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31 de dezembro de 2012

Rupturas e Novas Perspectivas


           

Romper é abrir caminhos. Exige coragem, paciência, discernimento, perseverança. Esperar que o tempo abra fendas para que as barreiras desabem por si só pode resultar no efeito contrário, o de concretar ainda mais os muros existenciais que fixam as coisas como estão. É quando a força do hábito que beneficia com a necessária disciplina à vida escraviza pelo “conforto” de um miserável status quo. Pessoas se acostumam a coisas ruins. Por quê? Algumas são covardes, outras são desonestas e ainda existem as que não possuem perspectivas. Perspectiva é o olhar espichado para frente. Uma visão distante, mas alcançável. Capaz de mover os passos rumo a um caminho melhor. O melhor depende da visão de mundo. Para quem busca olhar conforme as lentes de Jesus, o melhor é a vontade de Deus, boa, perfeita, agradável (Rm. 12:1 e 2).

Na carta escrita aos filipenses Paulo narra como rompeu com o seu passado para criar uma nova e excelente perspectiva: “... mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Fp. 3:13-14). Para conquistar um conhecimento sublime o apóstolo rompeu com os privilégios políticos e religiosos que gozava como cidadão romano e fariseu. Abdicou das regalias para assumir o propósito de “ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça que vem da lei, mas a que vem da fé em Cristo”. (Fp. 3:8,9). A compreensão de Paulo era de que a glória humana era inferior ao favor Divino. Essa verdade inarrancável de seu coração lhe custou a vida. Não é de surpreender, pois estava pronto para sofrer e até morrer pelo nome de Jesus (At. 21:14). Como dizia Martin Luther King: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”.

Ao longo da vida permitimos a construção de diques que impedem o fluir da esperança e o amadurecimento. De modo voluntário ou muitas vezes involuntário nos condicionamos a hábitos, situações, afetos e pensamentos que rapinam o amor próprio. Autorizamos pessoas a construírem muros de contenção à nossa liberdade. A tomada de consciência do que outros fizeram com e sobre nós não deve negar a segurança e as aprendizagens que nos proporcionaram, mas exige pensarmos os condicionamentos sofridos e permitidos. Assim estaremos aptos para selecionar o que é bom e depois deitar fora tantas bugigangas que ocupam a mente e acumulam no coração o pó de sentimentos escravizadores. Essa limpeza acontece através de decisões temperadas que vislumbram boas consequências e novas possibilidades. Possibilidades nascem da reflexão sobre futuras ações. Serão bem sucedidas se dirigidas pela mentalidade do Espírito de Deus (Rm. 8:6); vividas em oração submissa ao Senhor; seguindo o conselho de amigos que conquistaram o direito de serem ouvidos; e no exame cuidadoso e contextualizado da história de homens e mulheres que amaram a Deus e provocaram rupturas nos sistemas internos e externos repressores de suas almas. A Bíblia está repleta com narrativas de e sobre pessoas assim.

Sem a direção do Senhor acabamos alimentando o olhar superficial da carne, fragilizando o espírito e nos tornando presa fácil daquele que penetra o aguilhão do pecado nos olhos incrédulos, cuja intenção é evitar o resplandecer da luz da glória do Evangelho de Cristo (2ª Co. 4:4). Olhar a vida de fora para dentro resultará em escolhas egocêntricas e mal consequentes. Quando a perspectiva é do Alto, então se pode perceber que não é o casamento que precisa ser destruído, mas os preconceitos e falsas expectativas sobre ele; que às vezes o problema não é o emprego nem o salário, mas o valor excessivo que lhes são dados; que não existem famílias perfeitas, mas seguras; que a religião pode ser superada pela entrega do ser ao Autor e Consumador da fé (Hb. 12:1, 2); que a qualidade das relações depende da qualidade dos corações.

Jesus é o fundamento inabalável e irremovível que permite a dinâmica de rupturas e perspectivas que sustentam e nutrem a fé de um discípulo. Ele é quem nos dá a liberdade para restaurar paredes, pintar janelas e construir cômodos no ser. Tudo para acolher ao próximo dentro e fora de nós. É isso que importa. É assim que se anda em novidade de vida. Experimentando transformações internas materializadas no amor a quem está espiritualmente longe e que precisa ser feito próximo. Só vale a pena romper com as perspectivas opacas que nos cegam e escravizam, se as mudanças desejadas em nós agradem a Deus e alcancem a vida dos outros.

Pr. Alex Gadelha

7 de outubro de 2012

A Vida com Deus


Introdução

     “Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou” (Gn. 1:27). Crer no Criador ajuda a esclarecer as muitas questões existenciais da vida humana, inclusive aquelas que dizem respeito à nossa própria humanidade. A necessidade de entender a si mesmos suscita perguntas que impelem os homens a buscarem a origem, o sentido, a explicação da vida. Ora, acreditar que o homem é fruto de uma evolução bacteriana ou uma continuidade primata rebaixa-o à condição de um ser irracional, uma besta. No relato do Gênesis e em toda a Bíblia não encontramos o homem classificado como um animal, mas, pelo contrário, recebendo o poder de dominá-los, um ser singular em seus atributos. Somos comparados e servidos por anjos (Hb. 1:14); a coroa da Criação (Sl. 8:5); os últimos seres criados, os primeiros e únicos a terem consciência. O planeta e tudo o que nele há foi arquitetado para ser nossa Oikos (casa a ser administrada). O corpo, a alma e o espírito possibilitam-nos a criatividade, a memória, a inteligência, a consciência e tantas outras faculdades que nos permitem experimentar cores, sons, gostos, odores, sensações e ainda a capacidade de refletir sobre a vida. 

