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12 de setembro de 2011

Bartimeu



Marcos 10:46-52 / Lucas 18:35-43

         
      Quando escuto ou leio o texto que narra a cura do cego no caminho de Jericó, sinto-me estimulado pelo seu exemplo de fé, vontade e decisão. Bartimeu era um homem que vivia à margem da sociedade, isso porque em seu tempo qualquer tipo de deficiência ou necessidade especial era interpretado como consequência dos próprios pecados ou das gerações precedentes (Jo. 9:2). Bartimeu possuía família, pois o nome de seu pai Timeu é mencionado, no entanto, vivia como mendigo. Talvez seus parentes não se importassem com ele. Os seus olhos derramavam lágrimas em resposta à humilhação e a solidão. Posso imaginar suas mãos estendidas, suas roupas moribundas, sua voz clamando pela sobrevivência. Bartimeu parecia ter motivos suficientes para viver em um fel de amargura, sem fé nem esperança. 
      No entanto, Bartimeu, como a maioria dos que não possuem o sentido da visão ocular, desenvolveu uma capacidade que poucos possuem: Ouvir. Seus ouvidos eram sensíveis, acurados e investigativos. Certa manhã seu coração agitou-se quando ouviu tão numerosos passos de uma só vez. Algo incomum naquele povoado situado na planície do rio Jordão estava acontecendo. “E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo”. (Lc. 18:36).
      - O que é isso? Estamos sendo atacados? É uma revolta contra o império romano? Por que tanta correria? Quem está chegando? “Anunciaram-lhe que era Jesus, o Nazareno” (Lc. 18:37). Bartimeu com seus ouvidos curiosos já ouvira falar sobre o nome de Jesus e com certeza tinha bem guardado em sua memória auditiva muito de seus milagres: os coxos andam, os mudos falam, os surdos ouvem, os cegos vêem! Os cegos vêem? Sim, os cegos vêem! Vou procurar a Jesus, vou clamar até perder a minha voz, é minha oportunidade! É este o homem que pode me libertar das trevas!
      “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim! Jesus filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc. 10:47, 48). Bartimeu conhecia a promessa da vinda do Messias, pois clamava usando um dos títulos messiânicos de Jesus. “E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse” (Lc.18:39).       Quando queremos nos aproximar do Mestre sempre há quem se sinta incomodado, censurando e querendo formar uma barreira de desânimo. Mas nunca devemos desistir de procurar uma vida mais profunda com Deus.
      “Mas ele cada vez gritava mais...” (Mc. 10:48). O cego mendigo estava determinado a encontrar-se com o Mestre e nada iria lhe impedir. Sua alma estava tomada de convicção, força, disposição, esperança, vontade, fé.
      E, assim, o clamor de alguém desejoso pela cura conseguiu interromper por um precioso instante a caminhada de Cristo a Jerusalém: “Parou Jesus”. Não somente parou, mas centrou toda a sua atenção em Bartimeu: “Chamai-o”. Depois de tanta insistência e resistência dos discípulos, Bartimeu ouviu algo maravilhoso: “Têm bom ânimo; levanta-te, ele te chama” (Mc. 10:49). Jesus não foi em sua direção, chamou-o e queria dele a ação de ir ao seu encontro. A resposta foi imediata: “lançando de si a capa, levantou de um salto e foi ter com Jesus”. (Mc. 10:50). A velha capa foi lançada na estrada poeirenta, não iria precisar mais dela para se proteger do sol ou da chuva, seu habitat não seria mais o caminho de Jericó. Sua fé se expressa no salto em direção ao Senhor. Ele atendeu o chamado de Jesus!
      Mas ao aproximar-se, o Senhor lhe fez uma pergunta que parecia boba: “Que queres que eu te faça?” (Mc. 10:51).  “É evidente que quero ter minha visão de volta” poderia ser a resposta. Mas a indagação tinha um propósito. Jesus queria ouvir de seus lábios o desejo de seu coração. É incrível perceber que nas Escrituras o próprio Deus provoca a vontade do homem. Chamando-lhe “Mestre”, Bartimeu humildemente pede o que havia perdido: “Que eu torne a ver” (Mc. 10:52). Ele conseguiu o que tanto almejava: Seus olhos se abriram e a primeira face em sua frente foi a de Seu Mestre: “Vai, a tua fé te salvou”. Você esta livre, está curado. Jesus exalta a fé salvadora. E Bartimeu, diferente dos nove leprosos que não voltaram nem sequer para agradecer a cura (Lc. 17:11-19), continuou ao lado Jesus, seguindo-o estrada fora.

      Uma das virtudes notáveis de Bartimeu foi a sua determinação. Como a viúva na parábola do juiz iníquo que o importunou por justiça até ser atendida (18:1-8), assim foi ele em busca de sua cura. Ora, Deus fala por boca do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” Jr.29:13. Quando queremos nos aproximar de Deus, alguns tentam nos barrar com duras críticas, piadas, acusações (2ª Tm. 3:12). Mas se realmente estamos determinados em buscar a face de Cristo, nada nos impedirá, vamos romper todas as barreiras por meio da fé. O clamor honesto e consciente de um homem faz o Senhor parar e inclinar os ouvidos à sua oração. (2ª Cr. 7:14). O Senhor não cura quem não quer ser curado, nem salva quem não está interessado em salvação. “Os sãos não precisam de médico” (Mt. 9:12; Lc. 19:10). E se Bartimeu não fosse curado? O fato de ouvir a voz do mestre e ter a sua carinhosa atenção já poderia ser considerado o maior milagre de sua vida.

Pr. Alex Gadelha


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