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9 de junho de 2010

A Voz De Deus

“Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn.1:3). Este é o primeiro registro na história que menciona a força da palavra de Deus. A expressão revela o Seu poder criador como também marca o início da manifestação de Seu caráter ao mundo (Sl.19:1-4). O livro de Gênesis nos diz que Deus ordenou a existência da luz e de todo o exército celestial e terrestre. Esta verdade está espalhada por toda a Bíblia. O salmista escreveu: “Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles” (Sl. 33:6); o evangelista João disse que “sem ele (o Verbo/a Palavra), nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3); o escritor aos hebreus coloca a voz de Deus como resposta para a criação: “pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb. 11:3).

Depois da criação do universo, Deus formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida (Gn. 2:7). Quando a obra estava concluída, a voz do Senhor assumiu caráter orientador na relação do homem com a criação e com Ele mesmo. Com relação à criação, Deus os abençoou e lhes disse que deveriam se multiplicar e governar a terra como mordomos, extraindo apenas o necessário para sobrevivência. A função do homem no plano de Deus não consistia em degradar, mas cultivar e guardar o Éden (Gn. 2:15). No que diz respeito ao relacionamento com Deus, o homem recebeu a liberdade de comer de todas as árvores, estando restrito apenas ao consumo da árvore do conhecimento do bem e do mal. Com esta ordem o Senhor estabelecia uma aliança com direitos e deveres.

Percebendo a solidão de Adão, Deus ainda lhe concedeu mais uma benção: Eva. A criação estava pronta e a relação entre Adão, Eva e Deus foi perfeita, enquanto inclinaram os ouvidos somente à Sua voz. Quando uma quarta voz se fez presente no Jardim e quando Eva a atendeu, aconteceu o desastre: Eles comeram do fruto proibido e trouxeram sobre a terra e sobre si mesmos maldição e punição. O pecado entrou no mundo, a relação com o Criador foi abalada e os ouvidos dos homens tornaram-se relutantes à voz de Deus. 

O pecado gerou uma confusão de vozes e o homem, desnorteado, ainda vive em crise de direção, procurando o sentido da vida, algo que preencha o vazio da alma e que garanta a paz consigo, com os outros e com Deus. Nesta busca, segue vários sons, vindos de diversos lugares: alguns da ciência, outros da religião, ainda outros do misticismo, da cultura humanista e do intelectualismo ateu. À princípio, parecem caminhos agradáveis, mas ao fim são caminhos de morte e morte eterna (Pv. 14:12; 1:32, 33). O fato é que a voz do Senhor nem sempre é apreciada. Quando Jesus confrontava o pecado, a reação dos ouvintes era diversa:   
  • Alguns resistiam: “Duro é este discurso, quem o pode ouvir?” (Jo. 6:60);
  • Outros tremiam: “Nunca ouvimos ninguém falar como este homem” (Jo. 7:46);
  • E havia aqueles que se revoltavam, como foi o caso dos assassinos de Estevão (At 7:57).
  • A voz de Deus é impactante, principalmente na vida de quem o teme e o reverencia: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl. 25:14).

Hoje Deus continua a nos falar de diversos modos, cabe-nos buscar Sua intimidade para ouvi-lo claramente. E um passo importante é cultivar a sensibilidade, reconhecendo que Ele continua a ensinar os caminhos da justiça e conduzir a pastos verdejantes e águas tranqüilas (Sl. 23:2). Ele prometeu: “o que me der ouvidos habitará seguro, tranqüilo e sem temor do mal” (Pv. 1:33).
Alex Gadelha

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