De onde surgiram as leis que regem as relações entre os homens? Quem implantou no homem o valor da solidariedade, da honestidade, da justiça, da compaixão, da esperança, da humildade e tantos outros? Por que algumas ações são consideradas corretas e honrosas, enquanto outras são criminosas e reprováveis? Alguns respondem a estas questões afirmando que o próprio homem à medida do convívio social criou normas a fim de regulamentar as relações e preservar a vida. Mas quem lhe explicou o valor da vida? As pessoas zelam pelas suas vidas porque consideram-na importante, o maior valor, e isso foi o próprio Deus quem incutiu em nossas mentes.

A experiência revela que somos seres com uma natureza má. As leis são criadas com o fim de controlar e reprimir o mal inventado e praticado pelo homem. Somente Alguém de caráter essencial e eternamente bom, Alguém pleno da justiça e perfeição poderia ter criado os valores que estão inseridos nos pensamentos e nas ações do Homem e que ainda orientam sobre a melhor maneira de viver sobre a terra. Os valores mais nobres que regulam nossas ações uns para com outros foram estabelecidos por Deus através do contato inicial com o homem, por meio dos mandamentos e pela vida e ensinos de Jesus. Um exemplo de um valor sublime é o amor. Ora, Jesus é manifestação personificada do amor de Deus. Ele nos amou e nos ensinou a fazer o mesmo. Em outras palavras, nós amamos porque Ele nos amou primeiro.

O Absurdo Da Vida Sem Deus
(Continuação)

Em segundo lugar, a vida sem Deus é um absurdo porque o pensamento exige sentido para as ações. Viver sem sentido é como participar de uma maratona sem ponto de partida nem linha de chegada. Não se sabe de onde vem, nem aonde se quer chegar, apenas se corre. É como escreveu Henry Kissinger: “Se você não sabe para onde está indo, todo caminho o levara a lugar nenhum”. Ou ainda Lewis Carrol em “Alice no País das Maravilhas”: “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”.

O Sentido da Vida. De repente tomamos consciência que estamos vivos, que fazemos parte de um universo que contem bilhões de seres como nós, que possui vida por todos os lados, repleto de movimentos, cores, odores, sabores e sensações. Descobrimos que somos capazes de pensar sobre o que nos cerca e sobre o que acontece dentro de nós. Também de repente sentimos a necessidade de explicar os porquês e os para quês da existência. Em outras palavras, sentimos falta do sentido da vida. Porque a vida sem sentido não tem sentido. Alguém colocou a eternidade dentro de nós e mesmo que tentemos negá-la, ela continua lá, esperando o dia para manifestar-se.

Encontrar o sentido da vida é também encontrar respostas para as nossas motivações. As nossas motivações respondem a perguntas do tipo: Por que faço o que faço? Qual a finalidade de minhas ações? A quem quero agradar quando pratico o bem não-evidente, aquela boa obra que não trás nenhum louvor para mim, mas apenas beneficia o outro?

Existem vários princípios que nos impulsionam, desde aqueles mais egoístas como a avareza e a fama, à aqueles aparentemente saudáveis como a caridade e a religião. Mas como saber o maior, o melhor, aquele que merece a entrega de todo o nosso ser? Mais uma vez a resposta está em Deus. A maior e melhor intenção para as nossas ações é a adoração àquele nos Criou. Se vivermos centrados nesta verdade, então teremos mais prazer e sentiremos caminhando no rumo certo, tranqüilizando o coração e fazendo uma faxina na alma.

Encontrar o sentido da vida também favorece a gerência do tempo. Cada um de nós tem consciência que não ficará neste mundo para sempre. Um dia morreremos. Mas até lá? O que devemos fazer? Para quem devemos fazer? Para as futuras gerações com o fim apenas de preservar a existência da humanidade? Se pensarmos assim, então a vida consistirá apenas numa luta contra ela mesma, a luta pela preservação. Não. Definitivamente a essência da vida não é a escravidão à morte. Alguém nos fez para a eternidade.
Do porquê viver, nasce o como viver. Ora, se sei o porquê de minha vida, saberei como viver dentro do propósito para o qual fui criado. Isto quer dizer que quando estamos conscientes da razão pela qual estamos vivos, então seremos capazes de viver da melhor maneira possível, caminhando dentro do objetivo pensado pelo Criador. Nós fomos criados para a adoração a Deus através da obediência. Então, o segredo da vida é glorificá-lo em todo o tempo, mostrando a honra de servi-lo através de nossas ações. Como disse Salomão depois de sua investigação existencial: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; pois este é o dever de todo homem” (Ec. 12:13).

Pr. Alex Gadelha

16 de julho de 2008

Ouvindo as Mesmas Coisas, Reagindo da Mesma Maneira e Continuando a Mesma Pessoa


As mensagens proclamadas nos templos da Igreja e entre as ruas da cidade falam as mesmas verdades, só que de formas diferentes. No conteúdo da pregação cristã está a obediência, o arrependimento, o perdão, a humildade, a pureza, a fé e tantos outros valores pautados na Pessoa de Jesus Cristo. Eles aparecem não só em forma de sermões, mas também por meio de louvores, peças teatrais e lieraturas, além do ensino nas escolas bíblicas e conversas informais. O fato é que estamos constantemente ouvindo ou falando sobre princípios divinos. Agora, se não obedecemos, uma coisa é certa, não é por falta de informações que o fazemos. Talvez em países não evangelizados o argumento do pecado por ignorância possa até ser usado, mas no nosso caso não.


Certa vez parei para observar a postura da Igreja durante um momento de culto. Os cânticos mostravam profundidade em suas letras, irmãos participavam compartilhando experiências significativas, a mensagem clara, simples e prática. Mas enquanto todas estas coisas boas aconteciam, alguns explicitamente permaneciam alheios, “por fora”, “voando”. Brincavam no celular, trocavam bilhetes e risos. Outros num ato de desrespeito a quem estava falando levantavam-se, desfilavam pelos corredores até chegar ao lado de fora para conversarem em um tom que chama a atenção de quem está querendo ouvir de Deus. O descaso chega a tal proporção que testemunhei um casal de namorados entre beijos e abraços do lado de fora, enquanto a Palavra era exposta pelo pregador. Que vergonha!

O preocupante é que o tempo vai passando e tal indiferença vai tornando-se hábito. Quando se cai nesse nível, as verdades transmitidas não penetram mais, não mexem, não alegram nem inquietam. Ora, perceba que a fé vem pelo ouvir, mas se não escutam, também não praticam e conseqüentemente, não experimentam transformação. Assim, o tempo corre e tais pessoas se tornam "mulas" de igreja, permanecendo imaturos, analfabetos no conhecimento de Deus e às vezes hipócritas, com gestos de louvor superficiais e jargões decorados.

Mas a pergunta crucial é: o que fazer para que valorizem o culto, a Palavra, a comunhão e a obediência a Deus? A resposta é: Não há o que fazer. Estou sendo sincero. Ninguém muda ninguém. Podemos até influenciar por meio do exemplo ou de ações que geram admiração ou rejeição, mas ninguém inventou o sensor que aciona a vontade humana para busca de Deus. Porque quem quer mudar precisa reconhecer e explicitar que quer isso. É um ato pessoal, individual, de per si. Isso não tem nada a ver com auto-afirmações positivas, mas sim com a necessidade de empenhar-se em fazer o que Deus ordena. Ora, quando se quer ser diferente pela santidade, então se é contemplado pelo Senhor, que dá a força necessária para deixar o pecado e praticar o bem.

Entenda que o conteúdo e a essência da mensagem do Evangelho devem continuar os mesmos. É a nossa postura que precisa ser diferente. Pois quem quiser ser transformado pela Palavra deve continuar ouvindo as mesmas coisas, mas com um espírito profundamente desejoso de praticar todas elas.

