31 de outubro de 2018

UMA REFLEXÃO SOBRE A DERROTA DO PT E A ELEIÇÃO DE JAIR MESSIAS BOLSONARO


O PT perdeu para si mesmo. Criou um sistema doutrinário que rotulou ao invés de dialogar. Faltou sensibilidade para perceber que a sociedade brasileira em sua grande maioria é conservadora, porque foi construída sob a égide de princípios cristãos. Ignorou que na democracia, a política é a ciência da governança, mas também a arte de conciliar interesses, com vistas a convivência pacífica e ao bem comum. Sendo assim, cometeu suicídio eleitoral ao fomentar movimentos e discursos que rotulavam de “fundamentalista” ou “intolerante” qualquer que tivesse visão de mundo contrária à sua. As ofensas à liberdade de expressão, crença e culto apenas fermentaram a ojeriza de milhares em cujas mãos estava o poder do voto. E estes acionaram-no para ensinar uma lição clássica: se há preconceito, não se deve combatê-lo com mais preconceito.

O pleito eleitoral mostrou que pessoas tomadas por convicções religiosas são fiéis aquilo que creem como verdades absolutas, mais do que a líderes carismáticos ou partidos políticos. Algumas delas estão dispostas a morrerem pelo que acreditam, independente de benefícios sociais que um governo possa lhes oferecer ou de cargos públicos que lhes garantam estabilidade financeira. E não adianta persegui-las ou continuar a discriminá-las, pois para estes crentes o padecer por causa da fé é uma virtude. Constranger pessoas assim é como oferecer-lhes ferro e cimento para a solidez de sua identidade.

É preciso reconhecer que a escrachada corrupção política e moral do PT, desde os mais altos escalões, revelou ideologias totalitárias, fortaleceu a direita conservadora, polarizou a política brasileira. E não existe programa social que sustente a fome por moralidade do brasileiro, pois mesmo que este viva uma prática incoerente com o discurso, continua a exigir ética e decoro de quem os governa. Este povo observou desconfiado o financiamento e conluio com ditaduras da américa latina e África; se escandalizou com corpos nus marcados por gestos e grafias obscenas em plena rua; assistiu o desrespeito contra símbolos e espaços religiosos; percebeu o aparelhamento e doutrinação ideológica em universidades públicas; acompanhou a investida na desconstrução de conceitos caros à sociedade, como o de família tradicional, heteronormatividade e infância; ouviu juízes, tribunais, instâncias judiciárias e o próprio vice da chapa serem chamados de golpistas; testemunhou a prisão de um ex-presidente, ídolo do partido; viu sua substituta impeachmada; e o candidato indicado a vice aconselhar-se em uma cela de superintendência da polícia federal, para posteriormente escondê-lo de suas propagandas fabricadas com fake news, factoides e chantagem emocional. A reação não poderia ser outra, senão a reprovação com mais de 57 milhões de “nãos”.

No desespero por mudanças, o povo apostou em um sujeito que não tem intelectualidade acadêmica, nem competência gerencial comprovada, mas que soube ler os anseios por segurança e moralidade da população. Um homem impulsivo e falastrão, mas ao mesmo tempo firme e com espírito de liderança, um militar fortalecido após um atentado criminoso. Capaz de abrir mão do fundo partidário e assumir publicamente ignorância a respeito de áreas cruciais a uma administração pública, rejeitando conchavos e defendendo critérios técnicos para a configuração de seu staff. Dentre estes distintivos, sobressaiu-se o seu histórico político de incorruptibilidade, quase que um milagre no contexto da política brasileira. Até as pechas de fascista, nazista, racista, misógino, homofóbico, torturador, “coiso”, “ele não” foram sendo desconstruídas por pessoas dos próprios grupos supostamente odiados, movidas pelo sentimento de proteção a alguém covardemente agredido em sua honra.