     O tempo, o prazer, o trabalho, a política, a cultura, o conhecimento, a morte e tantas outras dimensões são pensadas e experimentadas a medida da compreensão e de escolhas pessoais. O modo como as administramos produz resultados que alimentam a alma, adoecem-na ou a destroem. E neste tempo e espaço que habitamos é o posicionamento em relação a Deus que determina a qualidade da existência, bem como será o critério para o julgamento, para a eternidade com ou sem Deus.

      Se os alicerces de nossos raciocínios, sentimentos e ações são frágeis, o edifício vital racha, goteja, afunda, desaba. Fundamentar-se em Deus, vivê-lo no dia a dia trará segurança para aquele que nEle crê e ainda transbordará para a alma mais próxima. E o que significa estar em Deus? Permanecer em Deus significa deter-se em amar, transbordar em amor. “Deus é amor: aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele.” (1ª João 4:16). “Aquele não ama, não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1ª Jo. 4:8). 

      Como o Único exemplo em excelência de amor na e à humanidade, Jesus foi um homem de seu tempo, ao mesmo tempo em que viveu fora dele. Ele não negou as dimensões política, cultural e religiosa da vida, mas exortou os seus discípulos a viverem-nas de modo diferente: Eles deveriam pagar impostos, mas separando o Reino de Deus do Império de César (Mt 22.17-21); Obedecer a Lei de Moisés, mas não se coadunar com as práticas dos que assentavam-se em sua cadeira (Mt. 23:1 a 3); Quando rompeu com práticas culturais explicou-lhes o porquê (Mt. 15:11; Jo. 13:14). Ainda ensinou sobre o casamento, sobre o saber, sobre a tradição, o trabalho, a infância, a morte. Em todos os seus ensinos o ingrediente do amor estava presente. Desde a justiça na purificação do templo (Jo. 2:13-16) à misericórdia no perdão a mulher flagrada em adultério (Jo. 8).

     Desde a Criação o mundo girou milhares de vezes, mas o homem continua o mesmo. Em sua essência continua pecador, transgressor da lei divina, inventor de males e distante da Vontade de Deus. A esperança que nos acaricia é a de que os princípios para a vida eterna continuam vivos; o amor de Deus em Jesus ainda viceja. Crer, receber e viver esse amor fará toda diferença nos caminhos, estações e dimensões da vida.  

Pr. Alex Gadelha

2 de outubro de 2012

Sete astúcias para ser eleito no Brasil



1º. É preciso dinheiro. Muito dinheiro. Se não tiver, vai ter que tomar “emprestado” com empresários, instituições ou políticos “experientes”, bons de “poupança”. Depois é só pagar com o suor público, senão com favores, terrenos, bens, medicina ou cargos comissionados.

2º. É preciso fazer promessas a grupos e pessoas de lugares específicos. “Uma mão lava a outra”. Para ter a rua pavimentada, uma praça bonita, campo de futebol no bairro, quem sabe um posto de saúde. E assim facilmente a obrigação se torna em favor.

3º. Acuse o adversário. Investigue o seu passado político ou até sua vida íntima. Compare discursos do passado com os do presente. E não esqueça que nesse jogo imagens valem mais do que palavras.

4º. Torne-se um ídolo. Marketing é a chave do sucesso! Contrate uma boa e grande empresa, distribua camisas, cartazes, carros, bandeiras, bolas coloridas. Alugue paredões de som e estruturas tecnológicas como canhões de luzes e helicópteros. Encomende paródias musicais, pois facilitam a lavagem cerebral pelos ouvidos. Crie jargões, “se colar, colou!”. E quando alguém perguntar de onde vem tanto dinheiro, diga-lhes que pessoas que acreditam em você estão custeando tudo isso.

5º. Toque o povo, permita ser tocado. Explore a ingenuidade e a miséria de pobres e analfabetos; alimente a cobiça dos ricos. Eles farão inimizades e amizades pelo seu nome, fixarão pôsteres nas portas e nos umbrais de suas casas e lá permanecerão durante toda a campanha, quem sabe até o fim do mandato.

6º. Seduza líderes. Sindicalistas, presidentes de associações, desportistas, famílias de influência etc. Lembre que “padres” e “pastores” de grandes rebanhos são peças chaves, formadores de opinião. Alguns desejam apenas um terreno ou a simples reforma do antigo templo.

7º. Finja. Minta, sorria, abrace, beije, abra bem os braços, dê tchauzinhos carinhosos, cumprimente aquele que olha na porta como se fosse um amigo de infância. Assuma uma postura de vítima, mas ao mesmo tempo seja um herói. Depois, chegue em casa, tome um bom banho e durma, se conseguir, com um peso na consciência do tamanho da sua cobiça. Se não sentir nada é porque a mente cauterizou o pouco de honestidade e honra que ainda existia nela.  

Alex Gadelha

25 de junho de 2012

O Cuidado de Deus com o Trigo

“Não! Replicou o Dono do Campo, para que, ao separar o joio, 
não arranqueis também o trigo”. Mt. 13:29.

