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9 de abril de 2010

Cristão Consciente


  Por que as pessoas procuram uma igreja? Quais as suas motivações? O que existe lá para atrair diferentes classes, idades, culturas e níveis educacionais? Possivelmente a resposta imediata seja: “Deus”. Porém, nem todos que chegam à comunidade dos cristãos estão, de fato, buscando a Deus.


A necessidade de agregar-se a um grupo social é uma das razões que conduzem muitos ao nosso meio. Essa visão enxerga a Igreja como um clube de lazer, time de futebol, escoteiros, alcoólicos anônimos, academia, religião ou qualquer outra instituição que promova identidade e interação entre pessoas. Conseqüentemente, não desenvolvem consistência espiritual nem raízes profundas e negam em atos e palavras aquilo que afirmam crer. A ausência de intimidade com Deus é uma marca dos igrejados. Mas além da carência social, podemos enumerar outros motivos  como o fanatismo pelo transcendente (fé emocional), interesses capitalistas e manipulação por falsos líderes. Todos estes distanciam da Verdade personificada em Jesus.

E infelizmente existe muita alienação no meio chamado socialmente de “evangélico”. São membros de igrejas que não conhecem a razão da sua fé nem o porquê fazem o que fazem, apenas deixam-se levar por costumes e tradições. Não lêem, não questionam e não entendem que a essência do evangelho é o relacionamento com a Pessoa de Jesus, manifestado principalmente no amor a Deus e ao próximo. É um compromisso consciente que conduz a obediência por temor ao Pai e não pela vergonha da disciplina eclesiástica; uma aliança com Cristo, feita não num envelope de dízimo nem em uma ficha de membresia, mas no coração; uma vida de integridade baseada nos princípios radicalmente bíblicos e não na ética do politicamente correto.
Um cristão consciente é aquele que desenvolve bases espirituais, doutrinárias e volitivas sólidas e saudáveis. Estas bases ou atitudes podem ser descritas assim: 

(1) Uma fé centrada em Deus na Pessoa de Jesus Cristo;
(2) Conceitos e valores alicerçados na Bíblia;
(3) E a disposição de obedecer por amor.

Quando estes pilares estão seguros pode-se desfrutar a vida abundante prometida por Jesus. O entendimento torna-se lúcido, evitando tanto o liberalismo quanto o fanatismo; a mente se torna perspicaz conseguindo enxergar as circunstâncias com sabedoria, facilitando a tomada de decisões; acima de tudo, pratica-se o amor de Deus concretizado em relações edificantes, com transparência e humildade.

            Como ser um cristão consciente? No mínimo três passos precisam ser dados:
            Primeiro, rever as motivações: Por que participo da Igreja? Interesses egoístas ou sede de Deus?
           Segundo, perceber coerência entre a fé e a prática: Pratico aquilo em que afirmo crer?
           E terceiro, ter consciência da presença de Deus: Entendo que Deus está presente 24hs na minha vida? Percebo os resultados da minha relação com Ele?

           As repostas podem indicar tanto uma consciência cristã autêntica, quanto uma religiosidade superficial que precisar ser abandonada. Ainda há tempo para se autoavaliar e redirecionar o olhar para o Alto.
 Pr. Alex Gadelha

6 de abril de 2010

Invista em Caráter


Em que investir a vida? Ela é tão preciosa que uma pergunta assim exige resposta refletida e convincente, considerando o contexto em que vivemos. No tempo chamado hoje, a grande maioria das pessoas têm focado e se desgastado em busca de um estado de conforto material. Para isso, esquecem de pessoas importantes na construção de sua história, desprezam valores de excelência como a justiça e a verdade, além de substituírem a fé em Deus pela confiança em si mesmo. Para os que vivem nessa intensa corrida por bem estar, a aquisição de coisas se tornou o sentido da vida. 
Porém há mais de 2000 anos o Mestre Jesus já advertia sobre o perigo das riquezas. Ele recomendou: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui”. Lc. 12:25. Claro que a prosperidade em si não é nenhum mal, no entanto, a maneira como é adquirida e administrada pode tornar-se idolatria e raiz de todos os males (Fp. 3:5; 1ª Tm. 6:10).
Mesmo que o debate não seja novo, continua sendo essencial, pois envolve a decisão sobre onde pôr o nosso coração: Em coisas ou em caráter. Se crermos firmemente que este mundo é terra estranha, lugar de passagem ou um não-lugar, com certeza teremos uma postura diferente em relação a nossos investimentos. Se também entendermos que somos forasteiros, que nossa pátria é a Jerusalém Celestial e que seremos julgados pelas ações praticadas através do corpo, iremos redirecionar intenções e esforços para conquistas que ultrapassem o visível e o imediato. Essas conquistas correspondem a ambição por recompensas eternas recebidas de Deus e não de homens. Elas também estão relacionadas a mudanças visíveis em nossas atitudes capazes de provocar um tremendo impacto nos que convivem conosco. Assim, o desejo de imitar a Cristo, de agradá-lo e receber de suas mãos o galardão precisam ter a primazia sobre o sucesso material.
Mas onde e como posso investir em caráter? Deus estabeleceu a Igreja como centro de aperfeiçoamento espiritual. Distribuiu dons, oportunizou ministérios, enviou o Consolador e deixou a Sua vontade revelada na Bíblia. Com esses recursos disponíveis temos todas as possibilidades de nos tornar pessoas melhores e de lançarmos sementes que brotarão na eternidade. 
Investir no Reino de Deus significa aplicar pensamentos, emoções e vontade no desenvolvimento do sublime fruto do Espírito: O amor. Aprender sobre Deus é aprender a amar. E a medida que aprendemos a amar também nos realizamos como pessoa, como seres criados a imagem e semelhança de Deus. Vale a pena sofrer a dor dos reparos na alma, dos questionamentos gerados pela confrontação com a verdade, pois produzem convicções e uma confiança em Deus que faz descansar e agir de maneira reta nas diversas circunstâncias da vida.
Você acredita firmemente que o acúmulo de virtudes é mais importante que o amontoamento de bens? Se você é um cristão maduro, a resposta é óbvia. Mas na prática o que você tem feito para crescer na graça e no conhecimento do Mestre Jesus? Quanto de seu tempo é investido? Quanto de seu dinheiro? Quanto de suas forças? Quanto de sua atenção? Será que estamos enganando a nós mesmos e repetindo os mesmos erros que forçou o apóstolo Tiago a escrever a advertência de tornar-se praticante da palavra e não somente ouvinte? (Tg. 1:22).
Proponho-lhe o resgate de práticas históricas, simples e eficazes para o aperfeiçoamento do caráter cristão: A leitura reflexiva da Bíblia, a oração e a comunhão fundamentada no amor. Estas três práticas possuem uma intensa influência sobre o nosso interior. Regue-as com fé e viva o processo de transformação que ocorre na mente e nas atitudes de quem se rende a Deus e O ama com tudo o que é e possui.