Agora, como diz o clichê, “só nos resta esperar”, conscientes de que o mesmo povo que fez propaganda de graça para sua candidatura, no final ou ao meio, poderá aplaudi-lo ou também rejeitá-lo na fiscalização de seu mandato presidencial. Enquanto isso, aos cristãos, cabe o dever de interceder a Deus para que derrame saúde, sabedoria e paz sobre sua vida e sobre a nação da qual foi escolhido chefe maior.

26 de outubro de 2018

Amar a verdade e promover a mentira?



O ser humano mente. E isso independe de idade, sexo, condição financeira, nível educacional ou religião. É uma verdade absoluta! A diferença está na constância e nas motivações pelas quais fazem isso. Enquanto para alguns mentir é um hábito, uma estratégia de vida, para outros consiste em um pecado que exige confissão humilde e arrependimento sincero, um erro a ser corrigido. Alguns mentem com criatividade maquiavélica, outros de maneira estúpida, revelando facilmente a perfídia de seu caráter. Existem os que dissimulam ou omitem, e os que vomitam inverdades com frieza aterrorizante. Todos mentem. É um fato penoso, mas necessário de ser reconhecido para não se tornar vítima nem algoz dos outros ou de si mesmo.

Mas porque as pessoas mentem? Jesus referiu-se ao diabo como o pai da mentira, o primeiro a infectar com perversidade a criação de Deus (Jo. 8:44). Nas Escrituras está registrado que ele seduziu uma terça parte dos anjos (Ap. 12:3-9), astuciando subir “às alturas das nuvens” e ser “semelhante ao Altíssimo” (Is. 14:14). No Éden, o anjo rebelde se travestiu em serpente e distorceu tanto a ordem como a consequência pronunciadas por Deus a Adão e Eva, caso desobedecessem ao mandamento. A eles era permitido comer de toda a árvore que estava no jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois se consumissem do seu fruto, tal ato os levaria a separação de Deus e a morte. Mas Satanás pôs em dúvida o mandamento, distorcendo a autorização divina: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?"(Gn. 3:1). Após isso, plantou sua primeira semente maligna: “É certo que não morrereis "(3:4). Assim, negou a consequência do pecado; fez o primeiro mexerico da história entre o casal e o seu Criador; e por fim, despertou-lhes a cobiça de serem como Deus: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn. 3:5). A aceitação da mentira fizera-os cair em maldição, trazendo consequências drásticas sobre toda a terra e história humana (Rm. 5:12).

Esta semente do mal continua no coração dos homens. A satisfação de interesses egoístas, a vaidade e o orgulho permanecem como motivações espúrias que a fazem brotar e produzir frutos mortais. A mentira é a arma preferida para persuadir outros a satisfazerem as vontades de quem a diz, bem como para se safar das consequências dos erros ou causar danos a que é considerado inimigo. Ela é a mãe dos crimes contra a honra: da calúnia, da difamação e da injúria. É praticada pela boca e pelas mãos, na distorção dos fatos e na agressão ao caráter de quem se odeia. Praticá-la contra os outros é uma atitude assassina, pois destrói reputações, separa amigos, põe fim a famílias e interrompe carreiras de sucesso. É também um suicídio, porque azeda a alma, adoece o corpo, condena ao medo de “ser descoberto” e ser punido na solitária de uma vida sem credibilidade.

A mentira é a arma preferida dos muitos políticos corruptos, cujos corações ambicionam “subir aos mais altos céus” a fim de se perpetuarem no poder. É fácil pegar um desses políticos na mentira, tanto antes como depois da contagem dos votos. Primeiro mente-se para falsear glória a si mesmo e difamar o caráter do adversário, colando pechas a sua imagem, criando factoides, incitando a rejeição; depois mente-se para justificar alianças, protelar o cumprimento de promessas e terrivelmente para esconder falcatruas e corrupção.

