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25 de setembro de 2011

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou



      Um pássaro que vive muito tempo em uma gaiola, não consegue enxergar a porta aberta. E mesmo que passe por ela, tende a voltar, pois se acostumou a enxergar o mundo entre arames. Os gálatas podiam ser comparados a pássaros que ganharam a liberdade, mas que insistiam em voltar para a gaiola. Vamos entender um pouco o contexto dessa história: A Galácia era uma província romana situada na região da Ásia menor, onde o apóstolo Paulo fundou várias igrejas por volta dos anos 45-48 d.C. Cerca de 10 anos depois, alguns mestres judaizantes se infiltraram nas igrejas, conquistando o zelo dos irmãos e impondo a guarda da lei, especialmente a circuncisão como requisito para salvação. Estando informado da situação, Paulo escreveu repreendendo os gálatas e defendendo de forma irrefutável a salvação pela graça e a liberdade cristã. Em vários trechos da epístola explicou que “por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl. 2:16; 3:11; 5:6; 6:15). Logo no início da carta, o apóstolo mostrou sua surpresa diante da facilidade com que os crentes daquela região estavam passando do evangelho da liberdade em Cristo para o da opressão da lei. Estavam pondo novamente sobre si o jugo da escravidão, trancando a cela pelo lado de dentro, retornando aos rudimentos fracos e pobres do passado de religiosidade.

          Essa situação vivida há séculos não difere muito da estrutura de algumas igrejas ditas “evangélicas” que ainda distorcem o “evangelho” para manipular e dominar pessoas. São instituições que ao invés de restaurar a vida das pessoas, acabam por adoecê-las por meio de um legalismo imposto de forma sutil ou explicita. Esses grupos pseudocristãos menosprezam todo o conhecimento que se diz cientifico, conluiam-se a candidatos e partidos ao invés de construírem uma consciência política ética e cidadã. Alguns até usam a vinda de Cristo como instrumento de alienação social. Pensam e pregam: “se Cristo está próximo, então não vale apenas investir nos estudos, na profissão ou na aquisição de bens”. Dessa forma impedem a socialização de seus membros, a criação de laços de amizade e compaixão, consequentemente, a divulgação das boas novas nos diversos meios, classes e lugares.  

O cristão consciente de seu lugar no mundo e livre pelo conhecimento de Deus sabe que todas as suas conquistas convergem para a expansão do Reino de Jesus. Ele trabalha não simplesmente pelo sustento, mas também pelo desejo de investir no crescimento do número de salvos pelo Evangelho; ele assume a cidadania porque luta pela liberdade da fé; pode envolver-se na política assumindo o desafio de ser diferente, não se corrompendo, mas sendo honesto e íntegro. O cristão que experimenta da liberdade conquistada na cruz não é um alienado social, mas quer está contextualizado para a evangelização do mundo. Entende que somos livres! Deus nos chamou para a liberdade, não para pecar, mas para viver a vida abundante que Ele prometeu em Cristo.

A liberdade é um tema polêmico, especialmente quando a fé está envolvida. Quando não se está consciente dela, alguns se tornam presas fáceis de egomaníacos que oprimem as ovelhas com seus “achismos”. Em contrapartida, outros em nome da mesma liberdade, cultivam uma permissividade que conduz ao pecado. Na fronteira, entre os extremos, está o bom senso pautado nas Escrituras. São poucos que o encontram, porque poucos são os que têm humildade para reconhecer conceitos que foram formados em opiniões pessoais ou culturais, não em bases bíblicas. Aliás, fundamentação bíblica possui somente quem mergulha na leitura e no ruminar da Palavra. Alguém que se alimenta apenas de púlpitos ou de simples teologia tem um discernimento infantil, por não exercitar suas faculdades (mente, emoção e vontade) (Hb.5:13, 14). Assuntos como tamanho e forma de roupas, estilos e ritmos de música, dança, gestos, ocupam lugar especial no trono da intolerância dos enclausurados pela tradição religiosa.


A liberdade que o Evangelho oferece foi conquistada na cruz com o amor e o sangue do Filho de Deus. Ignorar os seus ensinamentos e abraçar preceitos e doutrinas humanas é uma escolha insensata por escravizar a alma às más intenções de homens impiedosos. Por isso, é necessário um senso de vigilância que nos proteja das heresias e uma prática de estudo bíblico e oração que consolide a nossa fé. A exortação de Paulo aos gálatas continua viva e aplicável em nossas vidas: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl. 5:1).
            