Pr. Alex Gadelha
   

3 de abril de 2010

A Perseverança do Cristo


A missão de Jesus foi prenunciada ainda no Éden, logo depois que o pecado entrou no mundo. No livro de Gênesis está escrito que após a transgressão o Senhor disse a serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gn. 3:15. Jesus sabia que viria para ser ferido no calcanhar, para morrer. Se isto não bastasse para admirar sua coragem, também estava consciente de que seria rejeitado pelo povo a quem ofereceria redenção.
Desde o nascimento sua missão mostrou-se dolorosa. Pouco tempo após ser concebido pela jovem virgem, foi perseguido por Herodes que fez jorrar o sangue de crianças nas ruas de Belém. Houve um angustiante clamor naquela noite. Mães choravam a morte de seus filhos pequenos. O menino Jesus escapou devido a orientação de Deus e a obediência de seus pais, que percorreram terras áridas até o Egito. Depois de alguns anos voltaram e “o menino crescia e fortalecia-se, enchendo-se de sabedoria. E a Graça de Deus estava com ele”.
Após ser batizado por João Batista, Cristo iniciou abertamente a sua missão pregando a vinda do Reino de Deus. O fato de pregar o arrependimento incomodava os religiosos, pois estes se julgavam auto-suficientes. A mensagem e a vida de Cristo despertavam inveja e ira nos que detinham o poder político-religioso.
Certa vez estava na cidade de Nazaré, onde fora criado, e entrou na sinagoga. Depois de ler as palavras messiânicas do profeta Isaías (Is. 61) afirmou que tal profecia acabara de se cumprir nEle. Enquanto discorria sobre sua missão, o auditório da sinagoga maravilhava-se com suas palavras de sabedoria e graça, mas quando revelou o interesse de Deus para com os não judeus, “todos na sinagoga se encheram de ira ao ouvir estas coisas; levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o cume da montanha sobre o qual estava edificada a cidade, para o precipitarem; mas Jesus, passando por meio deles, seguiu o seu caminho" (Lc. 4:10-30).
Essa rejeição foi experimentada por Jesus durante todo o seu ministério:
1.   Foi rejeitado pelos próprios irmãos: João 7:1-5, Marcos 3:20, 21.
2.   Os religiosos blasfemavam contra ele: Mc. 3:22.
3.   Cidades inteiras não o receberam: Mc. 5:1-17.
4.   Autoridades políticas o rejeitaram: Pilatos, Caifás, Anás etc. Mc. 15:15.
5.   O próprio Pai o desamparou: Mt. 27:46.
Apesar de tantos “nãos” e barreiras postas no caminho não desistiu. Mas o que fazia de Jesus alguém perseverante até a morte? A sua determinação amorosa de cumprir a missão dada pelo Pai (Jo. 14:28-31).
Não foi fácil. Ele passou por sangrentos momentos de angústia (Mt. 26:36-46; Lc. 22:44). Sua natureza humana pedia para passar o cálice, mas seu espírito insistia em prosseguir na direção do sacrifício vicário.
Na cruz gemeu e clamou pela presença do Pai. Sentindo dores, ouvindo ultrajes e mesmo vendo os meneios da multidão, ainda encontrou fôlego para interceder por eles: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc. 23:34). Em uma posição asfixiante levantou a voz para dar esperança ao ladrão arrependido: “estarás comigo no paraíso” (Lc. 23:43). E no último gemido, declarou a sua missão de amor cumprida: “Está consumado” (Jo. 19:30).
“Embora sendo Filho aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu” (Hebreus 5:7-10). Devido a sua perseverança Jesus ressuscitou dentre os mortos e recebeu o Nome que está acima de todo nome (Fl.2:9). Deu o exemplo mais vivo que alguém poderia dar de obediência. Foi obediente até a morte e morte de cruz (Fl.2:8).
E o que faremos com exemplo de Jesus? Apenas admirá-lo ou reconhecê-lo como Senhor?

Pr. Alex Gadelha.

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