O preocupante é que tais táticas produzem replicadores, especialmente em redes sociais. Inclusive gente que se afirma de “cosmovisão cristã”, se colocando a serviço de mentiras e difamação, sujeitando-se, consciente ou não, a megafone do diabo. Ora, o apóstolo Paulo nos ensina que em dias maus, devemos andar com prudência e não na insensatez de ignorar a vontade do Senhor (Ef. 4:15-17). Ele declara que “cada um deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo.” (Ef. 4.25). Já o sábio Salomão escreveu que “os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu prazer” (Pv. 12:22). A Palavra é clara e direta ao afirmar que os que praticam a mentira são filhos do diabo (Jo. 8:33-47) e a parte que lhes cabe é o lago que arde com fogo e enxofre (Ap. 21:8).

Quem se admite cristão, implica-se por ser diligente defensor da fé que uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd. 3). É uma batalha vivida em amor, do tipo que “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se na verdade” (1ª Co. 13:6). Quem ama  se esforça em não colocar como prioridade os próprios interesses, antes, direciona suas decisões para o Reino de Deus e seus valores (Mt. 6:33). Dizer e viver a verdade com os outros e consigo mesmo é praticar o cristianismo na sua forma mais autêntica.

21 de outubro de 2018

Verdades absolutas em um mundo que odeia padrões

O relativismo moral é uma corrente de pensamento que afirma a inexistência de valores aplicáveis a todos os tempos históricos, espaços geográficos e contextos culturais. Argumenta que todo comportamento está condicionado por interesses pessoais ou grupais, conforme as transformações sociais produzidas por sujeitos, grupos ou instituições que detêm a hegemonia do pensamento na esfera educacional, religiosa, política, midiática, etc. Nesta concepção, o mal é interpretado de forma subjetiva, ou seja, se acordo com pontos de vista, julgamentos pessoais, sentimentos e percepções individuais. Por exemplo, o aborto deixa de ser entendido como o assassinato de uma vida inocente e indefesa para ser um meio de libertação de um ente que traz desconforto ao corpo da mãe.

O relativismo está presente também na linguagem, combatendo qualquer normatização da língua; na arte, promovendo o despudor da nudez ou da violência; no direito, quando permite múltiplas interpretações da lei; no comportamento, quando se valida todos os gostos sexuais; na fé, quando se promove ecumenismo ou sincretismo religioso.

As ideias chaves do relativismo estão sintetizadas em termos como “desconstrução”, “ressignificação”, “pluralismo”, “inclusão”, “subjetividade”. Algumas frases usais dentro dessa cosmovisão: “Não existe verdade absoluta”. “Todos os caminhos levam a Deus”. “Todos temos o mesmo Deus, a diferença é que o adoramos de maneiras diferentes”. “Cada um no seu quadrado”. “Meu corpo, minhas regras”.

O relativismo estraga a fé, pois desconfigura o conceito de Deus (“Cada um pinta a Deus na cor que quer”); distorce a noção de pecado (“o que define pecado é o sentimento”); ignora a reverência exigida no culto (“todas as liturgias são válidas – show gospel, adoração extravagante, imersão em Deus, unção do leão, da corça, do riso”); menospreza o valor da doutrina (“o importante é uma igreja onde eu me sinta bem”); a interpretação bíblica fica à mercê do liberalismo (o “livre exame” confundido como “livre interpretação”, negando a necessidade do rigor exegético, hermenêutico e a iluminação do Espírito).

A crença em valores absolutos é uma insígnia dos ensinos de Cristo. Ele mesmo fundamentou seus discursos e práticas em textos bíblicos para proclamar aos homens a vontade absoluta de Deus sobre diversas questões da vida. Quando falava, fazia-o com autoridade e não na superficialidade dos mestres da lei (Mt. 7:29). Era inflexível quanto ao preço de segui-lo (Lc. 9:57-62) e exigia total aceitação de sua Pessoa e de seus ensinamentos (Jo. 8:24; Mt. 16:24; Jo. 14:15, 21).

Imitando ao seu mestre, o cristão não aprecia uma visão de mundo onde consideram-se válidos e dignos de apreciação ideias e comportamentos condenados por Deus. Seus posicionamentos são regidos pela cosmovisão bíblica, ou seja, por princípios de vida alicerçados em uma interpretação cuidadosa e coerente com as verdades absolutas registradas na revelação Divina dada aos homens.

