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21 de junho de 2008

Meu Pai na Fé


Nestes últimos dias estive revirando o meu baú de memórias e encontrei a minha história de conversão a Cristo. Logo na primeira página, minha lembrança fixou-se no primeiro contato que tive com um evangelista. Foi o pastor Plínio Kremer quem introduziu o Evangelho em minha família. Por alguns domingos bateu a porta de minha casa para discipular os novos convertidos do bairro, entre eles a minha irmã Kaliana, a primeira dos gadelhas a se converter.
Lembro do pastor com sua bicicleta, camisa molhada de suor e rosto vermelho do sol. Seu exótico estereótipo gaúcho-alemão despertou-me a curiosidade. Mostrava uma paciência de Jó, perseverante, uma mansidão admirável, tão calmo que chegava a irritar um jovem impaciente como eu. Por várias vezes convidava-me para participar dos estudos, mas o meu orgulho e indiferença religiosa diziam sempre não ou às vezes ignorava-o.
Lembro de uma tarde de Domingo, quando estava em frente a tv enquanto eles “debatiam” sobre temas bíblicos. De costas para o grupo, em frente ao aparelho de imagens, ouvi um pouco da discussão e senti-me atraído. Então, desliguei a tv e fui ouvi-lo. Na época, tinha recebido um Novo Testamento doado pelos Gideões Internacionais e havia começado a lê-lo por mera curiosidade. Achei interessante vê-lo explicando alguns versículos que já conhecia, isso serviu-me como incentivo para continuar a leitura da Bíblia. Nessa tarde, confrontei-o com o pouco de conhecimento que supunha ter, queria mostrar que “também conhecia”. Era uma ousadia descontextualizada, sem consistência. Ele, mais uma vez, mostrou-se sereno e disse que o fato de “saber” muitas coisas da Bíblia era bom para mim e incentivou-me a dar continuidade à leitura.
E eu continuei. Todas as manhãs acordava com o tinido dos canários de meu pai, tomava café e sentava-me na calçada de dona Maria, minha vizinha frontal, debaixo da sombra de suas queridas e bem cuidadas plantas. Sentava ali e viajava pelas páginas e lugares neotestamentários. Passei pelo Monte das Oliveiras, li as Bem-aventuranças e todo o sermão de Jesus, que confrontava meu egoísmo e senso de autojustificação. No monte Calvário meus olhos fitavam-se nas dores e agonias do Cristo. Estava gostando tanto da leitura, era como se meus lábios estivessem salivando ante a descrição de um prato saboroso.
A medida que lia, começava a desprezar o meu passado de católico não praticante e a envergonhar-me das poucas vezes que me ajoelhei ante a imagens de escultura. Logo abandonei o catolicismo. Quando me perguntavam sobre minha religião, respondia que não era católico nem crente. Então replicavam que eu era ateu. Respondia que não, dizia que apenas acreditava na Bíblia.
O tempo foi passando, meu irmão mais velho sob o testemunho de vida e pregação do pastor Plínio também confessou a Cristo e convidou-me para assistir um culto no templo da Igreja Batista Regular da Fé. Frequentei cerca de cinco meses, consciente da verdade, mas resistindo-a devido à atração que ainda sentia pelo mundo.
Entretanto, em uma conferência de Agosto, depois de tomar consciência da necessidade de crer, sai de casa desejoso de entregar minha vida a Cristo. Ainda inseguro disse a minha mãe que “ia ser crente”, a resposta foi diplomática “se é isso que você quer...”. E naquela noite, mal prestei atenção à pregação, pois estava ansioso por terminar o culto e dizer a alguém que agora era um “irmão”. No final, abracei a irmã “Branquinha” e disse-lhe que agora ela tinha um novo irmão em Cristo. Confusa, ela perguntou: Quem? Respondi: Eu. Depois oramos, reconhecendo o senhorio de Jesus sobre minha vida.
Toda essa linda história nasceu na disposição de um homem de Deus, que foi até a minha casa e amou-me pregando o Evangelho de Jesus. Sou grato a Deus por você meu irmão e colega de ministério. Obrigado pastor Plínio Kremer.

Pr. Alex Gadelha.

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