Pr. Alex Gadelha

21 de junho de 2008

Meu Pai na Fé


Nestes últimos dias estive revirando o meu baú de memórias e encontrei a minha história de conversão a Cristo. Logo na primeira página, minha lembrança fixou-se no primeiro contato que tive com um evangelista. Foi o pastor Plínio Kremer quem introduziu o Evangelho em minha família. Por alguns domingos bateu a porta de minha casa para discipular os novos convertidos do bairro, entre eles a minha irmã Kaliana, a primeira dos gadelhas a se converter.
Lembro do pastor com sua bicicleta, camisa molhada de suor e rosto vermelho do sol. Seu exótico estereótipo gaúcho-alemão despertou-me a curiosidade. Mostrava uma paciência de Jó, perseverante, uma mansidão admirável, tão calmo que chegava a irritar um jovem impaciente como eu. Por várias vezes convidava-me para participar dos estudos, mas o meu orgulho e indiferença religiosa diziam sempre não ou às vezes ignorava-o.
Lembro de uma tarde de Domingo, quando estava em frente a tv enquanto eles “debatiam” sobre temas bíblicos. De costas para o grupo, em frente ao aparelho de imagens, ouvi um pouco da discussão e senti-me atraído. Então, desliguei a tv e fui ouvi-lo. Na época, tinha recebido um Novo Testamento doado pelos Gideões Internacionais e havia começado a lê-lo por mera curiosidade. Achei interessante vê-lo explicando alguns versículos que já conhecia, isso serviu-me como incentivo para continuar a leitura da Bíblia. Nessa tarde, confrontei-o com o pouco de conhecimento que supunha ter, queria mostrar que “também conhecia”. Era uma ousadia descontextualizada, sem consistência. Ele, mais uma vez, mostrou-se sereno e disse que o fato de “saber” muitas coisas da Bíblia era bom para mim e incentivou-me a dar continuidade à leitura.
E eu continuei. Todas as manhãs acordava com o tinido dos canários de meu pai, tomava café e sentava-me na calçada de dona Maria, minha vizinha frontal, debaixo da sombra de suas queridas e bem cuidadas plantas. Sentava ali e viajava pelas páginas e lugares neotestamentários. Passei pelo Monte das Oliveiras, li as Bem-aventuranças e todo o sermão de Jesus, que confrontava meu egoísmo e senso de autojustificação. No monte Calvário meus olhos fitavam-se nas dores e agonias do Cristo. Estava gostando tanto da leitura, era como se meus lábios estivessem salivando ante a descrição de um prato saboroso.
A medida que lia, começava a desprezar o meu passado de católico não praticante e a envergonhar-me das poucas vezes que me ajoelhei ante a imagens de escultura. Logo abandonei o catolicismo. Quando me perguntavam sobre minha religião, respondia que não era católico nem crente. Então replicavam que eu era ateu. Respondia que não, dizia que apenas acreditava na Bíblia.
O tempo foi passando, meu irmão mais velho sob o testemunho de vida e pregação do pastor Plínio também confessou a Cristo e convidou-me para assistir um culto no templo da Igreja Batista Regular da Fé. Frequentei cerca de cinco meses, consciente da verdade, mas resistindo-a devido à atração que ainda sentia pelo mundo.
Entretanto, em uma conferência de Agosto, depois de tomar consciência da necessidade de crer, sai de casa desejoso de entregar minha vida a Cristo. Ainda inseguro disse a minha mãe que “ia ser crente”, a resposta foi diplomática “se é isso que você quer...”. E naquela noite, mal prestei atenção à pregação, pois estava ansioso por terminar o culto e dizer a alguém que agora era um “irmão”. No final, abracei a irmã “Branquinha” e disse-lhe que agora ela tinha um novo irmão em Cristo. Confusa, ela perguntou: Quem? Respondi: Eu. Depois oramos, reconhecendo o senhorio de Jesus sobre minha vida.
Toda essa linda história nasceu na disposição de um homem de Deus, que foi até a minha casa e amou-me pregando o Evangelho de Jesus. Sou grato a Deus por você meu irmão e colega de ministério. Obrigado pastor Plínio Kremer.

Pr. Alex Gadelha.

6 de maio de 2008

A Teologia da Espiritualidade Cristã

Entre o Visível e o Invisível



Quando pensamos em um tema como “a teologia da espiritualidade cristã”, tentamos pautar valores e formas na relação do espírito humano com Deus. Isso devido as múltiplas ofertas de “espiritualidade” que encontramos no mercado religioso, principalmente nas prateleiras evangélicas.
De um lado, existe no caldeirão sincrético brasileiro um tipo de espiritualidade que podemos denominar corporativa: são mantras, velas, correntes e orações como meios de alcançar sucesso nos negócios ou criar uma atmosfera zen no ambiente profissional. Sem falar no misticismo das cartas, búzios e cristais, superstições voltadas principalmente para a área emocional.
Do outro lado está a espiritualidade “gospel”, que mais se identifica com uma cultura de consumo do que com a ética derivada dos ensinos de Cristo. Tal cultura favorece os mercadores da religião, que lucram com um tipo de fé burra e impulsiva. Os produtos oferecidos vão desde liturgias de massa, até amuletos da fé, como chaveiros, caixinhas de promessas, bíblias nos mais diversos formatos, modelos suficientemente irreconhecíveis ou disfarçáveis. O problema não é a forma das bíblias e da liturgia, mas a indiferença ao seu conteúdo, principalmente, o esquecimento da essência registrada em suas páginas e da prática exigida na vida do leitor.
Tais “espiritualidades” apóiam-se na fé inflamada pelos símbolos, ou seja, precisam do visível para crer no invisível. É a idéia do ver para crer, uma forma de ceticismo revestida de prudência, onde a segurança dos sentidos é defendida em detrimento da fé. No entanto, não podemos negar que a espiritualidade possui seu lado visível. Pois a comunhão do nosso ser com Deus, evidencia-se em ações, práticas e palavras coerentes com o modelo que Jesus nos deixou. Como a Lei que gere o cristianismo não pode ser cumprida na individualidade, a espiritualidade cristã deve primar pela experiência em comunidade e por uma relação amorosa com o mundo sem Deus. Assim sendo, a saúde de nosso espírito se mostra quando satisfaz a vontade de Deus na prática do bem ao próximo. É um princípio presente em toda a Revelação, especialmente nos escritos do Novo Testamento.
O apóstolo João, por exemplo, fala da impossibilidade de amar ao Deus Invisível sem amar ao irmão a quem vê: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (I Jo. 4:20, 21).
Já Tiago critica a inutilidade de palavras “abençoadoras” não acompanhadas de gestos de amor. O seu ensino nos desafia a mostrar a fé invisível através da visibilidade das obras. “Mas alguém diz: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as minhas obras, te mostrarei a minha fé” (Tg. 2:18).
Jesus também mostrou perfeitamente equilíbrio na relação invisível-visível. Ele cultivou momentos reservados de devoção a Deus (Mt.14:23) e também revelou seu amor ao Pai em suas atitudes (Jo.14:31). A característica marcante do relacionamento de Jesus era sua contínua submissão, o prazer em fazer a vontade de Deus.
Portanto, perceba que não há como separar espiritualidade de vida prática. O relacionamento invisível do nosso ser com Deus evidencia-se através do bem que praticamos por meio do corpo (2ª Cor. 5:10).
Pr. Alex Gadelha

Quando Deus Pensou em Você

A Bíblia nos mostra que Deus é o Criador de todas as coisas, o Senhor do Universo e o Juiz de todos os homens. É Onipotente, Onisciente e Onipresente, adorado pelos anjos e cercado de Glória e Majestade desde a eternidade. Ele é o Único Ser Auto-Suficiente, não precisa de nada ou ninguém para existir. Independente do que pensemos a Seu respeito, se cremos ou não em Sua Pessoa, Deus continua sendo Deus e nada roubará ou suprimirá a Sua Excelência e Domínio. Ele é necessário, por isso todos os homens em todos os lugares concebem, de uma forma correta ou equivocada, a idéia de um Ser Supremo, a Quem atribuem tanto a ordem como até mesmo o caos no mundo. Sendo Deus tão Sublime e Magnificente, o que pretendia quando criou o homem? Quando permitiu que cada um de nós viesse à existência?

