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21 de fevereiro de 2008

Os Inimigos e os Amigos da Cruz


A cruz é um dos símbolos mais conhecidos do mundo. Antes, o seu significado estava restrito a cultura romana e trazia o sentido de humilhação para os criminosos que cometiam graves delitos. Para os judeus, a morte de forma trágica era entendida como um castigo ou maldição divina. Assim, quando um judeu era crucificado, era porque sobre ele existia uma maldição. E de fato, ao morrer na cruz do Calvário, Cristo se fez maldição. Não porque praticou algo digno de morte, mas porque tomou os nossos pecados. Como escreveu Isaías, “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” Is. 53:5. Também apóstolo Paulo afirmou que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (Gálatas 3:13). Cristo se fez maldição porque Deus fez "cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Is 53.6). Ele carregou “em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados" (1 Pe 2.24).

A morte do Senhor na Cruz causou uma ressignificação da cruz. Ela passou de instrumento de tortura para símbolo de redenção. Mas a cruz só adquiriu esse significado devido ao Crucificado. Então, não é correto usar a cruz como amuleto, como objeto de proteção. O poder redentor não está nas traves cruzadas, mas no Cristo pregado nelas há mais de 2 mil anos. O que garante a segurança de vida eterna não é propriamente a cruz, mas a aceitação da mensagem do sacrifico único, irrepetível, propiciatório e vicário do Senhor Jesus Cristo. É essa mensagem que chamamos de Evangelho, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm. 1:16, 17).

A cruz não apenas trás a idéia de redenção, mas também de identificação com o Senhorio de Cristo. Quem quiser ser um discípulo do Mestre, precisa está sob seu Reinado e Domínio, pois, “foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos” (Romanos 14:9). O apóstolo ainda explica que quando decidimos seguir a Cristo, nosso eu deve ser crucificado junto a ele. O próprio Jesus deixou isso claro quando afirmou que aquele que quiser salvar a sua vida teria de perdê-la por sua causa (Lc. 9:24). Tomar a cruz significa morrer para si mesmo, como explica o apóstolo: “julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2 Co 5.14-15).

Ora, a exigência de renúncia não é agradável. A mensagem da cruz provoca escândalo, perseguição e desdém (1 Co. 1:17,18), por isso gera muitos inimigos. Inimigos que se escondem fora e entre as trincheiras da Igreja. Quando Paulo escreveu sua carta aos filipenses, o fez com lágrimas porque encontrou entre eles inimigos da cruz de Cristo. Esse desabafo do apóstolo serve-nos como advertência e gera discernimento na guerra contras as hostes do mal.

Mas QUEM SÃO OS INIMIGOS DA CRUZ?

No texto aos filipenses 3:17-4-:1, Paulo dá algumas pistas:

1ª PISTA. Os inimigos da cruz “andam entre nós” v. 18. Parece inacreditável, mas os inimigos da cruz estão também entre as paredes do templo. Lembre do que Jesus comunicou na parábola do Joio e do Trigo. O joio seria semeado pelo inimigo às escondidas e nasceria junto ao trigo (Mt. 13:24-30).

2ª PISTA. “O destino dos inimigos da cruz é a perdição” v. 19a. Eles não são crentes. Não adoram a Deus em espírito e em verdade. Honram com os lábios, mas o coração está distante. Estão condenados ao inferno vivendo em meio a pessoas salvas.

3ª PISTA.O deus deles é o ventre” v. 19b. Não servem ao Deus Vivo, mas a si mesmos. O ventre neste versículo é o equivalente ao ego. Procuram satisfazer a vontade da carne e não a de Deus.

4ª PISTA. “A glória deles está na sua infâmia” v. 19c. Infame é uma pessoa desacreditada, não merecedora de crédito devido às más ações. Alguns sentem prazer em se sentir a “ovelha negra” da Igreja. Esses tais se fazem inimigos de Deus (Tg.4:4).

5ª PISTA. “Só preocupam com as coisas terrenas” v. v. 19d. São materialistas, não priorizam o reino de Deus, vivem sem considerar o Juízo. Esquecem que a vida é uma peregrinação, uma passagem com oportunidades para semear frutos que serão colhidos na eternidade.
Os inimigos estão fora e dentro da Igreja. Graças, porém, a Deus pelos amigos da cruz. Aqueles que entendem o sacrifício de Cristo e amam a mensagem do Evangelho. Estes se comprometem em proclamá-la, pois sabem que através da fé no Redentor, outras pessoas, antes inimigas, podem desfrutar da amizade com Deus.

