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20 de junho de 2010

Deus Nunca Deixou de Falar

No início, havia uma íntima comunhão entre Deus e o homem. Adão e Eva ouviam a voz do Criador de bom grado, de forma clara, sem mediadores. Após a queda, a intimidade foi quebrada e quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim” (Gn. 3:8). O Senhor estava a “procurar” o homem, tomando a iniciativa da reconciliação: “Onde estás?” Desta vez, a voz do Senhor não gerou segurança em Adão, mas medo. Por quê? Porque o pecado gera medo e nesta situação a tendência humana é esconder-se.
  
Enquanto o homem procura fugir, Deus revela o seu desejo amoroso de restaurar a comunhão e o bem de sua criação. Neste propósito, Ele passou a usar homens fiéis como megafones de sua vontade: Falou por meio de Noé, de Abraão, Isaque e Jacó, José, Moisés, juizes, reis e profetas. Ainda falou por meio de visões, sonhos, revelações, usou também fenômenos da natureza e até mesmo animais (a jumenta de Balaão, os corvos de Elias, a Baleia de Jonas, os leões de Daniel). Muitos dos profetas tiveram a incumbência de deixar registrados em pergaminhos os fatos que presenciaram e aqueles que foram dados por meio sobrenatural. Deste registro escrito, formou-se o Velho Testamento ou a Antiga Aliança, contendo 39 livros.

Depois do livro de Malaquias, o último dos mensageiros da Lei, Deus calou-se, no sentido de não levantar nenhum profeta para falar diretamente ao povo. Foram cerca de quatrocentos anos de silêncio profético. Durante este período, o povo de Israel esteve nas mãos de nações pagãs, algumas, como a Síria, impuseram suas crenças, outras toleravam o judaísmo, como foi o caso do Império Romano. Com a vinda do Messias, o Senhor nunca esteve tão próximo do homem em toda a história. Jesus, Deus encarnado, falava as palavras que o Pai havia ensinado (Jo. 8:28). Era Deus falando com o homem face a face, olho no olho. Mesmo assim, os corações endurecidos resistiram em aceitar as verdades que Jesus ensinava. Como Adão, esconderam-se por trás da agressividade, da indiferença e até mesmo da covardia. Em Jesus, Deus falou não apenas de seu amor, mas também de sua justiça e sua ira contra aqueles que se mantêm rebeldes ao evangelho (Jo. 3:36).

Após a ascensão do Senhor e o amadurecimento da Igreja, Deus tornou a usar o método do registro escrito para falar aos homens. Então, inspirando cerca de 10 escritores, deixou sua Nova Aliança impressa em 27 livros. Além dos quatro evangelhos, o Novo Testamento é composto de um livro histórico (Atos dos Apóstolos), 21 epístolas e um livro profético (Apocalipse). A conclusão da Antiga e Nova Aliança, aconteceu num período de 1.600 anos, formando o cânon de 66 livros, a Bíblia tal como a conhecemos hoje.

 “Pode se dizer que jamais outro livro foi tão amado e ao mesmo tempo tão odiado quanto a Bíblia!”. Ela é a voz de Deus escrita por homens santos, ao acesso de toda a humanidade, o principal meio pelo qual Deus fala hoje. Em Hebreus 1:1,2 diz que “havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho...”. Mas como ouvir ao Filho hoje? A resposta Ele mesmo disse: “Examinais as Escrituras, porque cuidais encontrar nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo. 5:39). 

 Pr. Alex Gadelha

9 de junho de 2010

A Voz De Deus

“Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn.1:3). Este é o primeiro registro na história que menciona a força da palavra de Deus. A expressão revela o Seu poder criador como também marca o início da manifestação de Seu caráter ao mundo (Sl.19:1-4). O livro de Gênesis nos diz que Deus ordenou a existência da luz e de todo o exército celestial e terrestre. Esta verdade está espalhada por toda a Bíblia. O salmista escreveu: “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles” (Sl. 33:6); o evangelista João disse que “sem ele (o Verbo/a Palavra), nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3); o escritor aos hebreus coloca a voz de Deus como resposta para a criação: “pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb. 11:3).

Depois da criação do universo, Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida (Gn. 2:7). Quando a obra estava concluída, a voz do Senhor assumiu caráter orientador na relação do homem com a criação e com Ele mesmo. Com relação à criação, Deus os abençoou e lhes disse que deveriam se multiplicar e governar a terra como mordomos, extraindo apenas o necessário para sobrevivência. A função do homem no plano de Deus não consistia em degradar, mas cultivar e guardar o Éden (Gn. 2:15). No que diz respeito ao relacionamento com Deus, o homem recebeu a liberdade de comer de todas as árvores, estando restrito apenas ao consumo da árvore do conhecimento do bem e do mal. Com esta ordem o Senhor estabelecia uma aliança com direitos e deveres.

Percebendo a solidão de Adão, Deus ainda lhe concedeu mais uma benção: Eva. A criação estava pronta e a relação entre Adão, Eva e Deus foi perfeita, enquanto inclinaram os ouvidos somente à Sua voz. Quando uma quarta voz se fez presente no Jardim e quando Eva a atendeu, aconteceu o desastre: Eles comeram do fruto proibido e trouxeram sobre a terra e sobre si mesmos maldição e punição. O pecado entrou no mundo, a relação com o Criador foi abalada e os ouvidos dos homens tornaram-se relutantes à voz de Deus. 

O pecado gerou uma confusão de vozes e o homem, desnorteado, ainda vive em crise de direção, procurando o sentido da vida, algo que preencha o vazio da alma e que garanta a paz consigo, com os outros e com Deus. Nesta busca, segue vários sons, vindos de diversos lugares: alguns da ciência, outros da religião, ainda outros do misticismo, da cultura humanista e do intelectualismo ateu. À princípio, parecem caminhos agradáveis, mas ao fim são caminhos de morte e morte eterna (Pv. 14:12; 1:32, 33). O fato é que a voz do Senhor nem sempre é apreciada. Quando Jesus confrontava o pecado, a reação dos ouvintes era diversa:   
  • Alguns resistiam: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” (Jo. 6:60);
  • Outros tremiam: “Nunca ouvimos ninguém falar como este homem” (Jo. 7:46);
  • E havia aqueles que se revoltavam, como foi o caso dos assassinos de Estevão (At 7:57).
  • A voz de Deus é impactante, principalmente na vida de quem o teme e o reverencia: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl. 25:14).

Hoje Deus continua a nos falar de diversos modos, cabe-nos buscar Sua intimidade para ouvi-lo claramente. E um passo importante é cultivar a sensibilidade, reconhecendo que Ele continua a ensinar os caminhos da justiça e conduzir a pastos verdejantes e águas tranqüilas (Sl. 23:2). Ele prometeu: “o que me der ouvidos habitará seguro, tranqüilo e sem temor do mal” (Pv. 1:33).
Alex Gadelha

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