Quando Deus pensou em você, pretendia criar um ser com quem pudesse estabelecer um profundo relacionamento e a quem abençoaria com uma vida eterna de perfeição e satisfação plena. Quando o Senhor criou o homem, Ele estava compartilhando de Si mesmo, doando amor (1ª Jo. 4:19). Mas o que aconteceu? Não temos satisfação plena, pelo contrário, somos extremamente limitados, frágeis, corpos que se decompõem (Gn. 3:19). Não entendemos integralmente o universo em que vivemos, procuramos respostas até mesmo para as coisas mais insignificantes, aliás, somos seres carentes de respostas, em constante crise de direção, às vezes nos sentindo perdidos e solitários, como se a existência fosse um grande mar e nós estivéssemos ali, no meio dele, nos perguntando: que direção devo tomar?

O pecado transtornou a vida e “adiou” o propósito de Deus para a humanidade. Quando Adão pecou, todos nós pecamos, todos herdamos sua natureza pecaminosa e seguimos voluntariamente os seus caminhos de rebelião (Rm. 5:12). Estamos constantemente colhendo o fruto de nossas transgressões, de vícios e orgulho, práticas que nos tornam escravos de um ego carrasco que impede de nos aproximar da luz.

E agora? Falhei com Deus, isso significa que Ele me abandou e me jogou no mar da existência? Absolutamente não! Por Deus ter pensado em você, também planejou desde os tempos eternos a solução para o maior de seus problemas: a condenação do pecado. “Porque Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). A Pessoa de Jesus Cristo é a expressão exata do amor que Deus dedica a você. Quando o Senhor esteve entre nós, curou enfermos, expeliu demônios, manifestou poder sobre a natureza, além de ensinar e viver entre os homens o perdão, o amor e a verdade. Nunca foi conivente com o pecado, mas sempre estava disposto a dar mais uma chance, a dizer “vá e não peques mais” (Jo. 8:11). Com a sua morte na cruz e sua ressurreição, o Filho de Deus tornou possível aos homens a oportunidade de serem salvos pela graça (Jo.3:16). Ele sabe que a nossa divida espiritual não poderia ser paga por nós mesmos. Nossas transgressões nos afastam do Criador, nossas boas obras não são proporcionais aos nossos pecados. Só alguém impecável poderia assumir a dívida e foi por isso que Jesus morreu na cruz do calvário, para nos resgatar da condenação ao inferno. “O Justo pelos injustos” (1ª Pe. 3:17).

Jesus sofreu as dores da crucificação porque pensou em você (Lc. 23:34). Esta é uma verdade que não basta apenas ouvir, deve ser crida, vivenciada. Como isto acontece? Acontece quando após ouvir as boas novas de salvação, o evangelho da graça, você toma consciência de sua situação espiritual (condenado), reconhece a morte vicária (em seu lugar) de Cristo e, arrependido, o confessa como seu Único Senhor e Salvador (Rm. 10:9, 10). O resultado de sua decisão será manifesto em uma vida de fé e obediência ao Mestre, na certeza de salvação e no reencontro do sentido da vida (Jo. 14:6).

Deus pensa em você, não tenha dúvida disso. O Seu projeto inicial de ampliar Sua esfera de amor persiste ainda hoje. É por isso que o mundo ainda subsiste; foi por isso que o Dilúvio não exterminou a todos; que o remanescente de Israel perdurou; que os profetas foram enviados; que Jesus sacrificou a sua vida, estabeleceu a Igreja e mandou que pregássemos o evangelho ao mundo. Deus providenciou que sua Palavra fosse registrada na Bíblia porque pensou em você (Jo. 20:30, 31). E agora, neste momento, está disposto a te receber da forma como estás e não permitirá que continues o mesmo.

Pr. Alex Gadelha

9 de abril de 2008

Não Tente Sozinho, Você Não Vai Conseguir



Hebreus 10:19-25

Seguir a Cristo sem envolver-se com outras pessoas não faz sentido. O conteúdo dos Seus ensinos só pode ser aplicado em um ambiente coletivo. Observe que os dois principais mandamentos envolvem o amor a Deus e ao próximo (Lc. 10:27). Sendo assim, como praticar o amor ao próximo distante das pessoas? Impossível.

Uma das exigências para ser um discípulo de Jesus é crucificar o EU em favor do NÓS. As vontades pessoais precisam ser renunciadas em favor do bem comum. É um princípio essencial da igreja. Aliás, a Igreja é uma Eclésia, ou seja, uma assembléia separada com o propósito de servir a Deus em união. Um membro sozinho não é uma igreja, mas parte dela.
Não existe cristianismo sem relacionamentos. O próprio Mestre escolheu companheiros para as batalhas do seu ministério (Lc. 6:13, 8:1). Ele chamou e conviveu com os doze apóstolos por mais de três anos, 24h por dia. Comia, bebia, ensinava, confidenciava e ouvia-os, percorria distâncias, operava milagres, sofria e alegrava-se na presença deles.

Enquanto homem, mostrou a necessidade do amparo dos amigos. Quando os discípulos discutiam sobre “qual deles parecia ser o maior”, o Mestre interveio dizendo-lhes que no reino dos céus era diferente, pois o maior seria como o menor (Lc. 22:24-27). Acrescentando a essa lição de humildade, reconheceu a importância da companhia dos discípulos: “Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações” (Lc. 22:28).
Os discípulos estiveram com ele desde o princípio (Jo. 15:27). Estavam desde o início, no entanto, o abandonaram antes da cruz. Talvez não entendessem plenamente a sua missão. O fato é que no Jardim do Getsêmani, quando estava tomado de tristeza e angústia, o Senhor requereu a companhia de Pedro, Tiago e João para uma última vigília: “ficai aqui e vigiai comigo” (Mt. 26:38). Enquanto Jesus orava ao Pai, os seus discípulos mais íntimos dormiam. Fatigados ou desinteressados, não atentaram para a agonia solitária do Mestre. Quando a turba enviada pelos principais do povo e guiada por Judas o prendeu, todos fugiram. Jesus não foi pego de surpresa, pois sabia até quando poderia contar com eles (Jo. 16:32). E continuou amando-os até o fim.

Jesus foi fortalecido pela presença do Pai (Jo. 8:29) e de seus amigos (Jo. 15:15). Ensinou-os a fazerem o mesmo. Na missão dos Setenta, os enviou de dois em dois para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir (Lc. 10:1). E os apóstolos aprenderam bem a lição. Depois da ressurreição, não se separaram, antes foram pescar juntos (Jo. 21:2).

Paulo é outro exemplo: Evangelizou terras e mares do mundo antigo sempre acompanhado de alguém. Era fortalecido e fortalecia as igrejas através da comunhão. Graças a Deus pelos amigos e amigas que encontrou em sua missão, como Priscila e Áquila, Timóteo, Tito, Marcos, Barnabé, Apolo e tantos outros. Os solitários não vão muito longe.

Sabe por que Deus estabeleceu a Igreja? Para “considerarmo-nos uns aos outros, PARA NOS ESTIMULARMOS ao amor e às boas obras”. É por isso que não devemos “deixar de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima’ (Hb. 10:24,25).