Em todas as parábolas sobre o Reino dos Céus é possível notar o amor e a justiça de Deus em operação na vida do homem. Na narrativa do joio no campo de trigo não é diferente. A começar pela qualidade da semente lançada no campo, que é boa e por isso produz frutos de mesma natureza.

O Criador tem amado ao homem desde o Éden, quando tomou a iniciativa de plantar o Jardim para sua habitação (Gn. 2:8). Além da luz, do firmamento e dos astros, da relva e dos animais, Deus soprou vida e concedeu liberdade. Ao escolher comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, o ser criado a imagem e semelhança Divina trouxe a morte (Rm. 5:12), a multiplicação das dores, o suor, a rejeição. Mas Deus não o rejeitou para sempre, pois mesmo após a traição a misericórdia divina ecoou no chamado “onde estás?” e depois das consequências enunciadas, no cuidado em substituir a cinta de folhas de figo por vestes de peles (Gn. 3:9, 21).

Deus não tem prazer na morte do ímpio, mas sim em sua conversão (Ez. 33:11). Nesta convicção é que Paulo escreve a Timóteo incentivando-o a orar por todos os homens, explicando-lhe que o Senhor deseja que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1ª Tm. 2:1-4). Deus ama a todos, mas salva alguns. Isso porque mesmo tomando a iniciativa, Ele exige uma resposta afirmativa. É necessário então um aceite recíproco, como aquele ilustrado por Jesus na parábola do filho pródigo, quando o filho arrependido faz um duro percurso de volta até receber o abraço do pai (Lc. 15). Tal ação exemplifica bem a exortação do Senhor através da boca do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jr. 29:13).

Quando o homem arrependido encontra-se com Deus, experimenta uma nova dinâmica neste relacionamento: Torna-se filho (Jo. 1:12), separado pelo selo do Espírito Santo (Ef.1:13, Rm. 8:14), unido às ovelhas de Seu pasto (Jo. 10) e no fim do século será guardado em seu Celeiro (v. 30). Aos que vivem nesta dimensão de amor ao Pai, são prometidas bênçãos espirituais como o perdão de pecados, a vida eterna (I Co. 5:17, Jo. 5:24) e o amparo divino durante as angústias da peregrinação neste mundo (Hb. 13:5 e 6). Ele o livrará das tentações (1 Co. 10:13), capacitará a viver o Seu amor no próximo (I Jo. 4:7), concederá sabedoria do Alto (Tg. 1:5), e nutrirá a alma com uma paz que excede a todo entendimento (Jo. 14:22, Fl. 4:7).

Deus poupa o mundo incrédulo para preservar os que lhe pertencem. Suporta o joio, para não arrancar o trigo. Mas chegará o dia da Ceifa e nele não haverá mais chances de se unir ao trigo. Os ímpios serão lançados na fornalha, mas os justos resplandecerão como o sol, na presença do Pai.

Deus quer cuidar de você. Vá ao Seu encontro e seja colhido como trigo!

Pr. Alex Gadelha

A sabotagem do diabo no Campo de Deus


"O inimigo, que o semeou, é o diabo". Mateus 13:39.

Na parábola do joio no campo de trigo existe um conflito entre o Agricultor e o seu inimigo. Enquanto um ordena a semeadura da boa semente de trigo, o outro sorrateiramente lança a erva daninha na terra. Jesus explicou que Ele mesmo, o Filho do Homem, é o responsável por plantar os filhos do Reino no mundo, enquanto a difusão da semente maligna e invasora é obra do diabo. Esse conflito explícito na ilustração do Mestre representa uma guerra histórica, universal e invisível que acontece entre forças Divinas e potestades espirituais do mal.


A sabotagem de Satanás contra os planos de Deus começou na dimensão celestial, quando seduziu parte dos anjos à rebelião (Jd. 6; 2ª Pd.2:4) e por isso foi lançado na terra. No jardim do Éden, assumiu a sagacidade da serpente e convenceu ao primeiro casal a comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, distorcendo o mandamento do Criador e fomentando a ideia de se tornarem como Deus (Gn. 3:1,5); Semeou discórdia e inveja no coração de Caim até que este assassinasse ao seu irmão (1ª Jo.3:12); A maldade de Caim foi a mesma que alcançou a geração de Noé, causou o dilúvio e a confusão das línguas na Torre de Babel (Gn. 6:5; 11:1-9); Cheio de más intenções, Satanás também disputou com o arcanjo Miguel a respeito do corpo de Moisés (Jd. 1:9); Ele assediou os israelitas desde o Egito à Canaã, tanto as tribos como os reinos, para que adorassem a deuses estranhos, fabricados por mãos e imaginação humanas (Ex. 32, 1º Rs.11); Foi o diabo que intentou contra Jó e foi envergonhado pela sua fé e paciência (Jó 2).

No Novo Testamento, Satanás aparece tentando Jesus no deserto (Mt. 4); seus demônios tomam posse do corpo de pessoas provocando descontrole e agressividade (Mc. 1,23-27; Mt. 17:14-21; Lc 8,26-39) e também concedendo poderes de adivinhação (At. 16:16-18). Ele tentou a Pedro (Mt.16:23); encheu o coração de Ananias e Safira de cobiça (At. 5:1-11); Paulo chama a atenção para o fato de que tem poder para transfigura-se em anjo de luz e seus ministros aparentam ser ministros de justiça (2ª Co. 11:13-15), mas na verdade são promotores do engano e ensinam doutrinas de demônios (1ª Tm. 4:1). No Apocalipse, Satanás estará coordenando a trindade Satânica (Apocalipse 13.13-18) e o seu fim é ser lançado no lago que arde com fogo e enxofre (Ap. 20:10).