QUEM SÃO OS AMIGOS DE DEUS?
O texto nos dá duas características:

1. Aqueles que têm consciência de que o seu lugar é os Céus. “A nossa pátria está nos céus” v. 20.

2. Os que anseiam a vinda do Senhor nos ares: “de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo v.20.

Como diz a canção Amigo de Deus (de Carlinhos Félix):

“Não existe nada melhor do que ser amigo de Deus.
Caminhar seguro na luz, desfrutar do seu amor.
Ter a paz no coração, viver sempre em comunhão
E assim, perceber a grandeza do poder de Jesus, o bom pastor”.

O QUE DEUS TEM PARA OS SEUS AMIGOS?
A vida eterna. A transformação desse corpo corruptível na semelhança de sua glória. Paulo transmite com grande convicção a certeza da glorificação dos amigos da cruz. Ele diz que Cristo “transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” v. 21.

Conscientes de tudo isso, nossa decisão deve ser a de aprofundar o relacionamento com o Deus Vivo. Amando a Jesus, obedecendo aos seus mandamentos, renunciando a vontades pessoais e proclamando a mensagem da cruz.

“Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor”. Fl. 4:1.
Pr. Alex Gadelha.

12 de fevereiro de 2008

Lições da Cachoeira

Martins é um município situado no Oeste Potiguar, à mais de 700 metros acima do nível do mar. A cidade é conhecida especialmente pela beleza dos vales serranos e por seu clima ameno. Lá habitam pouco mais de 8 mil pessoas, mas em feriados ou datas festivas o número cresce perceptivelmente. Cidade tranqüila, onde se caminha à noite com a mesma segurança do dia. O eco-turismo também é explorado, as digitais de Deus estão impressas abundantemente naquela região. Os pontos mais conhecidos são a Pedra do Sapo, os mirantes do Canto e da Carranca, a Casa de Pedra e as duas cachoeiras.

Martins é um pequeno paraíso onde durante quatro dias desfrutamos do frio e de suas belezas naturais. No retiro que passamos ali, não apenas descansamos das fadigas da “cidade grande”, mas também tivemos oportunidades de aprender sobre Deus e sobre nós mesmos.

Uma das lições reafirmadas foi a de que o que faz um ambiente agradável não são as paisagens, mas as pessoas. As paisagens com o decorrer do tempo perdem o encantamento, passam pelo processo de psicoadaptação, ao contrário das pessoas que nos mostram a surpreendente dinâmica dos relacionamentos. Diante de belas paisagens, não podemos esquecer que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Nós somos a obra-prima.

Mas a experiência mais marcante foi a caminhada até as cachoeiras. Depois de andar por um bom pedaço de chão, contemplamos e mergulhamos na primeira cachoeira. Ali oramos, cantamos e presenciamos o batismo de Daniel Veríssimo e de Flávia Maiara, ambos obedeceram ao mandamento do Mestre de descer às águas. E as emoções só estavam começando. Nosso intento era o de chegar à segunda queda d’água. Só que o ímpeto de chegar até lá causou alguns desconfortos e erros de estratégia que nos dividiram em quatro grupos.

O grupo mais apressado partiu gastando fôlego e esquecendo os que para trás ficaram. O resultado foi que erraram o caminho da esquerda e andaram uma distância três vezes maior que a necessária. Como tinham muito vigor, voltaram, se encontraram com o grupo a que pertenciam, mas logo a curiosidade fez com que o abandonasse segunda vez. No final, frustrados, não tiveram a visão do fio das águas que se estendia pelo lajedo.

O grupo que estava na cola dos apressados começou a cansar, faltou fôlego, pernas tremeram. Apesar do cansaço e desorientação, ainda tiveram motivação para rir, questionar limites, superar medos, confessar erros e expressar preocupação com a segurança dos outros. E mesmo em meio à mata e ao suor, existia um sentimento de que tudo iria terminar bem.

O primeiro grupo a desistir foi prudente. Quando sentiram o desgaste do corpo perceberam a hora de voltar e nos ensinaram como é importante reconhecer os próprios limites e não ter vergonha de voltar ao lugar seguro. “Os planos mediante os conselhos têm bom êxito; faze a guerra com prudência” dizia o sábio Salomão.

Mas ninguém chegou à segunda cachoeira? Entre pedras e muito suor, um grupo alcançou o seu objetivo. É bem verdade que alguns passaram mal, mas o fato de continuarem juntos favoreceu a conquista das águas. A tensão e o esgotamento físico também chegaram lá. Vômitos, oscilações de pressão, tonturas, câimbras e estresse fizeram parte do feito. Em meio a tudo isso, alguns apontaram culpados, outros sorriram e ainda outros choraram, todos chegaram. Situações assim revelam como somos diferentes e como reagimos de diferentes maneiras.

As experiências foram didáticas. Uma delas serviu para ensinar que a comunhão deve ser cultivada independente das circunstâncias. Outra nos chamou a atenção para a necessária prudência diante de um desafio desconhecido. Mas a melhor delas foi a consciência de que Deus está conosco em todas as circunstâncias.

Pr. Alex Gadelha

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