Precisamos do “uns aos outros” para continuarmos constantes e firmes no Senhor. Como diz o Sábio: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante” (Ec. 4:9,10). Sozinho ninguém suporta as tentações e provações da vida cristã.
Claro que nem todas as companhias são saudáveis à fé. Algumas devem até ser evitadas (Pv. 13:20, 16:29, 28;7; I Co. 5:11). Por outro lado, “o olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos” (Pv. 15:30). O que não pode acontecer é tentar seguir a Cristo sozinho. Sozinho você não vai conseguir.

Pr. Alex Gadelha

1 de abril de 2008

Vida Cristã Prática - Quem é suficiente?

1ª Coríntios 2:14-17
Aprendi que Deus capacita os incapazes. Aprendi que Ele deixa a cargo do homem o possível, mas o impossível Ele assume. Aprendi que a Palavra, o Espírito Santo e a Igreja nos habilitam ao caminho da integridade, santificação e crescimento espiritual. Por isso, cheguei a conclusão de que praticar os ensinamentos do Senhor é uma questão de decisão, de querer obedecer.

No texto acima, Paulo dá graças a Deus pelo nosso triunfo em Cristo Jesus. Nele somos mais que vencedores (Rm. 8:37-39). Vencemos a morte, o Diabo e através da fé, o mundo (1ª Jo. 5:1-5). O apóstolo diz ainda que é por meio dos crentes que Cristo se revela à humanidade, “... por meio de nós, manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento”. O mundo conhece a Jesus através da fidelidade dos que proclamam e praticam os seus mandamentos.

O cristão trás em si uma mensagem de vida e de morte. Vida, devido à certeza de salvação, a capacidade de amar e a paz com Deus. Vida abundante, transformada e prometida por Jesus (Jo. 10:10, 2ª Co. 5:17). Somos embaixadores da esperança e se de fato, assumirmos este encargo no dia a dia, atrairemos os que estão ao nosso redor.

Por outro lado, também exalamos cheiro de morte para a morte, porque portamos uma mensagem de condenação para os que rejeitam a Cristo e não agradam a Deus. Viver com integridade é viver na contramão das paixões mundanas e do pecado, e isso tanto incomoda aos que vivem mergulhados no lamaçal de iniqüidade, como também causa reflexão sobre o destino da alma após a morte. Diante de um cristão fiel, alguém pode perguntar: Se este diz ir para o céu, para onde irei eu?

A vida cristã prática do apóstolo Paulo gerava nos crentes o desejo de obedecer a Deus e amar ao próximo. Como um bom perfume atrai o nosso olfato, assim também um bom cristão provoca o desejo de conhecer a Deus. O cristão deve ser referência de fé em qualquer lugar que se encontre. Sua fama de bom marido e bom pai, profissional honesto, vizinho estimado, aluno e filho exemplar, deve se alastrar, salgar e iluminar o seu mundo.

Paulo indagou aos coríntios quem é suficiente para estas coisas? Quem era idôneo para ser o bom perfume de Cristo? Aquele que o ama e se submete a sua vontade. Paulo tinha este perfil, e afirmava que a fonte de sua suficiência era o próprio Deus (2ª Co. 3:4-6). O apóstolo nos mostra a possibilidade de viver com consciência pura diante de Deus e dos homens. Só precisamos, assim como ele, nos esforçar (At. 24:16).

Na conclusão do capítulo 2, o apóstolo explica que não estava negociando a palavra de Deus, mas em Cristo falava na presença de Deus, com sinceridade e coerência com a vontade do próprio Deus. Ele não pregava e vivia conforme o desejo da maioria, antes pregava e praticava o que precisavam ver e ouvir em um seguidor de Jesus. Também não omitiu a sentença de condenação ao inferno sobre os impenitentes. Ele era um modelo de vida cristã (1ª Co. 11:1, Fp. 3:17). E mostrou que, em Cristo, somos suficientes para praticar aquilo que afirmamos crer.

Pr. Alex Gadelha

25 de março de 2008

O Espírito Excelente de Daniel


“Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino”. Dn. 6:3.

Fico maravilhado todas as vezes que estudo a pessoa de Daniel. Enquanto meditava na sua biografia, chamou-me a atenção algumas expressões referentes ao seu caráter. Dentre elas duas se destacaram:

- Os súditos do rei reconheceram nele um homem de “espírito excelente” (5:12).
- Ele foi chamado pelo anjo Gabriel de “homem mui amado” (9:20-23).

Daniel conquistou a admiração dos três reis babilônios para quem trabalhou, de toda a corte e do próprio império onde governou. Se isso não bastasse, ainda atraiu o coração do próprio Deus.
Mas o que Daniel tinha que o fazia distinto? A expressão espírito excelente pode explicar. A palavra excelência deriva-se do latim exellentia, e refere-se a algo ou alguém de qualidade superior, de grandeza, elevação. Quais virtudes faziam de Daniel uma pessoa assim?

1. Inteligência: Daniel recebeu de Deus além da capacidade de decifrar sonhos e visões proféticas, o dom da percepção clara e fácil. Era alguém que tinha habilidade em lidar honestamente com circunstâncias desfavoráveis. Engenhoso e eficaz em tudo o que fazia, conquistou a fama que atribuía a Deus (Dn. 1:20, 2:20, 21; 5:12, 14).

2. Sabedoria. Ele não só possuía extensos conhecimentos, também se portava de maneira ética, guiado pela lei do seu Deus. Tanto que conquistou a afeição dos reis Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro. O seu comportamento ilustra a sabedoria do alto descrita em Tiago 3:13, 17: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras”. “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”.

3. Prudência (Dn. 2:14). A postura de Daniel reflete a atitude que Jesus pediu para que seus discípulos desenvolvessem: “ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes” (Mt. 10:16). Sua simplicidade e prudência fizeram com que gozasse o favor do rei (Pv. 14:35).

4. Humildade: “... não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes” (2:30). A humildade era uma marca deste jovem. Quando interpretou o complexo sonho de Nabucodonosor, não se portou de maneira altiva, mas deixou claro que Deus queria deixar consciente ao rei as cogitações que inquietavam a sua mente. Daniel seria um bom discípulo de Jesus, pois assim como Ele demonstrava-se manso e humilde de coração (Mt. 11:29).

5. Reverência/temor (Dn. 10:11). Daniel tinha um zelo por Deus extraordinário. Ao receber
suas últimas revelações tremeu diante da presença de um anjo enviado pelo Senhor. O anjo o consolou e o fortaleceu, porque sabia que ali estava um homem a quem Deus amava. “... mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Is. 66:2).

Ainda poderíamos falar sobre os bons conselhos de Daniel (4:27), sua incorruptibilidade (5:16, 17), seu perfil de servo do Senhor (6:20), seu espírito investigativo (8:15; 9:2), sua vida consagrada (9:3).

Daniel, homem, profeta, exemplo de servo de Deus. Quero imitá-lo.

Pr. Alex Gadelha

18 de março de 2008

“Deixando as coisas de menino...”


O apóstolo Paulo, homem inteligente e inspirado, usou a metáfora do desenvolvimento biológico e psíquico para exortar aos crentes de Corinto sobre a necessidade de crescerem espiritualmente. Logo no terceiro capítulo de sua primeira carta aos coríntios considerou-os crianças na fé, pois não tinham desenvolvido a salvação, estagnaram-se em práticas infantis. Eram ciumentos e contenciosos, usavam os dons como forma de auto-promoção, lutavam por posições, havia queixas, discussões sobre alimentos, irresponsabilidade moral, espírito vingativo, precipitação e egoísmo.

No capítulo 13 da mesma carta, o apóstolo indica o caminho da maturidade. Em versos poéticos descreve tanto a importância como os frutos do amor. Na definição do amor cita uma lista virtudes: paciência, benignidade, confiança, humildade, bom senso, generosidade, mansidão, perdão, justiça, verdade, firmeza e eternidade.