Quais as intenções do maligno? Jesus compara-o “a um ladrão, que vem para matar, roubar e destruir” (Jo. 10:10). Pedro escreve que “o diabo, vosso adversário, anda ao derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar (1ª Pe. 5:8). Paulo diz que não se deve ignorar os seus desígnios (2ª Co. 2:10,11), porém, resistir aos seus dardos com o escudo da fé (Ef. 6.16); Tiago orienta não dar espaço, antes resisti-lo a fim de que fuja (Tg.4:7). Como na parábola o inimigo sabota o campo a fim de que ramos de trigo sejam arrancados, no reino espiritual o propósito diabólico é destruir a criatura feita a imagem e semelhança do Criador. O seu ódio contra Deus alimenta a sua ira contra o homem.

Nesse intento, age covardemente, à noite, “pelas costas”, explorando a fraqueza dos que dormem, encobrindo a luz do Evangelho da glória de Cristo, cegando o entendimento dos incrédulos (2ª Co. 4:3, 4). Ele se utiliza de homens maus, que têm aparência de piedade, mas negam o poder de Deus. “Foge também destes”, é o conselho de Paulo (2ª Tm 3:1-9).

O mundo está disseminado de joio plantado pelo diabo. Mas a nossa luta não é contra as pessoas que ele usa, mas sim contra Ele mesmo, que sutilmente planta ideias, promove ações e desejos que contrariam a vontade de Deus para a vida humana. A guerra já foi vencida por Jesus (Rm. 8:31-39), mas enquanto não chegar o desfecho final, teremos de lutar vestidos da armadura concedida por Deus (Ef. 6:10-17).

Pr. Alex Gadelha

A perversidade do joio

"o joio são os filhos do maligno" Mateus 13:39.
 
     Enquanto o trigo foi semeado pelo Dono do Campo, o joio é uma sabotagem do inimigo. Os filhos do Reino produzem atitudes que são frutos da presença Divina em suas vidas, enquanto os filhos do maligno têm impregnado perversidade em suas almas. Cada um reproduz os frutos da semente que está em seu coração (I Jo. 3:7-9). O joio tem amargura e veneno, causa tonturas e náuseas. Foi originado de uma atitude covarde.

     Ao brotar, o joio se entrelaça no trigo. Como numa ilusão de ótica se tornam idênticos quando observados à distância. Mas basta aproximar-se para notar a diferença, pois o joio não consegue sustentar a coerência, logo a constância de suas más ações o entrega. A sua máscara é transparente. Causa escândalos e pratica a iniquidade (v. 41).

     Jesus chamou os fariseus de filhos do diabo, porque assim como em Satanás, existia dentro deles desejo homicida e mentira (Jo. 8:44). Ora, o teste de paternidade espiritual de uma pessoa são os valores, princípios e ações que defende e pratica: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: qualquer que não pratica a justiça e não ama a seu irmão não é de Deus” (1ª Jo. 3:10). Enquanto os nascidos de Deus promovem vida em abundância através do amor, os descendentes espirituais do diabo agem como ladrões, focados em matar, roubar e destruir a alegria dos relacionamentos, a saúde do corpo, o descanso da alma (Jo. 10:10).

     O joio põe em risco o trigo. Se não for tratado com cautela, pode levar consigo aquela porção ainda imatura, verde. Por isso é importante nutrir bem a terra com a Palavra da Verdade, a fim de que a boa semente crie forças para apartar-se da erva daninha e brilhar junto aos raios do Sol, refletindo o caráter do Mestre Jesus. Se o trigo não for bem tratado adoece, apodrece, amarga.

      A pessoa-joio aparece no mundo e na igreja fazendo o serviço emperrar, provocando a perda do Alvo, desviando do Caminho. É um embaixador do maligno lançando sementes de amargura com a língua, azedando a doçura do grão que estava a vicejar no coração do pecador arrependido. Como um pouco de fermento faz levedar toda a massa, suas más conversações corrompem os bons costumes (1ª Co. 15:33), seus ensinos deturpam a verdade (2ª Pe. 3:16), fazendo de seus seguidores filhos do inferno duas vezes (Mt. 23:15). São homens maus e enganadores, que irão de mal a pior, enganando e sendo enganados (2ª Tm. 3:13).

      Como tratar o joio? Aquele que estiver na igreja deve ser notado com a exortação de Paulo: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1ª Co. 5:11). A intenção não é condená-lo, mas fazê-lo reconhecer-se, instigando-o ao arrependimento e disciplinando-o em amor até que exerça a fé salvadora no Senhor Jesus. O joio que está no mundo deve ser adubado com a Palavra. Evangelizado. Depois, é esperar o milagre da transformação em trigo, da regeneração pelo Espírito Santo. Se isso não acontecer, resta apenas a fornalha.

