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25 de março de 2008

O Espírito Excelente de Daniel


“Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino”. Dn. 6:3.

Fico maravilhado todas as vezes que estudo a pessoa de Daniel. Enquanto meditava na sua biografia, chamou-me a atenção algumas expressões referentes ao seu caráter. Dentre elas duas se destacaram:

- Os súditos do rei reconheceram nele um homem de “espírito excelente” (5:12).
- Ele foi chamado pelo anjo Gabriel de “homem mui amado” (9:20-23).

Daniel conquistou a admiração dos três reis babilônios para quem trabalhou, de toda a corte e do próprio império onde governou. Se isso não bastasse, ainda atraiu o coração do próprio Deus.
Mas o que Daniel tinha que o fazia distinto? A expressão espírito excelente pode explicar. A palavra excelência deriva-se do latim exellentia, e refere-se a algo ou alguém de qualidade superior, de grandeza, elevação. Quais virtudes faziam de Daniel uma pessoa assim?

1. Inteligência: Daniel recebeu de Deus além da capacidade de decifrar sonhos e visões proféticas, o dom da percepção clara e fácil. Era alguém que tinha habilidade em lidar honestamente com circunstâncias desfavoráveis. Engenhoso e eficaz em tudo o que fazia, conquistou a fama que atribuía a Deus (Dn. 1:20, 2:20, 21; 5:12, 14).

2. Sabedoria. Ele não só possuía extensos conhecimentos, também se portava de maneira ética, guiado pela lei do seu Deus. Tanto que conquistou a afeição dos reis Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro. O seu comportamento ilustra a sabedoria do alto descrita em Tiago 3:13, 17: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras”. “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”.

3. Prudência (Dn. 2:14). A postura de Daniel reflete a atitude que Jesus pediu para que seus discípulos desenvolvessem: “ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes” (Mt. 10:16). Sua simplicidade e prudência fizeram com que gozasse o favor do rei (Pv. 14:35).

4. Humildade: “... não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes” (2:30). A humildade era uma marca deste jovem. Quando interpretou o complexo sonho de Nabucodonosor, não se portou de maneira altiva, mas deixou claro que Deus queria deixar consciente ao rei as cogitações que inquietavam a sua mente. Daniel seria um bom discípulo de Jesus, pois assim como Ele demonstrava-se manso e humilde de coração (Mt. 11:29).

5. Reverência/temor (Dn. 10:11). Daniel tinha um zelo por Deus extraordinário. Ao receber
suas últimas revelações tremeu diante da presença de um anjo enviado pelo Senhor. O anjo o consolou e o fortaleceu, porque sabia que ali estava um homem a quem Deus amava. “... mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Is. 66:2).

Ainda poderíamos falar sobre os bons conselhos de Daniel (4:27), sua incorruptibilidade (5:16, 17), seu perfil de servo do Senhor (6:20), seu espírito investigativo (8:15; 9:2), sua vida consagrada (9:3).

Daniel, homem, profeta, exemplo de servo de Deus. Quero imitá-lo.

Pr. Alex Gadelha

18 de março de 2008

“Deixando as coisas de menino...”


O apóstolo Paulo, homem inteligente e inspirado, usou a metáfora do desenvolvimento biológico e psíquico para exortar aos crentes de Corinto sobre a necessidade de crescerem espiritualmente. Logo no terceiro capítulo de sua primeira carta aos coríntios considerou-os crianças na fé, pois não tinham desenvolvido a salvação, estagnaram-se em práticas infantis. Eram ciumentos e contenciosos, usavam os dons como forma de auto-promoção, lutavam por posições, havia queixas, discussões sobre alimentos, irresponsabilidade moral, espírito vingativo, precipitação e egoísmo.

No capítulo 13 da mesma carta, o apóstolo indica o caminho da maturidade. Em versos poéticos descreve tanto a importância como os frutos do amor. Na definição do amor cita uma lista virtudes: paciência, benignidade, confiança, humildade, bom senso, generosidade, mansidão, perdão, justiça, verdade, firmeza e eternidade.