Amar como Jesus amou é o foco da maturidade cristã.
Tomando o processo de amadurecimento natural, a transição da infância à fase adulta, Paulo incita os crentes à reflexão sobre o crescimento que devem adquirir à medida do tempo. Da mesma forma que a criança ao longo da vida cresce e deixa suas práticas infantis, assim também deve o crente crescer espiritualmente e abandonar atitudes que refletem imaturidade. Ele explica que quando era menino se comportava como menino, mas quando atingiu a maioridade, desistiu de agir como menino, agora deveria falar, sentir e pensar como homem.

Estas três faculdades destacadas podem nos orientar quanto ao processo de amadurecimento pessoal-espiritual que devemos viver:

“Falava como menino...” – As palavras de uma criança de modo geral são precipitadas e sem conteúdo. O assunto em um círculo de uma creche não é muito agradável aos adultos, muitas vezes é maçante e cansativo. As crianças falam de maneira repetitiva e atribuem demasiada importância a temas triviais.

“Sentia como menino...” – Crianças são susceptíveis, se magoam com facilidade, seus sentimentos dominam suas ações. Quando contrariadas, se comportam com intolerância. Raramente aceitam o “não” como resposta, ficam zangadas ou condoendo-se por dentro. São vingativas, revidam à agressividade através do choro, gritos, tapas etc. Nesta fase existe uma ausência de domínio próprio acentuada. Agem motivadas pelas paixões.

“Pensava como menino...” – Os primeiros anos de nossa existência são caracterizados pela assimilação de informações que vão garantir a sobrevivência e formação de nosso caráter. É neste período que idéias, crenças e valores são absorvidos pela nossa mente, por isso, não são estranhos em uma criança pensamentos superficiais e ingênuos sobre si mesmo, as pessoas e o mundo. No entanto, na fase adulta exige-se pensamentos que demonstrem experiência e conteúdo. Tratando-se de vida espiritual, espera-se que o cristão desenvolva pensamentos virtuosos, centrados nas coisas do alto e não daqui da terra (Fl. 4:8; Cl. 3:2). Deus nos chama à transformação a partir da renovação de nossas mentes (Rm. 12:2), como também ao cultivo da mente de Cristo em nosso cotidiano (1ª Co. 2:16, Fl. 4:8).

“Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Ao atingir a varonilidade, o homem fala, sente e pensa de forma consciente, sólida e adulta. A tolice infantil é substituída pela consistência argumentativa; em lugar de precipitações, reina o domínio próprio; a verborragia cede espaço à palavras de conteúdo e edificação; o orgulho é vencido pela humildade.

Enquanto se é menino, a sociedade tolera as coisas de menino, mas um adulto-infantil não é encarado com bons olhos. Homens se comportando como crianças causam desconforto e intolerância.

Mas, para alguns, continuar “menino” traz supostos benefícios. Como ausência de responsabilidades, satisfação de caprichos, cuidados especiais, proteção paterna etc. “Deixar” ou “desistir” das coisas de menino envolve disposição para se desatrelar das comodidades da infância. “Crescer dói”, por isso poucos se esforçam em buscar a formação de um caráter sério e maduro. As pessoas têm medo de mudanças, principalmente daquelas que exigem a saída do oásis do lar para as escaldantes areias do mundo. O resultado de tal postura gera homens e mulheres desequilibrados, inoperantes e covardes.

Paulo portava-se como um adulto na fé e desafiava os crentes coríntios a fazerem o mesmo. A Igreja e o mundo hoje precisam de “homens” que decidam resolutamente abandonar as coisas de menino e manifestarem em ações conscientes e corretas aquilo que Deus aprova.

Que Deus desenvolva em nós, seus filhos, um caráter santo, sábio e maduro!

Pr. Alex Gadelha

15 de março de 2008

Crê e serás Salvo, Tu e a Tua Casa


Quando penso em um testemunho vivo à família, lembro do carcereiro de Filipos. Foi ele o responsável por guardar Paulo e Silas quando estes foram presos por libertarem uma “jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores”.

Enquanto o carcereiro cochilava, pôde ouvir as orações e louvores que os apóstolos cantavam por volta da meia noite. E os demais companheiros de prisão também os escutavam. Foi uma noite diferente, pareceu ser mais longa, mais alegre, mais esperançosa. À meia-noite aconteceu que a terra tremeu, abalaram-se os alicerces da prisão, as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos. O guarda despertou em desespero ao ver os cárceres vazios. Logo puxou a sua espada e quis suicidar-se. Quis antecipar aquilo que os seus superiores iriam fazer. A morte o esperava. Mas naquele momento a graça de Jesus o alcançou e através de Paulo, concedeu a luz àquele aflito. Trêmulo e prostrado diante dos apóstolos. ele fez uma pergunta crucial para toda humanidade: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?”. A resposta foi simples, verdadeira e com promessa: “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

É nesta resposta que devemos fixar o coração. É importante reconhecer quando interpretado de forma matemática e isolado de seu contexto, o versículo se torna uma fórmula mágica para conversão de nossos familiares. Como se a fé pessoal fosse suficiente para salvar toda a família. Não é isto que a Bíblia está dizendo. Aprendemos desde cedo de que a salvação é algo de responsabilidade individual, cada um dará contas de si mesmo a Deus (Rm. 14:12).

Para compreendermos melhor a expressão “tu e a tua casa” devemos observar a experiência de conversão do carcereiro e suas ações após ela:

- Antes de qualquer coisa, ele teve uma experiência marcante de salvação. Sua vida foi poupada do fio da espada. Assim, como muitos de nós fomos resgatados dos poderes do mundo, das trevas da religiosidade e das amarras do diabo.

- Sua família foi logo abençoada porque ouviu a mensagem de salvação proclamada pelos apóstolos: “E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa”. Sem pregação não existe possibilidade de sua família ser salva. Como crerão se não ouvirem? Eis a sua parte: falar de Jesus para os seus.

- Expressou seu arrependimento ao cuidar dos ferimentos dos apóstolos. Naquela mesma noite, lavou-lhe os vergões dos açoites, transferiu-os do calabouço para sua casa e serviu-os à mesa.
- Ele mostrou convicção de sua escolha e logo foi batizado. Não demorou, não titubeou nem vacilou, pois compreendeu a simplicidade do evangelho e creu no senhorio de Jesus Cristo. Naquela noite todos os seus desceram às águas (v. 33).

- Ele se alegrou com todos os seus por terem crido em Deus (v. 34).
Percebam que para que o carcereiro tivesse toda sua família salva, ele teve de fazer com que os seus ouvissem as palavras de salvação. E nós devemos ter o mesmo zelo pela situação espiritual dos nossos. O mesmo Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. 1ª Tm. 5:8.

Deus quer salvar toda a sua família. Para isso, pregue e viva o evangelho de forma viva, persuasiva e amorosa.
Pr. Alex Gadelha

9 de março de 2008

Se Cair Não Desista


A idéia de um super-homem santo não é coerente com a espiritualidade ensinada por Cristo. Fico assombrado com os “profetas” da mídia quando os vejo determinando a hora, o tipo e o lugar da bênção. Vestidos com a máscara da consagração, ousam impor o seu querer sobre a vontade de Deus. Não aceitam problemas e logo “decretam a vitória” por meio de um jargão mágico pronunciado com convicção. Usam versículos fora do contexto para estribar suas heresias e mostrar aos fiéis que Deus os pôs “por cabeça e não por cauda”, para está “em cima e não debaixo”.

O problema é que quando tais “profetas” caem, quando não conseguem tomar posse daquilo que afirmam ser deles, inventam desculpas ridículas ou distorcem o que tinham dito. Por transmitir a imagem de impecáveis, levam à decepção muitas pessoas sinceras que imprudentemente se espelharam neles.