      O destino do joio, tanto o que está na igreja como no mundo, é o inferno que arde eternamente com fogo e enxofre, onde há choro e ranger de dentes (v. 42). Essa separação definitiva acontecerá na consumação do século, quando os anjos lançarão os filhos do diabo no fogo, enquanto os justos resplandecerão no Reino do Pai Celeste, reluzindo como ramos maduros de trigo em um dia de céu azul.

     Ao fim desta reflexão resta-nos perguntar: Quem é você no mundo? Será que apenas aparenta ser trigo? Na verdade é joio e precisa experimentar a presença de Deus em seus caminhos e na sua mente? (Rm. 12:1, 2). E se és trigo, porque ages como joio? Está na hora de adubar a fé para sarar a alma e produzir nutrientes que alimentem quem estiver por perto. A Ceifa chegará.

Pr. Alex Gadelha

O ser trigo

"...a boa semente são os filhos do reino". Mt. 13:38

      Essência, propriedade e qualidade são três palavras utilizadas para descrever ou explicar uma ideia, uma substância ou um valor impregnado a uma pessoa, objeto ou produto. A qualidade refere-se às expectativas sobre necessidades que são supridas ou não. Por isso, quando julgamos algo como de “boa qualidade” é porque que nos satisfez, conformou-se ou superou àquilo que esperávamos. Quanto maior criticidade ou conhecimento sobre o desejado, maiores as exigências. A resistência ao tempo (durabilidade), a saúde (os nutrientes), a quantidade (raridade/abundância), o conjunto (organização), a agilidade e precisão (destreza e função) são elementos importante nesse tipo de escolha. Propriedade é uma palavra para explicar aquilo que pertence a alguém ou a algo. As propriedades podem ser enfraquecidas, perdidas, adulteradas ou destruídas. Já a palavra essência descreve aquilo que é único, constante e imutável, que não pode ser naturalmente transformado. Por exemplo, cada ser humano possui um cheiro que lhe é próprio, os perfumes apenas se misturam a ele, produzindo uma terceira fragrância. Outro exemplo seria o código genético ou DNA, singular entre os que já passaram e os 7 bilhões que habitam o planeta hoje. 

      Nas parábolas, Jesus usa aspectos físicos da natureza e ações do cotidiano para ensinar princípios espirituais. Na narrativa do joio e do trigo são exploradas as diferenças entre essências e propriedades destes cereais comparando-os a posição dos homens diante de Deus, o Dono do Campo. Enquanto o trigo representa os filhos do Reino, o joio refere-se à descendência do Maligno. Nessa parábola, o que o trigo tem que o joio não tem? A sua origem é Divina, foi o Filho do Homem quem o semeou (v. 36) e sua semente é boa (v.37), consequentemente produz frutos saudáveis.

        Não existe nada mais preciso que revele a essência espiritual, as propriedades de caráter e a qualidade da fé de uma pessoa do que as suas ações. O ser trigo implica em ser nascido do Espírito Santo (Jo. 3:6), habitado (1ª Co. 6:19), selado (Ef. 1:13), guiado (Rm. 8:14), fortalecido (Rm. 8:26), ensinado (Jo. 14:26), transformado por Ele (Tt. 3:4-6). Quem é trigo vivencia eternamente a presença de Deus em seus caminhos. Não há como separar-se dEle, porque está dentro. A Sua fragrância está impregnada nos poros e nas entranhas, nos pensamentos, sentimentos e vontades (2ª Coríntios 2:15). Cristo vive no trigo e o alimenta (Gl. 2:19, 20).

          A essência bem alimentada produz propriedades de caráter indissimuláveis. A principal delas é o amor. Não conforme o mundo, mas segundo Deus. Entre o joio, amar significa não ter limites de justiça, apossar-se do outro, usá-lo a fim de suprir paixões carnais momentâneas, ignorar necessidades sensíveis, utilizar o cuidado como moeda de troca. 

        O amor do trigo é derramado pelo Espírito Santo (Rm. 5:5), tem origem Divina. É um fruto que acopla dentro de si virtudes como alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl. 5:22, 23). Assim como do trigo literal derivam produtos que alimentam, como farinha, pão, biscoitos, macarrão, os filhos do Reino nutrem a vida dos outros com atitudes, gestos e ensinos que trazem luz, libertação e paz (Mt. 5:13-16).

         E a qualidade do trigo? Depende do cuidado. Por isso, é preciso, com toda diligência, dia após dia, cultivar hábitos que fortaleçam a fé e acrescentem virtudes (2ª Pe. 1:3-11). Leitura e reflexão sobre a Palavra, oração individual e coletiva, comunhão, louvor, serviço e exercício dos dons são práticas que adubam, preservam e nutrem a vida de quem ama a Deus.

     Enquanto vivemos todo esse processo, o Dono do Campo está aguardando o tempo planejado para a Ceifa. Quando chegar, resplandeceremos com a sua luz, porque o veremos como Ele é e seremos semelhantes ao corpo de sua glória (Fl. 3:21).

Para estar no Celeiro de Deus é preciso ser trigo. 


Pr. Alex Gadelha

6 de junho de 2012

Série: Falso ou Verdadeiro? Joio ou Trigo? - INTRODUÇÃO


Os cuidados no julgar
“Queres que vamos e arranquemos o joio?” Mt. 13:28.