Amar como Jesus amou é o foco da maturidade cristã.
Tomando o processo de amadurecimento natural, a transição da infância à fase adulta, Paulo incita os crentes à reflexão sobre o crescimento que devem adquirir à medida do tempo. Da mesma forma que a criança ao longo da vida cresce e deixa suas práticas infantis, assim também deve o crente crescer espiritualmente e abandonar atitudes que refletem imaturidade. Ele explica que quando era menino se comportava como menino, mas quando atingiu a maioridade, desistiu de agir como menino, agora deveria falar, sentir e pensar como homem.

Estas três faculdades destacadas podem nos orientar quanto ao processo de amadurecimento pessoal-espiritual que devemos viver:

“Falava como menino...” – As palavras de uma criança de modo geral são precipitadas e sem conteúdo. O assunto em um círculo de uma creche não é muito agradável aos adultos, muitas vezes é maçante e cansativo. As crianças falam de maneira repetitiva e atribuem demasiada importância a temas triviais.

“Sentia como menino...” – Crianças são susceptíveis, se magoam com facilidade, seus sentimentos dominam suas ações. Quando contrariadas, se comportam com intolerância. Raramente aceitam o “não” como resposta, ficam zangadas ou condoendo-se por dentro. São vingativas, revidam à agressividade através do choro, gritos, tapas etc. Nesta fase existe uma ausência de domínio próprio acentuada. Agem motivadas pelas paixões.

“Pensava como menino...” – Os primeiros anos de nossa existência são caracterizados pela assimilação de informações que vão garantir a sobrevivência e formação de nosso caráter. É neste período que idéias, crenças e valores são absorvidos pela nossa mente, por isso, não são estranhos em uma criança pensamentos superficiais e ingênuos sobre si mesmo, as pessoas e o mundo. No entanto, na fase adulta exige-se pensamentos que demonstrem experiência e conteúdo. Tratando-se de vida espiritual, espera-se que o cristão desenvolva pensamentos virtuosos, centrados nas coisas do alto e não daqui da terra (Fl. 4:8; Cl. 3:2). Deus nos chama à transformação a partir da renovação de nossas mentes (Rm. 12:2), como também ao cultivo da mente de Cristo em nosso cotidiano (1ª Co. 2:16, Fl. 4:8).

“Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Ao atingir a varonilidade, o homem fala, sente e pensa de forma consciente, sólida e adulta. A tolice infantil é substituída pela consistência argumentativa; em lugar de precipitações, reina o domínio próprio; a verborragia cede espaço à palavras de conteúdo e edificação; o orgulho é vencido pela humildade.

Enquanto se é menino, a sociedade tolera as coisas de menino, mas um adulto-infantil não é encarado com bons olhos. Homens se comportando como crianças causam desconforto e intolerância.

Mas, para alguns, continuar “menino” traz supostos benefícios. Como ausência de responsabilidades, satisfação de caprichos, cuidados especiais, proteção paterna etc. “Deixar” ou “desistir” das coisas de menino envolve disposição para se desatrelar das comodidades da infância. “Crescer dói”, por isso poucos se esforçam em buscar a formação de um caráter sério e maduro. As pessoas têm medo de mudanças, principalmente daquelas que exigem a saída do oásis do lar para as escaldantes areias do mundo. O resultado de tal postura gera homens e mulheres desequilibrados, inoperantes e covardes.

Paulo portava-se como um adulto na fé e desafiava os crentes coríntios a fazerem o mesmo. A Igreja e o mundo hoje precisam de “homens” que decidam resolutamente abandonar as coisas de menino e manifestarem em ações conscientes e corretas aquilo que Deus aprova.

Que Deus desenvolva em nós, seus filhos, um caráter santo, sábio e maduro!

Pr. Alex Gadelha

15 de março de 2008

Crê e serás Salvo, Tu e a Tua Casa


Quando penso em um testemunho vivo à família, lembro do carcereiro de Filipos. Foi ele o responsável por guardar Paulo e Silas quando estes foram presos por libertarem uma “jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores”.