A prepotência nunca foi um caminho para se aproximar de Deus. Se olharmos para grandes homens de Deus, iremos perceber que eram pessoas simples, sujeitas aos mesmos sentimentos e fraquezas que todo homem possui. E confortante é saber que o registro de seus tropeços está na Bíblia para nosso ensino e advertência. Tudo o que foi escrito, para o nossa instrução foi escrito, a fim de não repetirmos os mesmos erros:

1. Abraão, o pai da fé, foi subserviente à incredulidade de Sara e aceitou deitar-se com a serva egípcia Hagar;
2. Isaque, seu preferencialismo causou transtornos em sua família;
3. Jacó, pai das doze tribos de Israel, foi oportunista, aproveitou a necessidade do irmão, comprou a primogenitura, se disfarçou e roubou a bênção;
4. Moisés, o libertador, duvidou de Deus quando chamado para sua missão, impaciente bateu na rocha duas vezes e perdeu a entrada para Canaã;
5. O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, adulterou, mentiu, foi o mandante da morte de Urias;
6. Salomão, rei mais sábio e rico de seu tempo, foi engodado pelo poder, vangloriou-se, prostituiu-se com mulheres pagãs.

Parece inacreditável, mas todos estes foram instrumentos preciosos nas mãos de Deus. Não devido a seus erros, mas por causa do arrependimento que demonstraram. Eles não foram consumidos por um sentimento de autocomiseração nem ficaram indiferentes aos seus pecados, mas levantaram-se, limparam a lama e voltaram para os braços do Pai, como o filho pródigo da parábola narrada por Jesus (Lc. 15:11-32).

Não existe nada de bonito no pecado. Todavia, se depois da queda, o homem mostrar um espírito quebrantado, um coração compungido e contrito, Deus não o desprezará. Entenda como são preciosas e significativas estas atitudes inerentes ao arrependimento (Sl. 51:17):

Quebrantamento – Um sentimento de dor na alma, angústia. É sentir-se ferido por dentro, quebrado, despedaçado. Pode ser gerado por uma desgraça, situação de perda ou condição de erro. Em situações assim, ansiamos a consolação de Deus.

Coração compungido – Compungir-se é ter consciência do erro e sentir-se incomodado por ele, esfaqueado. É não se aquietar até corrigir-se (At. 2:37; 2 Co. 7:10).

Contrição – Aquela tristeza decorrente da transgressão. Ela deve vir acompanhada de um intenso desejo de mudança.

Todos nós estamos sujeitos ao lamaçal. Aquele que está em pé deve vigiar para não cair, pois nossos erros geram conseqüências sobre a vida de pessoas que amamos e ainda deixam cicatrizes em nossa alma. A situação piora quando não confessamos, escondemos e nos mantemos rebeldes. Um coração endurecido atrai a ira de Deus (Hb. 3:12-15). Quando errarmos, a melhor opção é o arrependimento.
Pr. Alex Gadelha

4 de março de 2008

Oração de um Incomodado


Senhor, estou inquieto. Meu coração angustiado ante o descaso ao teu Nome. Sinto-me aflito por ver o culto transformado em show e o senso de verdade substituído pelo emocionalismo. Estão afirmando o que o Senhor não disse. Prometem o que não prometeste. Exigem a obediência a mandamentos que não são teus. Utilizam-se da Tua Glória para promoverem a si mesmos. A honra está nos lábios, o coração está distante.
Sei que a tua glória não repartes com ninguém. Mesmo que sinta tentado, quero fugir dos holofotes e aplausos, porque sei que dons e habilidades foram dados para te exaltar e não para alimentar nossa vaidade. Como João Batista e tantos outros servos teus, quero que cresças e eu diminua. Quero ser discreto e não dependente de elogios. Quero esconder-me por trás da cruz, de maneira que percebam apenas o Crucificado.

Ó Senhor! Perdoa-nos, pois o ajuntamento solene carece de reverência, se esvai o perfume da adoração e uma fragrância humanista está impregnada na poesia. Estão vindo ao templo para serem notados, reconhecidos e até idolatrados. Não Lhes prestam atenção. Preferem os canhões e os jogos de luzes, ao invés de Sua invisível aprovação. Ofuscam-se com o brilho da fama e não enxergam a responsabilidade de iluminar o mundo com atitudes nobres e santas.

Nestes ajuntamentos, enquanto o teu Nome é supostamente enaltecido, alguns mostram um desinteresse descarado. Não consigo me concentrar, tenho dificuldades de louvar-te em ambientes assim. Não consigo acreditar naqueles que pregam com intrepidez e cantam com vozes de arcanjos, mas vivem como se o Senhor não existisse. Ajuda-me, porquanto meus olhos são seduzidos a observar a má postura dos que se afirmam filhos teus.

Estou atônito por ver teus servos, meus irmãos, facilmente seduzidos pelo canto da sereia. Os comerciantes da fé fazem-nos massa de consumidores, objetos de mercado. Vendem-se testemunhos, mercadejam tua Palavra, negociam bênçãos. Fazem de teu povo curral eleitoral, meio de enriquecimento ilícito. E o mais revoltante é que é em teu nome que fazem isso. Dá-nos coragem para virar as mesas e expulsar os vendilhões do templo.

Sei Senhor que a missão que nos foi dada é a de ir e pregar o Evangelho ao Mundo. Infelizmente, temos estado acomodados nos guetos dos templos e casas de eventos. Estreitados em nós mesmos. Não saímos do arraial nem alargamos a comunhão porque temos vergonha ou não sabemos o que dizer. O povo perece de estupidez. Cantam o que não entendem, pregam o que não saiu de tua boca, entregam o amém às sutilezas do engano, multiplicam-se heresias e heresias. Falta senso crítico, olhar clínico, discernimento espiritual.

Se continuarmos assim, aonde chegaremos Senhor? Assiste-nos no retorno às primeiras obras. Desvenda-nos para percebermos a própria ignorância e contemplarmos as maravilhas da tua Lei. Cura-nos do egocentrismo, livra-nos do analfabetismo bíblico, quebranta-nos e nos impele ao arrependimento.

Ó Deus de toda graça! Levanta e preserva dentre o seu povo um remanescente, que lhe preste o culto racional, que não esteja preso a tradições humanas, que salgue o mundo com a imitação de Cristo, que siga o seu modelo de evangelização, que goze de uma comunhão alicerçada no amor e que considere tua Palavra.

Pai, estou incomodado. Auxilia-me a reconhecer os meus erros e a despertar em teu povo o mesmo. Usa-me para inculcar o contentamento celestial ao invés da ambição terrena, a priorizar o serviço em lugar da diversão, que a humildade vença o narcisismo. Traze-nos de volta à sã consciência e amenize esse incômodo em meu coração.
Pr. Alex Gadelha

2 de março de 2008

Jesus, o Pão da Vida

João 6; Mt. 14:13-21; Mc. 6:30-44; Lc. 9:10-17
Eu Sou o Pão da Vida. Era comum na linguagem do Senhor, a utilização de metáforas para explicar verdades espirituais. Pão era referência de alimento, sustento, vida. Quando afirmou ser o Pão da Vida, reconheceu ser o sustento dos homens, aquilo que precisavam para viverem eternamente. Naquela ocasião, Jesus estava próximo do mar da Galiléia, onde uma grande multidão o seguia tomada por diversas motivações.

