Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Como Vivo a Fé no Cristo que me Ama

Minha fé é discreta e persuasiva. Quem me conhece logo descobre a fonte da minha paz e sabedoria: o Senhor Jesus Cristo. Não preciso mentir nem inventar milagres para atrair as pessoas ao Salvador. Ele é admirado quando amo sem acepção, quando olho nos olhos e transmito serenidade. Posso conduzir você a se aproximar de Deus mostrando interesse por sua vida, seu bem. Trabalhar para o seu bem não significa satisfazer todas as suas vontades nem ignorar todos os seus erros, mas confrontá-lo naquilo que precisa mudar e incentivá-lo no desenvolvimento das virtudes. Isso envolve a dura tarefa de ajudá-lo a conhecer a si mesmo. E a Deus.

Deus é bom e os seus seguidores se esforçam para o ser. É uma questão de consciência. Para mim uma das maiores manifestações da bondade de Deus está nas oportunidades criadas por Ele mesmo. Essas se evidenciam na iniciativa do Criador em “fazer as pazes” com o homem. Mas não espere um anjo do céu desça até você trazendo uma mensagem ou uma visão mirabolante. Ultimamente o costume de Deus tem sido usar pecadores como anjos ou, se preferir, como ministros de reconciliação. Confesso que assumir tal ministério não é tarefa fácil. Exige uma postura repleta de ambigüidades, paradoxos, ou qualquer expressão que comunique a idéia de atitudes aparentemente contraditórias. Isso porque ao mesmo tempo em que amo as pessoas, odeio o pecado. Então, se você deseja agradar a Deus e se libertar do emaranhado de vícios e mágoas pode contar comigo. Mas não espere que esconda sua maldade debaixo do tapete da religiosidade. Em alguns momentos estarei oferecendo um sorriso fácil com risadas acústicas, até chorando ao seu lado, compartilhando sua dor. Em outras situações meu rosto estará rígido, minha alma triste, meu espírito silencioso, apenas orando e olhando a distância. Diria que esse é meu jeitão de dizer que não concordei com sua atitude. Mas não se preocupe, não deixarei de te amar. Aliás, quem deixou de amar nunca o fez de verdade.

Uma vez alguém me disse olhando nos olhos que sentia o Espírito Santo em mim, “via esperança”. Outra pessoa disse que conseguia ver pureza, sinceridade. A primeira foi uma presidiária, 33 anos, presa por tráfico de drogas. A segunda uma professora universitária, doutora. Duas diferentes mulheres. Elas acertaram? Você precisa olhar nos meus olhos e tirar suas conclusões, pois também já disseram que eu tinha um olhar oblíquo. Essa expressão com certeza nasceu do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Ao ler o olhar de Capitu fico preocupado. Ela não tinha nada de santa. Que comparação! Mas deixo para quando você se encontrar comigo pessoalmente. Talvez consiga enxergar coisas do meu “eu oculto”, aqueles pontos cegos que só os outros enxergam. Ou talvez consiga projetar-se em mim. Projetar-se é aquele lance de ver a si mesmo nos outros. Sinceramente, gostaria de refletir Jesus. Não apenas no meu olhar, mas na maneira de tratar as pessoas. Ore por mim.

É mais ou menos assim que vivo a fé no Cristo que me ama. Querendo representá-lo não apenas no mundo das idéias, mas especialmente nos relacionamentos. Silenciosamente peço mansidão e humildade para suportar as críticas injustas, os olhares acusadores e subestimadores. Penso que se existe algo de bom em mim, é porque Deus o colocou. Não há um justo, nem sequer um. Mas existem muitos justificados pela cruz. Fico com um elefante atrás da orelha quando vejo homens que não precisam da cruz, auto-suficientes, donos do poder e da vontade divina. Eu não acredito em um servo do Senhor de coração altivo. Admiro a fé simples de homens e mulheres que obedecem a Deus, que O amam no próximo e na Igreja. Esse tipo de relacionamento com Deus atrai outros para a comunhão, pois é doce, suave, leve. E ao mesmo tempo em que inquieta, também refrigera. É o que eu quero e tento viver.

Pr. Alex Gadelha