Verdades absolutas em um mundo que odeia padrões:

1.1. EXISTE UM ÚNICO DEUS VERDADEIRO. Este se revela Sua existência na Natureza e na Consciência humana; e mostra seu caráter e vontade nas Escrituras Inspiradas e na Pessoa de Jesus Cristo. A Bíblia fala claramente de Deus o Filho, Deus o Pai e Deus o Espírito Santo. Mas enfatiza que há UM só Deus. “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Dt. 6:4). “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus” (Is. 45:5).

1.2. O MUNDO E O HOMEM FORAM CRIADOS POR DEUS. Somos criados a imagem e semelhança de Deus. Não somos frutos do acaso nem evoluímos dos primatas (Gn. 1:1).

1.3. DEUS NOS CRIOU HETEROSSEXUAIS. Existe uma maneira natural estabelecida por Deus para as relações sexuais. As relações sexuais entre um homem e uma mulher devem ser vividas sob uma aliança monogâmica e indissolúvel (o casamento). Ele colocou sobre o homem a responsabilidade de provisão, proteção e governo de sua família (Gn. 1:26). À mulher foi dada a missão de auxiliá-lo na vida, destacando-se a educação dos filhos. A mulher deve submissão ao seu esposo, e ao esposo cabe amá-la até a morte. Os filhos devem honra aos pais. Os pais são responsabilizados pela sua educação moral e espiritual.

1.4. O HOMEM FOI CRIADO BOM, MAS O PECADO O CORROMPEU E TROUXE MORTE FÍSICA E CONDENAÇÃO ESPIRITUAL. Por causa da queda de Adão e Eva, herdamos uma natureza pecaminosa, ou seja, inclinada a fazer a vontade da carne e não a de Deus. “Não há um bom, em sequer um” (Rm. 3:10). Pecado é aquilo que Deus julga ser, não o que o homem sente.

1.5.  JESUS CRISTO É O ÚNICO SALVADOR (Jo. 14:6; At. 4:12). Deus se fez carne e habitou entre nós na Pessoa de Jesus Cristo. Ele viveu como homem e ensinou a amar conforme o padrão Divino. Ele cumpriu a missão de redimir os que nEle creem pelo sacrífico de si mesmo na cruz do calvário em Jerusalém. É impossível ao homem pagar o preço de seus pecados. Ninguém pode ser justificado pelos próprios esforços. Somente a fé em Jesus Cristo pode garantir vida eterna ao homem.

1.6. O HOMEM FOI CRIADO PARA GLÓRIA DE DEUS. Senso assim, somente em Deus podemos nos sentir plenos e abundantes de vida. O Catecismo Maior de Westminster faz a seguinte pergunta: Qual o fim principal e supremo de homem? Resposta: o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Eu e você fomos feitos para Ele e nossa missão e glorificá-Lo e gozá-lo para sempre! “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36; 1 Co. 10:33). “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em Ti.” Agostinho.

1.7. TODOS SEREMOS JULGADOS POR DEUS. A Bíblia nos diz que "como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo" (Hebreus 9:27). Todos nós temos um compromisso divino com o nosso Criador. O fim da jornada da nossa alma será ou o céu eterno ou o inferno eterno (Mateus 25:46). Temos que escolher se vamos aceitar ou rejeitar o sacrifício de Cristo em nosso favor, e precisamos fazer essa escolha antes das nossas vidas físicas na terra chegarem ao fim. Após a morte, não há mais uma escolha e nosso destino é ficar diante do trono de Deus, onde tudo será claramente exposto diante dEle (Hebreus 4:13). Romanos 2:6 diz que Deus "retribuirá a cada um segundo as suas obras". O julgamento de Deus será justo. A Bíblia diz em Atos 17:31: “Porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.”

CONCLUSÃO
A cosmovisão cristã não flerta com o “politicamente correto” nem com qualquer ideologia encharcada de relativismo. A fé cristã exige renúncia e conformação com a mente de Cristo. Nesse sentido, ser um discípulo de Jesus implica em um estilo de vida guiado pelas verdades reveladas nas Escrituras.