Alguns estavam ali por causa dos milagres: “Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos” (Jo. 6:2). “Que sinais fazes para que o vejamos e creiamos em ti?” (Jo. 6:30). Fascinados com o sobrenatural precisavam do “ver para crer”, por isso se tornavam vítimas frágeis de lobos em pele de ovelha. Ao contrário destes, o propósito de Jesus não era atrair popularidade. Por muitas vezes se isolou quando percebeu que as multidões eufóricas ignoravam sua missão. Ele curava as pessoas não somente para autenticar seu ministério, mas também porque sentia compaixão do povo. Eram atos de amor sem interesses egoístas, sem hipocrisia.

Outros estavam na sua cola porque queriam liberdade política: “... estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei.” (Jo. 6:15). Os israelitas estavam sob a opressão do Império Romano e não suportavam mais tal situação, por isso viram em Jesus alguém que poderia libertá-los. Queriam exaltá-lo como rei, mas ele deixou bem claro que o Seu Reino não era terreno, mas celeste (Jo. 18:36).

Existiam ainda aqueles que gostaram do sabor do pão e queriam novamente saciar a fome: “... vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (Jo. 6:26). A mensagem de Jesus é a de priorizar o Reino dos Céus (Mt. 6:33). Eles deveriam se esforçar “não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará” (Jo. 6:27).

Os próprios discípulos possuíam uma visão estreita sobre a Pessoa de Jesus. Mesmo tendo testemunhado curas, exorcismos e sinais sobre a natureza, ainda não perceberam que ali estava o próprio Deus. O Senhor usou o milagre dos pães para experimentá-los (vs. 6). Observe as reações de alguns discípulos ante ao “problema” posto pelo Mestre: “Onde compraremos pão para tanta gente?”

Felipe enfatizou a escassez de dinheiro: “Não lhes bastariam duzentos denários de pão para receber cada um o seu pedaço”. Não conseguiu enxergar que aquele que fizera a pergunta era o Doador da Vida.

André enfatizou a escassez de comida: “Está aí um rapaz que têm cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tanta gente?” (Jo. 6:9). Esqueceu o dia em que rompeu suas redes de peixes quando estava com seu irmão Pedro pescando no mar da Galiléia (Mt. 4:18). Tanta fartura porque obedeceu a ordem de lançar as redes.

“Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e a hora é já avançada. Despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si” (Mt. 14:15). Na narração dos evangelhos, os discípulos perceberam a necessidade do povo, mas se omitiram, enfatizando o deserto, a chegada da noite e a escassez de dinheiro. Sugeriram que o próprio povo (pobres, doentes e famintos, além de crianças, mulheres e anciãos) fosse comprar comida (Lc. 9:12, 13). Ainda aconselharam Jesus a que os despedisse para “irem aos campos e aldeias vizinhas, e comprarem para a si o que comer”. A visão era curtaa, a fé era pouca.

Após a multiplicação dos pães, Jesus foi para Cafarnaum e a multidão continuava a segui-lo ainda com o gosto de pão na boca. Queriam que Jesus fizesse um sinal para respaldarem a sua fé. Lembraram do maná do céu, aquele que foi dado aos pais como prova da Providência Divina. Mas o discurso de Jesus os surpreendeu, pois disse que o verdadeiro pão do céu era dado pelo seu Pai. Era um alimento que daria vida ao mundo. Ouvindo isso, logo pediram que o Senhor desse sempre do pão celeste, para que não sentissem mais fome. Jesus responde categoricamente: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (vs.35). À partir deste momento, Seu discurso foi adquirindo um conteúdo exigente que confrontava as motivações dos candidatos a seguidores. Ele descortinou os seus corações, dizendo-lhe que não criam porque não eram conduzidos pelo Pai, mas por interesses egoístas (Jo. 6:36-40).

A afirmação de Jesus ganhava ainda mais contundência devido ao contexto da Páscoa, onde o simbolismo do pão estava vívido em suas mentes. Os judeus ao ouvirem tal afirmação, murmuravam tenazmente, pois associavam a frase com a idéia de que Jesus estava se auto-definindo como um ser celeste, “o pão que desceu do céu” (vs.41). Questionavam como ele sendo filho de José poderia ter vindo do céu? Em sua resposta, o Mestre usou as profecias para mostrar que era o próprio Deus e ainda garantiu a vida eterna a todo que nEle cresse. Disse que o pão que daria vida ao mundo era a sua carne. Estava se referindo ao seu sacrifício redentor, mas os judeus ainda não compreendiam e se retorciam: Como pode este dar-nos de comer da própria carne? (vs. 52). Na réplica, Jesus acrescenta mais um elemento ao seu discurso: O sangue. “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tende vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (vs.53, 54). O consumo de sangue era algo extremamente proibido pela lei judaica, por isso as palavras de Jesus irritaram e também causaram náuseas. Logo, esqueceram do pão que comeram a poucos dias e disseram: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” (vs. 60). Não entenderam que comer a carne do filho e beber do seu sangue significava crer no sacrifício vicário que seria realizado na cruz do calvário e garantiria reconciliação com Deus.

Vendo a reação dos que o seguiam, Jesus então os apertou: “Que será, quando virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro veio? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós” (vs. 62- 64). Muitos dos seus supostos discípulos não suportaram o discurso e o abandonaram. Ele volta-se para os doze e indaga: “Quereis também vós outros retirar-vos?” (vs. 67). Com certeza, esta pergunta mexeu com todas convicções dos que a ouviram, inclusive Judas. Mas, Pedro tomou a frente e disse: “Para quem iremos? Só tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”. Após a exclamação, Jesus menciona a existência de um traidor entre eles. E assim conclui seu discurso em clima de mistério.

No início do episódio, Jesus estava entre uma multidão de “seguidores”, no final, apenas doze permaneceram. A verdade é que o pão se tornou amargo aos ouvidos daqueles que o seguiam movidos por outras intenções. Hoje, Jesus continua sendo o Pão para todo aquele que tem fome de vida eterna. A fome de quem resiste em crer será saciada com o genuíno alimento espiritual. Seitas e religiões têm oferecido petiscos que apenas engordam a alma dos que substituem o saudável pelo saboroso. Somente Cristo é o Pão da Vida e somente quem nele crer, pode dele experimentar.

Pr. Alex Gadelha

21 de fevereiro de 2008

Os Inimigos e os Amigos da Cruz


A cruz é um dos símbolos mais conhecidos do mundo. Antes, o seu significado estava restrito a cultura romana e trazia o sentido de humilhação para os criminosos que cometiam graves delitos. Para os judeus, a morte de forma trágica era entendida como um castigo ou maldição divina. Assim, quando um judeu era crucificado, era porque sobre ele existia uma maldição. E de fato, ao morrer na cruz do Calvário, Cristo se fez maldição. Não porque praticou algo digno de morte, mas porque tomou os nossos pecados. Como escreveu Isaías, “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” Is. 53:5. Também apóstolo Paulo afirmou que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (Gálatas 3:13). Cristo se fez maldição porque Deus fez "cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6). Ele carregou “em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados" (1 Pe 2.24).

A morte do Senhor na Cruz causou uma ressignificação da cruz. Ela passou de instrumento de tortura para símbolo de redenção. Mas a cruz só adquiriu esse significado devido ao Crucificado. Então, não é correto usar a cruz como amuleto, como objeto de proteção. O poder redentor não está nas traves cruzadas, mas no Cristo pregado nelas há mais de 2 mil anos. O que garante a segurança de vida eterna não é propriamente a cruz, mas a aceitação da mensagem do sacrifico único, irrepetível, propiciatório e vicário do Senhor Jesus Cristo. É essa mensagem que chamamos de Evangelho, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm. 1:16, 17).

