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8 de outubro de 2008

Em Memória de Arlan Carlos Gadelha


Em um dia 05 de Outubro perdi meu irmão. Há três anos ele partiu e deixou sua cadeira vazia na família. Ele se foi de forma inesperada e dolorosa, num gatilhar de um revólver. Lembro-me que estava na Igreja, ministrando o estudo no culto de oração, quando recebi a notícia de que teria sofrido um acidente e estava no hospital. Só que ao chegar lá logo confirmei a triste intuição de que havia morrido. Foi um choque. Alguém com quem convivi durante quase toda a minha vida acabara de dar o último suspiro aos trinta e três anos. Naquele momento passou pela minha cabeça o famoso filme gerado pela memória, resgatando as muitas experiências que compartilhamos juntos: Os anos de guerra e paz, de escassez e abundância, de tristezas e alegrias, de incredulidade e de fé. Sobrevivemos dois anos juntos em uma casa que evocava solidão.

Superamos muitos desafios, até que encontramos nossas amadas e decidimos nos casar, ele uma semana antes do que eu. Tivemos naturalmente de nos separar. O casamento e as responsabilidades nos distanciaram. Mas nesse ínterim ele se distanciou de Alguém que o amava mais do que qualquer outra pessoa. Ele se distanciou de Deus. Quando estava perto, ganhou almas, serviu em ministérios, abençoou e foi abençoado. Mas enquanto esteve longe, a aparente tranqüilidade escondia pecados e perigos. Viver longe de Deus é perigoso.

Hoje, quando me pergunto sobre quem matou meu irmão várias respostas surgem à mente: Primeiro, a maldade de um pai, um filho e um pistoleiro que na ganância pelo dinheiro fácil o assassinaram em meio a um jogo de falsidade, frieza e crueldade. Penso nos três dolorosos projéteis que perfuraram o seu corpo. Mas não ignoro a sua própria ganância e a busca por um status ilusório que o seduziu e o derrubou. Ainda penso na permissão de Deus, que é Justo Juiz, que não se deixa escarnecer, que pode disciplinar com a morte um filho a quem ama.

Quando perdemos alguém que amamos sempre nos vem aquela sensação de que poderíamos ter feito algo para evitar. Mas, nos final das contas, somos responsáveis pelos próprios atos. Cada um dará contas de si mesmo diante de Deus. Não podemos lançar sobre os outros os nossos erros e as conseqüências deles.

A morte de meu irmão além de esfaquear o coração da família, também gerou oportunidades de glorificar a Deus. Ao redor do caixão toda a família se reúne. E devido a um constrangido velório na Igreja Católica da cidade de Alexandria, tive a oportunidade de expressar minha esperança em Cristo e de pregar sobre a graça de Deus a um povo escravizado pela idolatria. As reações foram diversas, alguns se retiraram murmurando, outros se espantaram com tamanha ousadia e ainda o sacerdote baixou o hospital. Tenho plena convicção de que a verdade que liberta também incomoda e causa mal-estar em pessoas que vivem mergulhadas no erro. Mas também creio que quando é aceita e crida na pessoa de Jesus produz alegria, segurança e vida, vida eterna.

A memória de meu irmão continua viva em mim. No entanto, não vivo subjugado pelas recordações nem amargurado por um sentimento de ódio pelos assassinos. Quando penso em Arlan, tenho saudades de sua presença, sinto-me conformado porque creu em Jesus e desfruto das certezas que pregava. Quando penso no meu irmão, sou apaziguado pela esperança de reecontrá-lo, porque sei que aquele que crê em Jesus, ainda que morra, viverá.


Pr. Alex Gadelha

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