Lucas 14: 25 Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: 26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. 28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? 29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, 30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. 31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? 32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. 33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

Pr. Alex Gadelha
Igreja Batista em Alexandria/RN

4 de outubro de 2018

Uma palavra aos cristãos sobre a Eleição Presidencial: Em quem podemos apostar?



Não existem incorruptos na política. Todos são inclinados a satisfazerem suas próprias vontades ou a se amalgamarem aos interesses de seu grupo, partido ou ideologia. Isso se explica na natureza humana corrompida pelo pecado, decaída, visceral. Como está escrito: “não há um justo, nem sequer um” (Rm. 3:10). No fundo, os belos discursos eleitorais são retóricos e escondem diferentes níveis de interesses pelo poder. A cada pleito, o político brasileiro reforça a comum prática de apresentar propostas sedutoras, algumas utópicas, outras suscetíveis ao esquecimento, para somente depois de eleito manifestar suas verdadeiras intenções. Alguns até se esforçam em inovar nas estratégias de campanha, mas quando adentram as portas dos palácios poucos resistem às iguarias do rei ou conseguem romper com essa estrutura corrompida.
E quando se pondera sobre o contextual atual, é perceptível o jogo sujo no tabuleiro da política brasileira, desde os mais altos escalões aos cabos eleitorais favorecidos ou apaixonados. A implantação da cultura da difamação e da calúnia é uma estratégia que se repete. Existe uma fábrica de mentiras que inocentes úteis replicam, como se a maledicência contra um candidato a cargo público não fosse pecado contra os homens e contra Deus. Outros farejam o histórico de vida dos “adversários” como uma hiena a procura de sangue e carniça. Seguindo bem os rastros, sempre se encontrá deméritos, seja no histórico moral, familiar, econômico e, especialmente, político. Acreditar que exista candidato com a alma limpa neste pleito presidencial é ingenuidade. Trapos de imundície evidenciam-se, ora em discursos extremistas, ora em projetos de dominação e escândalos imensuráveis de corrupção. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm. 3:23). Mas ainda há esperança: o arrependimento. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv. 28:13).
A estigmatização tem sido outra manobra ardilosa presente nas redes sociais e em conversas informais. Estigmatizar é generalizar o caráter de uma pessoa com base em uma ideia ou posição defendida. É afirmar que “evangélico vota somente em evangélico”, “professor em professor”, “mulher em mulher”, “negro em negro”, “índio em índio” e quem fugir dessa lógica imposta é porque não tem caráter, inteligência ou fé. Alguns até reproduzem rótulos ofensivos por estarem seduzidos pelo encanto de correntes políticas, ideologias e projetos nefastos que alimentam partidos e candidatos. Essa reprodução é o resultado da doutrinação que acontece de forma sutil ou escancarada, promovida por militantes em diferentes esferas, especialmente midiática e educacional. E quanto àqueles que conscientemente, mesmo se dizendo cristãos, apoiam correntes de pensamentos ofensivas a fé? Que o Espírito Santo os convença do pecado, da justiça e do juízo. Que aja amor para com os confusos e neófitos no Caminho.
Apenas a tomada de consciência de todo esse jogo evitará o cristão de cultuar ídolos e fabricar mitos. A história mostra que nunca foi prudente nem espiritual ter candidatos ou partidos de estimação, de maneira a ignorar distorções e falcatruas. Nunca foi sábio fazer de uma figura meramente humana fonte de felicidade. Como pregava o profeta Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" (17:5). Nenhum cristão se verá representado em um sujeito que se aconselha docilmente com um julgado, condenado e preso devido ao maior esquema de corrupção brasileira, nem em outro com um histórico de discursos radicais e ofensivos a diferentes classes. “Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor” (Jr. 17:7).
E agora, como viveremos? Ficaremos isentos, passivos, inertes? Definitivamente não! A nossa dupla cidadania implica em escolhas para este mundo. Estas não devem ser guiadas nem alimentadas pelo culto à personalidade de ninguém, mas sim por valores que se aproximam dos princípios do Reino. E é óbvio que neste pleito não encontraremos quem encarne plenamente as verdades bíblicas e doutrinas cristãs. Teremos então de apostar em um projeto de governo que aponte para a liberdade religiosa, para a preservação da tradição que fundamenta nossa visão de mundo e para a possibilidade do novo, algo que rompa com esse histórico vergonhoso de crimes contra o patrimônio público.
Ao cristão não cabe impor seus valores, apenas comunicá-los e defendê-los. A ação de persuasão é do próprio Deus. Mas vale mencionar a incoerência para um discípulo de Jesus de apoiar partidos sustentados pela doutrina marxista-socialista-comunista ou trabalhar para candidatos cujas flâmulas mancham os céus com a defesa do aborto, da ideologia de gênero, da liberação da maconha, da desconstrução da família tradicional e do fomento ao ateísmo. O marxismo e o cristianismo são autoexcludentes, nas palavras de Augustus Nicodemos “são água e óleo”, pois enquanto um está fundamentado exclusivamente na graça de Jesus, o outro promove uma revolução antropocêntrica pela luta de classes e até pela guerra sangrenta. Paulo já exortava: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).
No contexto que vivemos, o que é existe é uma guerra ideológica de partidos esquerdistas contra um candidato conservador de direita. E diante de um quadro tão polarizado, não seria inteligente optar por um nome que está fora do páreo e desperdiçar a esperança de experimentar algo diferente neste país.
Dada essa conjuntura, como cidadão, opto por votar em Jair Messias Bolsonaro. Não porque seja o ideal, mas porque combate bandeiras que a Igreja de Cristo rechaça e defende valores pelos quais zelo. Como disse, é uma aposta, posso perdê-la e posteriormente combatê-la ou desfrutá-la e honrá-la. E não me atemorizo, pois a minha fonte de vida e satisfação não está em homem algum, mas em Cristo Jesus, o meu Rei, o Nome sobre todo nome. O que não posso, consciente de tudo isso, é continuar votando (como fiz em anos anteriores) em partidos e candidatos com histórico indubitável de corrupção, fracasso na gestão e incontestável degradação de valores que creio, vivo e defendo. Espero em Deus que o nosso Brasil prospere e que o Seu povo viva em paz. Se isso não acontecer, quero ter a leveza na consciência de que busquei não ser cúmplice de obras infrutíferas das trevas, antes, reprovei-as mediante o meu voto (Ef. 5.11).