Campo de trigo (e de joio)

      Uma das constantes advertências de Jesus diz respeito aos perigos do julgamento precipitado e desmedido. Com base em palavras isoladas do Mestre muitos até defendem uma postura extrema de não julgamento. Usam o “não julgueis para não serdes julgados” (Mt. 7:1) para justificarem certa tolerância ao pecado dos outros ou aos próprios, dependendo dos interesses do momento. O caso da mulher pega em flagrante adultério, aquela do “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”, é outra situação mal interpretada. O problema está em não considerar o contexto desses ensinos, pois se olharmos para o todo dos enunciados entenderemos facilmente que Jesus não está condenando o juízo nem muito menos ignorando o pecado.


       O que o Mestre reprova nestas e em outras passagens é a desmedida do julgamento, o ato hipócrita. Ele explica que a dureza com que desqualificamos os outros revolverá contra nós mesmos (Mt. 7:2). A orientação não é para conivência ao pecado, mas para a consciência daqueles que precisam ser abandonados por quem julga. Nesse assunto também é importante compreender que o perdão está implicado com o esforço de romper o ciclo de erros, com o “vai e não peques mais” (Jo. 8:11).
   
       Para Jesus a nossa atribuição de valor ao outro não deve ser pautada na aparência, mas na reta justiça (Jo 7:24); nos frutos de transformação (Lc. 6:43); na prática do amor (Jo. 13:35). Devem-se considerar esses aspectos da vida, sem esquecer a autocrítica, o julgar a si mesmo.
 
       Um julgamento precipitado e sem misericórdia seduz, ao mesmo tempo em que destrói. Os fariseus de tanto apontarem os pecados dos outros, criaram uma casca religiosa para esconderem a podridão de suas almas. O senso de superioridade estava fundamentado no rigor do cumprimento das práticas rituais de sua religião. A parábola do fariseu e do publicano explicita muito bem tal concepção (Lc. 18:9-18). Mas diferente dos homens, Jesus vê o miolo, o coração distante de Deus (Mt.15:8). Por isso, foram tenazmente condenados, convocados ao arrependimento e duramente repreendidos através de princípios que contrariavam qualquer senso de meritocracia (Mt. 21:31).


      Para não incorrer no pecado dos fariseus (julgarem a si mesmos superiores), é necessário um rigoroso senso de vigilância. Isso implica em ouvir os ensinos de Jesus pensando em como aplicá-los na própria vida. Olhar para as próprias atitudes, medi-las pela Palavra, conformá-las ao Seu Exemplo. Quando focamos nos deslizes e pecados alheios, esquecemos a nós mesmos. E quando isso acontece nos tornamos especialistas em orgulho, preguiça, avareza, impureza, maldade e falsidade dos outros, dependentes da desgraça alheia para alimentar um sentimento doentio de jactância.


      O Justo Juiz é quem pode fazer com precisão a distinção entre os homens. Na sua mensagem classifica-os em dois grupos antagônicos: os filhos da luz e os filhos das trevas. Em natureza todos são iguais, “porque todos pecaram e carecem da glória de Deus”, mas é na relação com o Criador que reside a diferença. A separação se dá a partir das decisões a respeito da adoração e da obediência a Deus. Ele procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo. 4:23, e 24). Eles estão no campo, próximos ao joio, visualmente confundíveis, mas distintos em ações.

         Na Parábola do Joio e do Trigo há um desejo avassalador dos servos em arrancar a erva daninha. O Agricultor prudentemente os aconselhou a esperar a ceifa. Com o tempo o processo de maturação torna o trigo viçoso e apesar da semelhança, é possível extrair o joio e queimá-lo. Enquanto este traz escândalos e pratica a iniquidade, o trigo alimenta a alma com o pão da vida, a palavra pregada e vivida, pensamentos e atitudes em conformidade com o amor de Jesus Cristo.

Na natureza é impossível transformar joio em trigo, mas no reino espiritual Deus tem esse poder. Por isso, é preciso moderação e paciência no trato com pessoas que julgamos irremediáveis, incorrigíveis ou incuráveis. Enquanto estiverem no campo, dividindo o mesmo mundo, haverão de ser suportadas e amadas, com a mesma misericórdia e amor que Jesus derrama sobre nós diariamente. Serão exortados, repreendidos, disciplinados, adubados com Palavra de Deus, o Evangelho de Jesus. E dependendo da reação, serão colhidos e unidos ao trigo no Celeiro Celestial.        
           
Pr. Alex Gadelha

18 de maio de 2012

Um Caminho de Dores e de Milagres


A psicologia oncológica explica que quando alguém sofre com o câncer, a família inteira adoece. A tentativa de não se envolver será sempre frustrada, pois há um consequente desgaste entre pais, filhos, parentes e amigos próximos. Do início ao fim, na cura ou na morte, adrenalina e tensão sugam forças internas e provocam conflitos externos. É um duro caminho que ensina muito sobre o ser humano, sobre si mesmo e sobre Deus.

Uma primeira lição é a de que quando alguém está realmente preocupado com o sofrimento do outro, logo age movido de compaixão para suprir-lhe necessidades. É típico em situações de doenças crônicas ouvir e usar expressões do tipo: “se precisar de alguma coisa, pode contar comigo”; “estou orando por você”; “tudo vai ficar bem”. São palavras que podem servir tanto como consolo genuíno, como também de escape para omitir uma ajuda concreta. As ações revelam se o dito da boca é coerente com o que está no coração.