Enquanto o carcereiro cochilava, pôde ouvir as orações e louvores que os apóstolos cantavam por volta da meia noite. E os demais companheiros de prisão também os escutavam. Foi uma noite diferente, pareceu ser mais longa, mais alegre, mais esperançosa. À meia-noite aconteceu que a terra tremeu, abalaram-se os alicerces da prisão, as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos. O guarda despertou em desespero ao ver os cárceres vazios. Logo puxou a sua espada e quis suicidar-se. Quis antecipar aquilo que os seus superiores iriam fazer. A morte o esperava. Mas naquele momento a graça de Jesus o alcançou e através de Paulo, concedeu a luz àquele aflito. Trêmulo e prostrado diante dos apóstolos. ele fez uma pergunta crucial para toda humanidade: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?”. A resposta foi simples, verdadeira e com promessa: “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

É nesta resposta que devemos fixar o coração. É importante reconhecer quando interpretado de forma matemática e isolado de seu contexto, o versículo se torna uma fórmula mágica para conversão de nossos familiares. Como se a fé pessoal fosse suficiente para salvar toda a família. Não é isto que a Bíblia está dizendo. Aprendemos desde cedo de que a salvação é algo de responsabilidade individual, cada um dará contas de si mesmo a Deus (Rm. 14:12).

Para compreendermos melhor a expressão “tu e a tua casa” devemos observar a experiência de conversão do carcereiro e suas ações após ela:

- Antes de qualquer coisa, ele teve uma experiência marcante de salvação. Sua vida foi poupada do fio da espada. Assim, como muitos de nós fomos resgatados dos poderes do mundo, das trevas da religiosidade e das amarras do diabo.

- Sua família foi logo abençoada porque ouviu a mensagem de salvação proclamada pelos apóstolos: “E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa”. Sem pregação não existe possibilidade de sua família ser salva. Como crerão se não ouvirem? Eis a sua parte: falar de Jesus para os seus.

- Expressou seu arrependimento ao cuidar dos ferimentos dos apóstolos. Naquela mesma noite, lavou-lhe os vergões dos açoites, transferiu-os do calabouço para sua casa e serviu-os à mesa.
- Ele mostrou convicção de sua escolha e logo foi batizado. Não demorou, não titubeou nem vacilou, pois compreendeu a simplicidade do evangelho e creu no senhorio de Jesus Cristo. Naquela noite todos os seus desceram às águas (v. 33).

- Ele se alegrou com todos os seus por terem crido em Deus (v. 34).
Percebam que para que o carcereiro tivesse toda sua família salva, ele teve de fazer com que os seus ouvissem as palavras de salvação. E nós devemos ter o mesmo zelo pela situação espiritual dos nossos. O mesmo Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. 1ª Tm. 5:8.

Deus quer salvar toda a sua família. Para isso, pregue e viva o evangelho de forma viva, persuasiva e amorosa.
Pr. Alex Gadelha

9 de março de 2008

Se Cair Não Desista


A idéia de um super-homem santo não é coerente com a espiritualidade ensinada por Cristo. Fico assombrado com os “profetas” da mídia quando os vejo determinando a hora, o tipo e o lugar da bênção. Vestidos com a máscara da consagração, ousam impor o seu querer sobre a vontade de Deus. Não aceitam problemas e logo “decretam a vitória” por meio de um jargão mágico pronunciado com convicção. Usam versículos fora do contexto para estribar suas heresias e mostrar aos fiéis que Deus os pôs “por cabeça e não por cauda”, para está “em cima e não debaixo”.

O problema é que quando tais “profetas” caem, quando não conseguem tomar posse daquilo que afirmam ser deles, inventam desculpas ridículas ou distorcem o que tinham dito. Por transmitir a imagem de impecáveis, levam à decepção muitas pessoas sinceras que imprudentemente se espelharam neles.

A prepotência nunca foi um caminho para se aproximar de Deus. Se olharmos para grandes homens de Deus, iremos perceber que eram pessoas simples, sujeitas aos mesmos sentimentos e fraquezas que todo homem possui. E confortante é saber que o registro de seus tropeços está na Bíblia para nosso ensino e advertência. Tudo o que foi escrito, para o nossa instrução foi escrito, a fim de não repetirmos os mesmos erros:

1. Abraão, o pai da fé, foi subserviente à incredulidade de Sara e aceitou deitar-se com a serva egípcia Hagar;
2. Isaque, seu preferencialismo causou transtornos em sua família;
3. Jacó, pai das doze tribos de Israel, foi oportunista, aproveitou a necessidade do irmão, comprou a primogenitura, se disfarçou e roubou a bênção;
4. Moisés, o libertador, duvidou de Deus quando chamado para sua missão, impaciente bateu na rocha duas vezes e perdeu a entrada para Canaã;
5. O rei Davi, homem segundo o coração de Deus, adulterou, mentiu, foi o mandante da morte de Urias;
6. Salomão, rei mais sábio e rico de seu tempo, foi engodado pelo poder, vangloriou-se, prostituiu-se com mulheres pagãs.

