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6 de maio de 2008

A Teologia da Espiritualidade Cristã

Entre o Visível e o Invisível



Quando pensamos em um tema como “a teologia da espiritualidade cristã”, tentamos pautar valores e formas na relação do espírito humano com Deus. Isso devido as múltiplas ofertas de “espiritualidade” que encontramos no mercado religioso, principalmente nas prateleiras evangélicas.
De um lado, existe no caldeirão sincrético brasileiro um tipo de espiritualidade que podemos denominar corporativa: são mantras, velas, correntes e orações como meios de alcançar sucesso nos negócios ou criar uma atmosfera zen no ambiente profissional. Sem falar no misticismo das cartas, búzios e cristais, superstições voltadas principalmente para a área emocional.
Do outro lado está a espiritualidade “gospel”, que mais se identifica com uma cultura de consumo do que com a ética derivada dos ensinos de Cristo. Tal cultura favorece os mercadores da religião, que lucram com um tipo de fé burra e impulsiva. Os produtos oferecidos vão desde liturgias de massa, até amuletos da fé, como chaveiros, caixinhas de promessas, bíblias nos mais diversos formatos, modelos suficientemente irreconhecíveis ou disfarçáveis. O problema não é a forma das bíblias e da liturgia, mas a indiferença ao seu conteúdo, principalmente, o esquecimento da essência registrada em suas páginas e da prática exigida na vida do leitor.
Tais “espiritualidades” apóiam-se na fé inflamada pelos símbolos, ou seja, precisam do visível para crer no invisível. É a idéia do ver para crer, uma forma de ceticismo revestida de prudência, onde a segurança dos sentidos é defendida em detrimento da fé. No entanto, não podemos negar que a espiritualidade possui seu lado visível. Pois a comunhão do nosso ser com Deus, evidencia-se em ações, práticas e palavras coerentes com o modelo que Jesus nos deixou. Como a Lei que gere o cristianismo não pode ser cumprida na individualidade, a espiritualidade cristã deve primar pela experiência em comunidade e por uma relação amorosa com o mundo sem Deus. Assim sendo, a saúde de nosso espírito se mostra quando satisfaz a vontade de Deus na prática do bem ao próximo. É um princípio presente em toda a Revelação, especialmente nos escritos do Novo Testamento.
O apóstolo João, por exemplo, fala da impossibilidade de amar ao Deus Invisível sem amar ao irmão a quem vê: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (I Jo. 4:20, 21).
Já Tiago critica a inutilidade de palavras “abençoadoras” não acompanhadas de gestos de amor. O seu ensino nos desafia a mostrar a fé invisível através da visibilidade das obras. “Mas alguém diz: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as minhas obras, te mostrarei a minha fé” (Tg. 2:18).
Jesus também mostrou perfeitamente equilíbrio na relação invisível-visível. Ele cultivou momentos reservados de devoção a Deus (Mt.14:23) e também revelou seu amor ao Pai em suas atitudes (Jo.14:31). A característica marcante do relacionamento de Jesus era sua contínua submissão, o prazer em fazer a vontade de Deus.
Portanto, perceba que não há como separar espiritualidade de vida prática. O relacionamento invisível do nosso ser com Deus evidencia-se através do bem que praticamos por meio do corpo (2ª Cor. 5:10).
Pr. Alex Gadelha

Quando Deus Pensou em Você

A Bíblia nos mostra que Deus é o Criador de todas as coisas, o Senhor do Universo e o Juiz de todos os homens. É Onipotente, Onisciente e Onipresente, adorado pelos anjos e cercado de Glória e Majestade desde a eternidade. Ele é o Único Ser Auto-Suficiente, não precisa de nada ou ninguém para existir. Independente do que pensemos a Seu respeito, se cremos ou não em Sua Pessoa, Deus continua sendo Deus e nada roubará ou suprimirá a Sua Excelência e Domínio. Ele é necessário, por isso todos os homens em todos os lugares concebem, de uma forma correta ou equivocada, a idéia de um Ser Supremo, a Quem atribuem tanto a ordem como até mesmo o caos no mundo. Sendo Deus tão Sublime e Magnificente, o que pretendia quando criou o homem? Quando permitiu que cada um de nós viesse à existência?