Em um caminho de dores é possível visualizar a reputação que construímos ao longo da vida. E aquilo que colhemos é sempre mais do que semeamos. Se durante a fase saudável e consciente agimos com amor, misericórdia, humildade e verdade, quando a tormenta vier, muitos que foram abençoados com a nossa existência lançarão coletes salva-vidas. Eles surgirão de tempos esquecidos, lugares inesperados, pessoas próximas e distantes, consanguíneos ou admiradores. Na dor, o consolo ou desconsolo recebido é o termômetro do calor dos relacionamentos aquecidos na estrada dos anos.
   
Praticar misericórdia cansa e ao mesmo tempo traz satisfação. Quem exerce capelania entende profundamente a bem-aventurança aos misericordiosos. No início de um diagnóstico crítico há um choque que toca a sensibilidade e solidariedade das pessoas. Mas quando se aproxima o fim da primeira milha, as pernas vacilam e muitos desistem de continuar o percurso da segunda jornada. Nessa etapa se provam a força dos laços familiares e a lealdade dos amigos.

A dor do outro é minimizada por quem está longe. Quem está distante não enxerga, não sente, nem mede adequadamente a dimensão do sofrimento alheio. Mas para estar próximo não precisa está no mesmo lugar. Ações de solidariedade ultrapassam fronteiras espaciais, tocam por mãos alheias e principalmente pela intercessão a Deus.

A fragilidade de um doente o torna vulnerável à exploração. Por isso, não é de admirar a existência de uma indústria, de um mercado e de uma teologia do câncer. Falta de transparência médica, preço abusivo de medicamentos e um discurso religioso que alimenta a culpa afrontam o doente. É um abuso predatório, como um animal que persegue sua presa até cansá-la e então devorá-la. Deve ir para trás das grades quem usa a angústia de uma família para tomar vantagem sobre sua dor. Infelizmente, existem monstros assim.

A morte é o aguilhão do pecado que espeta o corpo para julgamento da alma. Ela é tão certa que humilha qualquer atrevimento antropocêntrico. Quando assediados por ela, as emoções insistem em deturpar a razão e só podem ser equilibradas por meio da fé. Esta não deve ser depositada em qualquer coisa ou pessoa, mas no Senhor da vida, o qual atende pelo nome Jesus. Ele é maior que a própria fé. É infinitamente melhor largar-se em seus braços do que tentar impor a vontade sobre a dEle. Isso não significa acomodar-se à situação, nem muito menos desistir. Como diz o poeta: “milagres acontecem quando a gente vai à luta”. É só lembrar do rastejar da mulher com fluxo de sangue, dos quatro homens que elevaram o amigo paralítico por cima da casa de Pedro até a presença de Jesus ou dos gritos incontinentes de cego Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!

Quem trilha pelos caminhos ou ao lado de alguém com uma doença como o câncer, passa por lugares-comuns como cirurgias, radioterapia e quimioterapia. Por quem seremos consolados durante esse caminho faz toda a diferença, pois quando entregamos a vida e a morte a Deus, a vitória já é certa, mesmo que os resultados a olho nu apontem o contrário. O consolo do Senhor é eterno e o seu amor é manifestado através do carinho e da ação de amigos e irmãos. Tal verdade nos impulsiona a prosseguir crendo e experimentando o milagre. E mesmo que digam que não há mais esperança, pela fé corremos contra ela.