Parece inacreditável, mas todos estes foram instrumentos preciosos nas mãos de Deus. Não devido a seus erros, mas por causa do arrependimento que demonstraram. Eles não foram consumidos por um sentimento de autocomiseração nem ficaram indiferentes aos seus pecados, mas levantaram-se, limparam a lama e voltaram para os braços do Pai, como o filho pródigo da parábola narrada por Jesus (Lc. 15:11-32).

Não existe nada de bonito no pecado. Todavia, se depois da queda, o homem mostrar um espírito quebrantado, um coração compungido e contrito, Deus não o desprezará. Entenda como são preciosas e significativas estas atitudes inerentes ao arrependimento (Sl. 51:17):

Quebrantamento – Um sentimento de dor na alma, angústia. É sentir-se ferido por dentro, quebrado, despedaçado. Pode ser gerado por uma desgraça, situação de perda ou condição de erro. Em situações assim, ansiamos a consolação de Deus.

Coração compungido – Compungir-se é ter consciência do erro e sentir-se incomodado por ele, esfaqueado. É não se aquietar até corrigir-se (At. 2:37; 2 Co. 7:10).

Contrição – Aquela tristeza decorrente da transgressão. Ela deve vir acompanhada de um intenso desejo de mudança.

Todos nós estamos sujeitos ao lamaçal. Aquele que está em pé deve vigiar para não cair, pois nossos erros geram conseqüências sobre a vida de pessoas que amamos e ainda deixam cicatrizes em nossa alma. A situação piora quando não confessamos, escondemos e nos mantemos rebeldes. Um coração endurecido atrai a ira de Deus (Hb. 3:12-15). Quando errarmos, a melhor opção é o arrependimento.
Pr. Alex Gadelha

4 de março de 2008

Oração de um Incomodado


Senhor, estou inquieto. Meu coração angustiado ante o descaso ao teu Nome. Sinto-me aflito por ver o culto transformado em show e o senso de verdade substituído pelo emocionalismo. Estão afirmando o que o Senhor não disse. Prometem o que não prometeste. Exigem a obediência a mandamentos que não são teus. Utilizam-se da Tua Glória para promoverem a si mesmos. A honra está nos lábios, o coração está distante.
Sei que a tua glória não repartes com ninguém. Mesmo que sinta tentado, quero fugir dos holofotes e aplausos, porque sei que dons e habilidades foram dados para te exaltar e não para alimentar nossa vaidade. Como João Batista e tantos outros servos teus, quero que cresças e eu diminua. Quero ser discreto e não dependente de elogios. Quero esconder-me por trás da cruz, de maneira que percebam apenas o Crucificado.

Ó Senhor! Perdoa-nos, pois o ajuntamento solene carece de reverência, se esvai o perfume da adoração e uma fragrância humanista está impregnada na poesia. Estão vindo ao templo para serem notados, reconhecidos e até idolatrados. Não Lhes prestam atenção. Preferem os canhões e os jogos de luzes, ao invés de Sua invisível aprovação. Ofuscam-se com o brilho da fama e não enxergam a responsabilidade de iluminar o mundo com atitudes nobres e santas.

Nestes ajuntamentos, enquanto o teu Nome é supostamente enaltecido, alguns mostram um desinteresse descarado. Não consigo me concentrar, tenho dificuldades de louvar-te em ambientes assim. Não consigo acreditar naqueles que pregam com intrepidez e cantam com vozes de arcanjos, mas vivem como se o Senhor não existisse. Ajuda-me, porquanto meus olhos são seduzidos a observar a má postura dos que se afirmam filhos teus.

Estou atônito por ver teus servos, meus irmãos, facilmente seduzidos pelo canto da sereia. Os comerciantes da fé fazem-nos massa de consumidores, objetos de mercado. Vendem-se testemunhos, mercadejam tua Palavra, negociam bênçãos. Fazem de teu povo curral eleitoral, meio de enriquecimento ilícito. E o mais revoltante é que é em teu nome que fazem isso. Dá-nos coragem para virar as mesas e expulsar os vendilhões do templo.