A cruz não apenas trás a idéia de redenção, mas também de identificação com o Senhorio de Cristo. Quem quiser ser um discípulo do Mestre, precisa está sob seu Reinado e Domínio, pois, “foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos” (Romanos 14:9). O apóstolo ainda explica que quando decidimos seguir a Cristo, nosso eu deve ser crucificado junto a ele. O próprio Jesus deixou isso claro quando afirmou que aquele que quiser salvar a sua vida teria de perdê-la por sua causa (Lc. 9:24). Tomar a cruz significa morrer para si mesmo, como explica o apóstolo: “julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Co 5.14-15).

Ora, a exigência de renúncia não é agradável. A mensagem da cruz provoca escândalo, perseguição e desdém (1 Co. 1:17,18), por isso gera muitos inimigos. Inimigos que se escondem fora e entre as trincheiras da Igreja. Quando Paulo escreveu sua carta aos filipenses, o fez com lágrimas porque encontrou entre eles inimigos da cruz de Cristo. Esse desabafo do apóstolo serve-nos como advertência e gera discernimento na guerra contras as hostes do mal.

Mas QUEM SÃO OS INIMIGOS DA CRUZ?

No texto aos filipenses 3:17-4-:1, Paulo dá algumas pistas:

1ª PISTA. Os inimigos da cruz “andam entre nós” v. 18. Parece inacreditável, mas os inimigos da cruz estão também entre as paredes do templo. Lembre do que Jesus comunicou na parábola do Joio e do Trigo. O joio seria semeado pelo inimigo às escondidas e nasceria junto ao trigo (Mt. 13:24-30).

2ª PISTA. “O destino dos inimigos da cruz é a perdição” v. 19a. Eles não são crentes. Não adoram a Deus em espírito e em verdade. Honram com os lábios, mas o coração está distante. Estão condenados ao inferno vivendo em meio a pessoas salvas.

3ª PISTA.O deus deles é o ventre” v. 19b. Não servem ao Deus Vivo, mas a si mesmos. O ventre neste versículo é o equivalente ao ego. Procuram satisfazer a vontade da carne e não a de Deus.

4ª PISTA. “A glória deles está na sua infâmia” v. 19c. Infame é uma pessoa desacreditada, não merecedora de crédito devido às más ações. Alguns sentem prazer em se sentir a “ovelha negra” da Igreja. Esses tais se fazem inimigos de Deus (Tg.4:4).

5ª PISTA. “Só preocupam com as coisas terrenas” v. v. 19d. São materialistas, não priorizam o reino de Deus, vivem sem considerar o Juízo. Esquecem que a vida é uma peregrinação, uma passagem com oportunidades para semear frutos que serão colhidos na eternidade.
Os inimigos estão fora e dentro da Igreja. Graças, porém, a Deus pelos amigos da cruz. Aqueles que entendem o sacrifício de Cristo e amam a mensagem do Evangelho. Estes se comprometem em proclamá-la, pois sabem que através da fé no Redentor, outras pessoas, antes inimigas, podem desfrutar da amizade com Deus.

QUEM SÃO OS AMIGOS DE DEUS?
O texto nos dá duas características:

1. Aqueles que têm consciência de que o seu lugar é os Céus. “A nossa pátria está nos céus” v. 20.

2. Os que anseiam a vinda do Senhor nos ares: “de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo v.20.

Como diz a canção Amigo de Deus (de Carlinhos Félix):

“Não existe nada melhor do que ser amigo de Deus.
Caminhar seguro na luz, desfrutar do seu amor.
Ter a paz no coração, viver sempre em comunhão
E assim, perceber a grandeza do poder de Jesus, o bom pastor”.

O QUE DEUS TEM PARA OS SEUS AMIGOS?
A vida eterna. A transformação desse corpo corruptível na semelhança de sua glória. Paulo transmite com grande convicção a certeza da glorificação dos amigos da cruz. Ele diz que Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” v. 21.

Conscientes de tudo isso, nossa decisão deve ser a de aprofundar o relacionamento com o Deus Vivo. Amando a Jesus, obedecendo aos seus mandamentos, renunciando a vontades pessoais e proclamando a mensagem da cruz.

“Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor”. Fl. 4:1.
Pr. Alex Gadelha.

12 de fevereiro de 2008

Lições da Cachoeira

Martins é um município situado no Oeste Potiguar, à mais de 700 metros acima do nível do mar. A cidade é conhecida especialmente pela beleza dos vales serranos e por seu clima ameno. Lá habitam pouco mais de 8 mil pessoas, mas em feriados ou datas festivas o número cresce perceptivelmente. Cidade tranqüila, onde se caminha à noite com a mesma segurança do dia. O eco-turismo também é explorado, as digitais de Deus estão impressas abundantemente naquela região. Os pontos mais conhecidos são a Pedra do Sapo, os mirantes do Canto e da Carranca, a Casa de Pedra e as duas cachoeiras.

Martins é um pequeno paraíso onde durante quatro dias desfrutamos do frio e de suas belezas naturais. No retiro que passamos ali, não apenas descansamos das fadigas da “cidade grande”, mas também tivemos oportunidades de aprender sobre Deus e sobre nós mesmos.

Uma das lições reafirmadas foi a de que o que faz um ambiente agradável não são as paisagens, mas as pessoas. As paisagens com o decorrer do tempo perdem o encantamento, passam pelo processo de psicoadaptação, ao contrário das pessoas que nos mostram a surpreendente dinâmica dos relacionamentos. Diante de belas paisagens, não podemos esquecer que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Nós somos a obra-prima.

Mas a experiência mais marcante foi a caminhada até as cachoeiras. Depois de andar por um bom pedaço de chão, contemplamos e mergulhamos na primeira cachoeira. Ali oramos, cantamos e presenciamos o batismo de Daniel Veríssimo e de Flávia Maiara, ambos obedeceram ao mandamento do Mestre de descer às águas. E as emoções só estavam começando. Nosso intento era o de chegar à segunda queda d’água. Só que o ímpeto de chegar até lá causou alguns desconfortos e erros de estratégia que nos dividiram em quatro grupos.

O grupo mais apressado partiu gastando fôlego e esquecendo os que para trás ficaram. O resultado foi que erraram o caminho da esquerda e andaram uma distância três vezes maior que a necessária. Como tinham muito vigor, voltaram, se encontraram com o grupo a que pertenciam, mas logo a curiosidade fez com que o abandonasse segunda vez. No final, frustrados, não tiveram a visão do fio das águas que se estendia pelo lajedo.

O grupo que estava na cola dos apressados começou a cansar, faltou fôlego, pernas tremeram. Apesar do cansaço e desorientação, ainda tiveram motivação para rir, questionar limites, superar medos, confessar erros e expressar preocupação com a segurança dos outros. E mesmo em meio à mata e ao suor, existia um sentimento de que tudo iria terminar bem.

O primeiro grupo a desistir foi prudente. Quando sentiram o desgaste do corpo perceberam a hora de voltar e nos ensinaram como é importante reconhecer os próprios limites e não ter vergonha de voltar ao lugar seguro. “Os planos mediante os conselhos têm bom êxito; faze a guerra com prudência” dizia o sábio Salomão.

Mas ninguém chegou à segunda cachoeira? Entre pedras e muito suor, um grupo alcançou o seu objetivo. É bem verdade que alguns passaram mal, mas o fato de continuarem juntos favoreceu a conquista das águas. A tensão e o esgotamento físico também chegaram lá. Vômitos, oscilações de pressão, tonturas, câimbras e estresse fizeram parte do feito. Em meio a tudo isso, alguns apontaram culpados, outros sorriram e ainda outros choraram, todos chegaram. Situações assim revelam como somos diferentes e como reagimos de diferentes maneiras.

As experiências foram didáticas. Uma delas serviu para ensinar que a comunhão deve ser cultivada independente das circunstâncias. Outra nos chamou a atenção para a necessária prudência diante de um desafio desconhecido. Mas a melhor delas foi a consciência de que Deus está conosco em todas as circunstâncias.

Pr. Alex Gadelha

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