Pr. Alex Gadelha

12 de setembro de 2011

Bartimeu



Marcos 10:46-52 / Lucas 18:35-43

         
      Quando escuto ou leio o texto que narra a cura do cego no caminho de Jericó, sinto-me estimulado pelo seu exemplo de fé, vontade e decisão. Bartimeu era um homem que vivia à margem da sociedade, isso porque em seu tempo qualquer tipo de deficiência ou necessidade especial era interpretado como consequência dos próprios pecados ou das gerações precedentes (Jo. 9:2). Bartimeu possuía família, pois o nome de seu pai Timeu é mencionado, no entanto, vivia como mendigo. Talvez seus parentes não se importassem com ele. Os seus olhos derramavam lágrimas em resposta à humilhação e a solidão. Posso imaginar suas mãos estendidas, suas roupas moribundas, sua voz clamando pela sobrevivência. Bartimeu parecia ter motivos suficientes para viver em um fel de amargura, sem fé nem esperança. 
      No entanto, Bartimeu, como a maioria dos que não possuem o sentido da visão ocular, desenvolveu uma capacidade que poucos possuem: Ouvir. Seus ouvidos eram sensíveis, acurados e investigativos. Certa manhã seu coração agitou-se quando ouviu tão numerosos passos de uma só vez. Algo incomum naquele povoado situado na planície do rio Jordão estava acontecendo. “E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo”. (Lc. 18:36).
      - O que é isso? Estamos sendo atacados? É uma revolta contra o império romano? Por que tanta correria? Quem está chegando? “Anunciaram-lhe que era Jesus, o Nazareno” (Lc. 18:37). Bartimeu com seus ouvidos curiosos já ouvira falar sobre o nome de Jesus e com certeza tinha bem guardado em sua memória auditiva muito de seus milagres: os coxos andam, os mudos falam, os surdos ouvem, os cegos vêem! Os cegos vêem? Sim, os cegos vêem! Vou procurar a Jesus, vou clamar até perder a minha voz, é minha oportunidade! É este o homem que pode me libertar das trevas!
      “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim! Jesus filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc. 10:47, 48). Bartimeu conhecia a promessa da vinda do Messias, pois clamava usando um dos títulos messiânicos de Jesus. “E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse” (Lc.18:39).       Quando queremos nos aproximar do Mestre sempre há quem se sinta incomodado, censurando e querendo formar uma barreira de desânimo. Mas nunca devemos desistir de procurar uma vida mais profunda com Deus.
      “Mas ele cada vez gritava mais...” (Mc. 10:48). O cego mendigo estava determinado a encontrar-se com o Mestre e nada iria lhe impedir. Sua alma estava tomada de convicção, força, disposição, esperança, vontade, fé.
      E, assim, o clamor de alguém desejoso pela cura conseguiu interromper por um precioso instante a caminhada de Cristo a Jerusalém: “Parou Jesus”. Não somente parou, mas centrou toda a sua atenção em Bartimeu: “Chamai-o”. Depois de tanta insistência e resistência dos discípulos, Bartimeu ouviu algo maravilhoso: “Têm bom ânimo; levanta-te, ele te chama” (Mc. 10:49). Jesus não foi em sua direção, chamou-o e queria dele a ação de ir ao seu encontro. A resposta foi imediata: “lançando de si a capa, levantou de um salto e foi ter com Jesus”. (Mc. 10:50). A velha capa foi lançada na estrada poeirenta, não iria precisar mais dela para se proteger do sol ou da chuva, seu habitat não seria mais o caminho de Jericó. Sua fé se expressa no salto em direção ao Senhor. Ele atendeu o chamado de Jesus!
      Mas ao aproximar-se, o Senhor lhe fez uma pergunta que parecia boba: “Que queres que eu te faça?” (Mc. 10:51).  “É evidente que quero ter minha visão de volta” poderia ser a resposta. Mas a indagação tinha um propósito. Jesus queria ouvir de seus lábios o desejo de seu coração. É incrível perceber que nas Escrituras o próprio Deus provoca a vontade do homem. Chamando-lhe “Mestre”, Bartimeu humildemente pede o que havia perdido: “Que eu torne a ver” (Mc. 10:52). Ele conseguiu o que tanto almejava: Seus olhos se abriram e a primeira face em sua frente foi a de Seu Mestre: “Vai, a tua fé te salvou”. Você esta livre, está curado. Jesus exalta a fé salvadora. E Bartimeu, diferente dos nove leprosos que não voltaram nem sequer para agradecer a cura (Lc. 17:11-19), continuou ao lado Jesus, seguindo-o estrada fora.

      Uma das virtudes notáveis de Bartimeu foi a sua determinação. Como a viúva na parábola do juiz iníquo que o importunou por justiça até ser atendida (18:1-8), assim foi ele em busca de sua cura. Ora, Deus fala por boca do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” Jr.29:13. Quando queremos nos aproximar de Deus, alguns tentam nos barrar com duras críticas, piadas, acusações (2ª Tm. 3:12). Mas se realmente estamos determinados em buscar a face de Cristo, nada nos impedirá, vamos romper todas as barreiras por meio da fé. O clamor honesto e consciente de um homem faz o Senhor parar e inclinar os ouvidos à sua oração. (2ª Cr. 7:14). O Senhor não cura quem não quer ser curado, nem salva quem não está interessado em salvação. “Os sãos não precisam de médico” (Mt. 9:12; Lc. 19:10). E se Bartimeu não fosse curado? O fato de ouvir a voz do mestre e ter a sua carinhosa atenção já poderia ser considerado o maior milagre de sua vida.