Pr. Alex Gadelha

19 de fevereiro de 2012

Buscando a Santificação



























17 de fevereiro de 2012

Vou pular o Carnaval


Praça da Folia/Alexandria/RN
          Ouvi muitas vezes essa expressão na infância, quando vivia na pequena e carnavalesca Alexandria. Nesse período, as tranquilas ruas ficavam povoadas pelos foliões. Os blocos sobre caminhões ou em caminhada chamavam a atenção com suas charangas e “abadás” coloridos. Carros velhos eram propositalmente depenados, ficavam sem portas e sem tetos, pichados com frases engraçadas e palavras de duplo sentido. Homens vestidos de mulheres, crianças com máscaras de papelão, daquelas compradas nas bancas da feira do Sábado. Havia tantos rostos, roupas e cabelos com o brilho da purpurina, como fantasmas de farinha de trigo. O Clube Arca oferecia a matinê, entrada com direito a picolé de graça e refrigerante de cereja. Dilúvio de alegria para uma criança do sertão. Muita “gente de fora”, das cidades circunvizinhas, “do sul” e até estrangeiros, como o primeiro que vi na vida, um americano alvo como a neve, enorme como um poste, com basqueteira nos pés e um jeito diferente de pronunciar a palavra “rapadura” que quase matava de rir. A praça central era atravessada por cordões de bandeirinhas coloridas, nos postes havia dependuradas imagens de palhaços com largos sorrisos. A cidade experimentava um frenesi que só vivendo para ver. Carnaval decidia eleição. Ai do prefeito que não investisse na festa! E após o último dia de festa, chegava a vez da alegria do padre. A igreja matriz ficava lotada de pecadores à procura do pó mágico do perdão, uma cinza que esfregada na testa em forma de cruz purificava das coisas erradas feias praticadas nos quatro dias de farra. Era o olhar de uma tenra criança.
          “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. (1ª Coríntios 13:11). Após alguns anos, retornei à cidade e à festa, dessa vez com pêlos no corpo, um caroço na garganta e um olhar atento para detalhes. Os quadros da memória carnavalesca mudaram, ao invés de coloridos tornaram-se lúgubres. Era possível ver cenas de fuga, vazio e morte. Estava à mostra, mergulhada em garrafas de bebida ou frascos de lança-perfume, a consciência de adultos, jovens, adolescentes e infantes, sim crianças. E os namoros? Geralmente tinham prazo de validade até após o baile, descartáveis como as camisinhas deixadas em becos ermos e escuros. Mas às vezes, o fogo da paixão resultava em gravidez, um prato suculento para a fofoca no primeiro varrer do dia. Pequenas calçadas pareciam gigantes. Em alguns casos apenas a vassoura não dava conta, além do refugo dos vícios, havia um forte odor de urina. Os banheiros públicos, a visão do inferno, insuportável até para bêbados. Então, qualquer coisa redonda, como pneus de carros estacionados longe do “furdunço”, transformava-se em vasos sanitários. Quando não serviam como descarga urinária ou sêmica, os automóveis faziam parte de tragédias estatisticamente preanunciadas. Nesse quadro fúnebre, ainda há histórias de desentendimentos e ciúmes resolvidos na força do punho, ao fio da faca ou no apertar de um gatilho. E assim terminava a festa: o pulo resultado em queda, o riso transformado em vômito e a alegria em luto. Era a observação de um jovem que começava a ver o mundo de um ponto de vista diferente da maioria.
          Hoje, mais de quinze anos depois, adulto, decidi pular o Carnaval. Vou passar mais um ano por cima da Festa da Carne (Carnavalis) e continuar a celebrar a Vida Abundante doada por Jesus, recebida com sobriedade e esclarecida pela Palavra. A mente renovada pela Sabedoria do Alto aponta para caminhos de paz, descanso e alegria do Espírito, junto ao Senhor e à Sua Igreja. É uma festa que acontece todos os dias no clube do coração convertido. Segura, saudável, sem retalhos de prazer ilícito, mas com vestes de santidade. Passe por cima também desse Carnaval.

Pr. Alex Gadelha

31 de janeiro de 2012

Liberdade com Cristo




     Há quatorze anos a Igreja Batista Regular da Fé tem pregado no Conjunto Liberdade I a libertação que Cristo conquistou na cruz do Calvário. É fácil notar homens e mulheres prisioneiros de vícios, angústias, medo, mágoas e alienação religiosa, seja neste bairro ou no mundo. O motivo principal para continuarem escravos de outros e principalmente de si mesmos está na falta de conhecimento de Deus, o Libertador. E a fonte mais confiável para nos aproximar dEle é a Bíblia, a chave para abrir as algemas da ignorância espiritual.
      A Palavra nos faz entender que a luz da glória do Evangelho de Cristo é capaz de iluminar a todos aqueles vivem no calabouço de suas almas, sufocados pela escuridão do príncipe deste mundo, Satanás. Enquanto ele rouba a alegria oferecendo prazeres transitórios do pecado, fazendo escravos do reino das trevas, Jesus oferece vida abundante, como um rio de águas limpas que flui de um coração de bem consigo, com o próximo e com Deus.
       A liberdade conquistada na cruz e registrada nos Evangelhos produz uma visão que ultrapassa os sofrimentos deste mundo. Quem conhece, confia e obedece ao Libertador, também experimenta aflições durante a peregrinação nesta terra, mas vence-as pela fé, com a convicção de que Deus pode até não mudar as circunstancias, mas transformará a maneira como reagimos a elas. Alguém liberto por Jesus é capaz de louvá-lo em meio às tribulações, por saber que um dia o seu Rei fará que os súditos morem no Palácio, assentem-se à sua mesa e celebrem a vitória sobre o pecado.
      Mas para ser livre é necessário que o prisioneiro queira. Não adianta abrir a cela para alguém que rejeita a liberdade ou que não reconhece estar preso. E não são apenas as drogas que escravizam a alma das pessoas, pois sentimentos como mágoas, rancor, ódio, inveja e orgulho também aprisionam. E ainda que alguém se considere livre destes pecados, não estará livre da condenação do pecado presente na sua própria natureza. O salário do pecado é a morte espiritual, a sentença é a condenação ao inferno. Podemos até nos livrar das angústias de nossa alma com muito esforço, mas nenhum ato de um humano pecador é capaz de satisfazer a justiça Divina, nenhuma caridade livrará a alma do lago que arde com fogo e enxofre. Ora, foi por isso que o Libertador habitou sua tenda entre nós e viveu como o Mestre a ensinar a Verdade que liberta. A Verdade não é uma teoria, é uma Pessoa, Jesus Cristo.
     Para a libertação da condenação do pecado e a transformação do pecador, Jesus ofertou a si mesmo em um ato de amor e justiça, o Justo morrendo pelos injustos. Com o seu sacrifício redentor rompeu as barreiras de aproximação entre o homem e Deus, oportunizou o livre acesso à presença do Pai. Uma presença que regenera o coração, a mente e a vontade.
Você quer ser liberto por Jesus? Então abra bem os seus olhos, ouvidos e coração para o que Deus tem dito. A Igreja da Fé no Liberdade I traz um recado de Deus. E se for ouvido com fé, produzirá a libertação da sua alma do mundo de pecados e da condenação eterna. 

Pr. Alex Gadelha.

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