Alex Gadelha, cristão, cidadão livre, em um país ainda democrático.

2 de janeiro de 2016

O Cristo e o espírito natalino


Ao invés de uma árvore, uma manjedoura.
Não um gorro, mas uma coroa de espinhos.
Ele não possuiu um casaco vermelho contra o frio.
Cobriram-no com um manto de escárnio e sangue.      

Panetones, nozes e chesters não estiveram sobre sua mesa.
Apenas pão e vinho. “Corpo e sangue entregue por vós”.
Gravatas, barbeadores e brinquedos?
Orações, sabedoria e amor.

Não um velhinho gordo e barbudo.
Um jovem com o corpo moído e rosto desfigurado.
Enquanto muitas renas puxam um trenó,
Ele sozinho arrasta o madeiro, até a ajuda de um cireneu.

Nada de ostentação que acumula dívidas.
Salvação, perdão de pecados que gera paz.
O saco cheio de presentes, alegria efêmera.
Mãos e pés divinos perfurados, graça para a eternidade.

Ah! espirito natalino! Tão temporário e estéril, performático.
Oh! Espírito Santo! Permanente e frutífero de vida na fé.
No fim não se ouviu gargalhadas.
Mas um clamor: Pai! Perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.

E quando as luzes de dezembro se apagarem,
O vento noéltico passará.
E quando os sinais se cumprirem,
O Cristo ressurreto voltará. 

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