Sei Senhor que a missão que nos foi dada é a de ir e pregar o Evangelho ao Mundo. Infelizmente, temos estado acomodados nos guetos dos templos e casas de eventos. Estreitados em nós mesmos. Não saímos do arraial nem alargamos a comunhão porque temos vergonha ou não sabemos o que dizer. O povo perece de estupidez. Cantam o que não entendem, pregam o que não saiu de tua boca, entregam o amém às sutilezas do engano, multiplicam-se heresias e heresias. Falta senso crítico, olhar clínico, discernimento espiritual.

Se continuarmos assim, aonde chegaremos Senhor? Assiste-nos no retorno às primeiras obras. Desvenda-nos para percebermos a própria ignorância e contemplarmos as maravilhas da tua Lei. Cura-nos do egocentrismo, livra-nos do analfabetismo bíblico, quebranta-nos e nos impele ao arrependimento.

Ó Deus de toda graça! Levanta e preserva dentre o seu povo um remanescente, que lhe preste o culto racional, que não esteja preso a tradições humanas, que salgue o mundo com a imitação de Cristo, que siga o seu modelo de evangelização, que goze de uma comunhão alicerçada no amor e que considere tua Palavra.

Pai, estou incomodado. Auxilia-me a reconhecer os meus erros e a despertar em teu povo o mesmo. Usa-me para inculcar o contentamento celestial ao invés da ambição terrena, a priorizar o serviço em lugar da diversão, que a humildade vença o narcisismo. Traze-nos de volta à sã consciência e amenize esse incômodo em meu coração.
Pr. Alex Gadelha

2 de março de 2008

Jesus, o Pão da Vida

João 6; Mt. 14:13-21; Mc. 6:30-44; Lc. 9:10-17
Eu Sou o Pão da Vida. Era comum na linguagem do Senhor, a utilização de metáforas para explicar verdades espirituais. Pão era referência de alimento, sustento, vida. Quando afirmou ser o Pão da Vida, reconheceu ser o sustento dos homens, aquilo que precisavam para viverem eternamente. Naquela ocasião, Jesus estava próximo do mar da Galiléia, onde uma grande multidão o seguia tomada por diversas motivações.

Alguns estavam ali por causa dos milagres: “Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos” (Jo. 6:2). “Que sinais fazes para que o vejamos e creiamos em ti?” (Jo. 6:30). Fascinados com o sobrenatural precisavam do “ver para crer”, por isso se tornavam vítimas frágeis de lobos em pele de ovelha. Ao contrário destes, o propósito de Jesus não era atrair popularidade. Por muitas vezes se isolou quando percebeu que as multidões eufóricas ignoravam sua missão. Ele curava as pessoas não somente para autenticar seu ministério, mas também porque sentia compaixão do povo. Eram atos de amor sem interesses egoístas, sem hipocrisia.

Outros estavam na sua cola porque queriam liberdade política: “... estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei.” (Jo. 6:15). Os israelitas estavam sob a opressão do Império Romano e não suportavam mais tal situação, por isso viram em Jesus alguém que poderia libertá-los. Queriam exaltá-lo como rei, mas ele deixou bem claro que o Seu Reino não era terreno, mas celeste (Jo. 18:36).

Existiam ainda aqueles que gostaram do sabor do pão e queriam novamente saciar a fome: “... vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (Jo. 6:26). A mensagem de Jesus é a de priorizar o Reino dos Céus (Mt. 6:33). Eles deveriam se esforçar “não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará” (Jo. 6:27).

Os próprios discípulos possuíam uma visão estreita sobre a Pessoa de Jesus. Mesmo tendo testemunhado curas, exorcismos e sinais sobre a natureza, ainda não perceberam que ali estava o próprio Deus. O Senhor usou o milagre dos pães para experimentá-los (vs. 6). Observe as reações de alguns discípulos ante ao “problema” posto pelo Mestre: “Onde compraremos pão para tanta gente?”

Felipe enfatizou a escassez de dinheiro: “Não lhes bastariam duzentos denários de pão para receber cada um o seu pedaço”. Não conseguiu enxergar que aquele que fizera a pergunta era o Doador da Vida.