Pr. Alex Gadelha


Escute (e veja também) essa canção:

“Deixando as coisas de menino...”



1ª Co. 13:11

      O apóstolo Paulo, homem culto e inspirado, usou a metáfora do desenvolvimento biológico e psíquico para exortar aos crentes de Corinto sobre a necessidade de crescer espiritualmente. No capítulo três, considerou-os como crianças em Cristo, porque não tinham desenvolvido a salvação, mas estagnaram-se em práticas infantis: Eram ciumentos e contenciosos, usavam os dons como forma de autopromoção, lutavam por status, havia queixas, discussões sobre alimentos, irresponsabilidade moral, espírito vingativo, precipitação e egoísmo.

         O capítulo 13 da mesma carta mostra o caminho da maturidade. De forma clara e objetiva Paulo definiu a importância e os frutos do amor: paciência, benignidade, confiança, humildade, bom senso, generosidade, mansidão, perdão, justiça, verdade, firmeza e eternidade.

Amar como Jesus amou é o foco da maturidade cristã.

          No verso 11, o apóstolo incita à reflexão através do amadurecimento natural que todos nós experimentamos: a transição da infância à fase adulta. Da mesma forma que a criança cresce e deixa suas práticas infantis, assim também deve o cristão crescer espiritualmente e abandonar aquelas atitudes que refletem imaturidade. Ele explica que quando era menino se comportava como menino, mas quando atingiu a maioridade, desistiu de agir como menino, agora deveria falar, sentir e pensar como homem.

           Estas três faculdades destacadas podem ajudar a avaliar o nosso nível de amadurecimento pessoal-espiritual:
  • “Falava como menino...” – As palavras de uma criança de modo geral são precipitadas e sem conteúdo. É natural que as crianças falam de maneira repetitiva e atribuam demasiada importância a temas triviais.

  • “Sentia como menino...” – Crianças são susceptíveis, criam birras com facilidade, seus sentimentos dominam suas ações. Quando contrariadas, se comportam com intolerância. Raramente aceitam o “não” como resposta, ficam zangadas ou condoendo-se por dentro.  São vingativas, revidam à agressividade através do choro, gritos, tapas etc. Nesta fase existe uma ausência de domínio próprio acentuada, porque agem motivadas por paixões.

  • “Pensava como menino...” – Os primeiros anos de nossa existência são caracterizados pela assimilação de informações que vão garantir a sobrevivência e formação de nosso caráter. É neste período que idéias, crenças e valores são internalizados, por isso, não são estranhos em uma criança pensamentos superficiais e ingênuos sobre si mesmo, as pessoas e o mundo. No entanto, na fase adulta, exige-se pensamentos que demonstrem experiência e conteúdo. Tratando-se de vida espiritual, espera-se que o cristão desenvolva pensamentos virtuosos, centrados nas coisas do alto e não daqui da terra (Fl. 4:8; Cl. 3:2). Deus nos chama à transformação a partir da renovação de nossas mentes (Rm. 12:2), como também ao cultivo da mente de Cristo em nosso cotidiano (1ª Co. 2:16, Fl. 4:8).

    “Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Ao atingir a varonilidade, espera-se que um homem fale, sinta e pense de forma organizada, consistente e adulta. A tolice infantil deve ser substituída pela consistência no discurso; em lugar de precipitações, o domínio próprio; a verborragia precisa ceder espaço à palavras de conteúdo e edificação; o orgulho, vencido pela humildade.

     Enquanto se é menino, a sociedade tolera as coisas de menino, mas um adulto-infantil não é encarado com bons olhos. Homens se comportando como crianças causam desconforto e intolerância.

    Mas, para alguns, continuar “menino” traz supostos benefícios como ausência de responsabilidades, satisfação das vontades, cuidados especiais, proteção paterna etc. “Deixar” ou “desistir” das coisas de menino, envolve disposição para se desatrelar das comodidades da infância. “Crescer dói”, por isso poucos se esforçam em buscar a formação de um caráter sério e adulto. As pessoas têm medo de mudanças, principalmente das que exigem a saída do oásis do lar para as escaldantes areias do mundo. Agindo assim, semeiam uma personalidade acomodada, inoperante e covarde.

    A Igreja e o mundo precisam de “homens” que decidam resolutamente abandonar as coisas de menino.

Pr. Alex Gadelha

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