Quando Deus pensou em você, pretendia criar um ser com quem pudesse estabelecer um profundo relacionamento e a quem abençoaria com uma vida eterna de perfeição e satisfação plena. Quando o Senhor criou o homem, Ele estava compartilhando de Si mesmo, doando amor (1ª Jo. 4:19). Mas o que aconteceu? Não temos satisfação plena, pelo contrário, somos extremamente limitados, frágeis, corpos que se decompõem (Gn. 3:19). Não entendemos integralmente o universo em que vivemos, procuramos respostas até mesmo para as coisas mais insignificantes, aliás, somos seres carentes de respostas, em constante crise de direção, às vezes nos sentindo perdidos e solitários, como se a existência fosse um grande mar e nós estivéssemos ali, no meio dele, nos perguntando: que direção devo tomar?

O pecado transtornou a vida e “adiou” o propósito de Deus para a humanidade. Quando Adão pecou, todos nós pecamos, todos herdamos sua natureza pecaminosa e seguimos voluntariamente os seus caminhos de rebelião (Rm. 5:12). Estamos constantemente colhendo o fruto de nossas transgressões, de vícios e orgulho, práticas que nos tornam escravos de um ego carrasco que impede de nos aproximar da luz.

E agora? Falhei com Deus, isso significa que Ele me abandou e me jogou no mar da existência? Absolutamente não! Por Deus ter pensado em você, também planejou desde os tempos eternos a solução para o maior de seus problemas: a condenação do pecado. “Porque Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). A Pessoa de Jesus Cristo é a expressão exata do amor que Deus dedica a você. Quando o Senhor esteve entre nós, curou enfermos, expeliu demônios, manifestou poder sobre a natureza, além de ensinar e viver entre os homens o perdão, o amor e a verdade. Nunca foi conivente com o pecado, mas sempre estava disposto a dar mais uma chance, a dizer “vá e não peques mais” (Jo. 8:11). Com a sua morte na cruz e sua ressurreição, o Filho de Deus tornou possível aos homens a oportunidade de serem salvos pela graça (Jo.3:16). Ele sabe que a nossa divida espiritual não poderia ser paga por nós mesmos. Nossas transgressões nos afastam do Criador, nossas boas obras não são proporcionais aos nossos pecados. Só alguém impecável poderia assumir a dívida e foi por isso que Jesus morreu na cruz do calvário, para nos resgatar da condenação ao inferno. “O Justo pelos injustos” (1ª Pe. 3:17).

Jesus sofreu as dores da crucificação porque pensou em você (Lc. 23:34). Esta é uma verdade que não basta apenas ouvir, deve ser crida, vivenciada. Como isto acontece? Acontece quando após ouvir as boas novas de salvação, o evangelho da graça, você toma consciência de sua situação espiritual (condenado), reconhece a morte vicária (em seu lugar) de Cristo e, arrependido, o confessa como seu Único Senhor e Salvador (Rm. 10:9, 10). O resultado de sua decisão será manifesto em uma vida de fé e obediência ao Mestre, na certeza de salvação e no reencontro do sentido da vida (Jo. 14:6).

Deus pensa em você, não tenha dúvida disso. O Seu projeto inicial de ampliar Sua esfera de amor persiste ainda hoje. É por isso que o mundo ainda subsiste; foi por isso que o Dilúvio não exterminou a todos; que o remanescente de Israel perdurou; que os profetas foram enviados; que Jesus sacrificou a sua vida, estabeleceu a Igreja e mandou que pregássemos o evangelho ao mundo. Deus providenciou que sua Palavra fosse registrada na Bíblia porque pensou em você (Jo. 20:30, 31). E agora, neste momento, está disposto a te receber da forma como estás e não permitirá que continues o mesmo.

Pr. Alex Gadelha


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