André enfatizou a escassez de comida: “Está aí um rapaz que têm cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tanta gente?” (Jo. 6:9). Esqueceu o dia em que rompeu suas redes de peixes quando estava com seu irmão Pedro pescando no mar da Galiléia (Mt. 4:18). Tanta fartura porque obedeceu a ordem de lançar as redes.

“Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e a hora é já avançada. Despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si” (Mt. 14:15). Na narração dos evangelhos, os discípulos perceberam a necessidade do povo, mas se omitiram, enfatizando o deserto, a chegada da noite e a escassez de dinheiro. Sugeriram que o próprio povo (pobres, doentes e famintos, além de crianças, mulheres e anciãos) fosse comprar comida (Lc. 9:12, 13). Ainda aconselharam Jesus a que os despedisse para “irem aos campos e aldeias vizinhas, e comprarem para a si o que comer”. A visão era curtaa, a fé era pouca.

Após a multiplicação dos pães, Jesus foi para Cafarnaum e a multidão continuava a segui-lo ainda com o gosto de pão na boca. Queriam que Jesus fizesse um sinal para respaldarem a sua fé. Lembraram do maná do céu, aquele que foi dado aos pais como prova da Providência Divina. Mas o discurso de Jesus os surpreendeu, pois disse que o verdadeiro pão do céu era dado pelo seu Pai. Era um alimento que daria vida ao mundo. Ouvindo isso, logo pediram que o Senhor desse sempre do pão celeste, para que não sentissem mais fome. Jesus responde categoricamente: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (vs.35). À partir deste momento, Seu discurso foi adquirindo um conteúdo exigente que confrontava as motivações dos candidatos a seguidores. Ele descortinou os seus corações, dizendo-lhe que não criam porque não eram conduzidos pelo Pai, mas por interesses egoístas (Jo. 6:36-40).

A afirmação de Jesus ganhava ainda mais contundência devido ao contexto da Páscoa, onde o simbolismo do pão estava vívido em suas mentes. Os judeus ao ouvirem tal afirmação, murmuravam tenazmente, pois associavam a frase com a idéia de que Jesus estava se auto-definindo como um ser celeste, “o pão que desceu do céu” (vs.41). Questionavam como ele sendo filho de José poderia ter vindo do céu? Em sua resposta, o Mestre usou as profecias para mostrar que era o próprio Deus e ainda garantiu a vida eterna a todo que nEle cresse. Disse que o pão que daria vida ao mundo era a sua carne. Estava se referindo ao seu sacrifício redentor, mas os judeus ainda não compreendiam e se retorciam: Como pode este dar-nos de comer da própria carne? (vs. 52). Na réplica, Jesus acrescenta mais um elemento ao seu discurso: O sangue. “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tende vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (vs.53, 54). O consumo de sangue era algo extremamente proibido pela lei judaica, por isso as palavras de Jesus irritaram e também causaram náuseas. Logo, esqueceram do pão que comeram a poucos dias e disseram: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” (vs. 60). Não entenderam que comer a carne do filho e beber do seu sangue significava crer no sacrifício vicário que seria realizado na cruz do calvário e garantiria reconciliação com Deus.

Vendo a reação dos que o seguiam, Jesus então os apertou: “Que será, quando virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro veio? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós” (vs. 62- 64). Muitos dos seus supostos discípulos não suportaram o discurso e o abandonaram. Ele volta-se para os doze e indaga: “Quereis também vós outros retirar-vos?” (vs. 67). Com certeza, esta pergunta mexeu com todas convicções dos que a ouviram, inclusive Judas. Mas, Pedro tomou a frente e disse: “Para quem iremos? Só tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus”. Após a exclamação, Jesus menciona a existência de um traidor entre eles. E assim conclui seu discurso em clima de mistério.

No início do episódio, Jesus estava entre uma multidão de “seguidores”, no final, apenas doze permaneceram. A verdade é que o pão se tornou amargo aos ouvidos daqueles que o seguiam movidos por outras intenções. Hoje, Jesus continua sendo o Pão para todo aquele que tem fome de vida eterna. A fome de quem resiste em crer será saciada com o genuíno alimento espiritual. Seitas e religiões têm oferecido petiscos que apenas engordam a alma dos que substituem o saudável pelo saboroso. Somente Cristo é o Pão da Vida e somente quem nele crer, pode dele experimentar.

Pr. Alex Gadelha

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