Pesquisar este blog

31 de dezembro de 2011

2011: O que quero trazer à memória



Mais um ano e mais um balanço reflexivo sobre ações, sentimentos e experiências vividas ao longo de 365 dias. Há uns tempos aprendi que viver sem consciência deságua em rotina, monotonia e tédio. Cada pessoa então deveria escrever um diário, somente assim poderia ver-se melhor para enriquecer a relação com os outros e consigo mesmo. Ainda que a memória insista em rebuscar momentos traumáticos, podemos equilibrá-los com vivências que trouxeram alegria e crescimento interior. Em meio às intempéries de um ano que findou, “quero trazer à memória aquilo que me dá esperança”. Isso não significa ignorar dores, perdas ou decepções, mas vê-las como um conteúdo a ser aprendido, refletido e transformado em maturidade.
            Quero trazer a memória os juízos que fizeram sobre mim. Julgar é atribuir ao outro a condição de culpado ou inocente a partir de uma lei aplicada às ações. O problema é que o princípio que rege nossos julgamentos geralmente está de acordo com o desejo de que os outros sejam iguais a nós mesmos. Por isso condenar aquele que não supre as expectativas idealizadas é uma prática tão comum entre os mortais. Estamos limitados a atribuir valor ao outros baseados no que ouvimos e enxergamos. O limite está no fato de não conseguirmos sondar as intenções do coração. Ser julgado é algo desconfortável, mas se torna pior quando quem está com o martelo na mão, ou palavras na língua, é um covarde. Covarde é aquela pessoa que omite a si mesmo, mas é capaz de persuadir e usar outros para disseminar seus juízos. É aquele que não vai direto ao ponto ou que se esconde por trás do anonimato. O covarde é o pior dos seres humanos.
Diante de um julgamento podemos ter diferentes reações. De repente podemos ser guiados pelo dito popular “quem não deve, não teme” e simplesmente ignorar o que estão falando a seu respeito. Ou ainda nos defrontarmos com o maledicente e realizamos uma investigação acurada para descobrir a origem e motivos da maledicência. É uma pesquisa longa, desgastante e na maioria das vezes inútil. Mas ainda cabe uma terceira reação, que é a de pensar sobre o dito. De repente o juízo está sendo reto, leal e provocador de mudanças. Se for uma acusação falsa poderá servir para despertar um senso de vigilância sobre atitudes mal interpretadas. Agora o cuidado a ser tomado é o de não ser escravo da reputação. Os estigmas impressos sobre nós não devem adoecer nem sequer furtar o sono. Por isso precisamos antes perguntar quem está por trás dos juízos. Se for uma pessoa considerada honesta e de bom senso, ganhe tempo ao sentar, olhar nos olhos e ouvi-la sem resistência. Depois pese, meça, examine tudo e retenha o que é bom para os dois.
Quando penso no que ouvi este ano, apenas sorrio. Fui bom moço para alguns e vilão para outros. Algumas pessoas atribuíram-me a contradição, outras a sinceridade. Acho que fui isso e outras cositas mais. A harmatiologia ajuda a entender quem sou sem crise. Não deixei de dormir nem de comer pelo que estavam dizendo. Não quero ser escravo da opinião de ninguém, também não desejo ignorá-las nem tão pouco investigá-las obsessivamente. Quem vive a catar penas de ganso lançadas ao vento é um sério candidato a loucura. É melhor ter uma consciência orientada e medida pelos valores do Justo Juiz. Este continua a gerar paz, coragem e humildade no coração de quem o ama.
            Quero trazer a memória pessoas relevantes, bem como aquelas que se tornaram assim, com quem tive o prazer de compartilhar a estrada da vida pela primeira vez. Amei cada uma delas, algumas com mais intensidade, outras com maior intimidade. Todas observadas carinhosamente. Notei-as, não passaram despercebidas, mesmo que tenham pensado que o fossem. Estiveram em minhas preocupações e orações, em apreciações e críticas, em indagações. Quis entender a muitos para não ser precipitado nem superficial. Descobri que uma das maneiras de evitar tal pecado é considerar o processo formador da identidade de uma pessoa. Para estreitar os vínculos com alguém é preciso ouvir sua história de vida: De onde veio, como é a sua família, como chegou até aqui, em que acredita ou desacreditou. Todo ser humano tem uma história e a primeira coisa a fazer quando nos aproximarmos de alguém é pedir que nos conte um pouco dela. Deve-se ouvir sem interferências, sem violar o patrimônio de sua memória.
Quando escutamos os outros com honestidade, somos capazes de tratá-los com paciência e ao mesmo tempo com objetividade, falando o que precisa ser dito, trocando experiências e favorecendo o amadurecimento mútuo. Ouvi coisas duras, foram ditas pela própria língua e pela dos outros, estiveram no papel e também em gestos e olhares. Palavras afiadas, algumas esmeraram a minha brutalidade, foram úteis, estão guardadas e sendo transformadas em caráter. Outras descartei, tentei aproveitá-las, mas não consegui, então lancei-as fora.
            Ainda quero trazer a memória conquistas e bênçãos. As primeiras são frutos do trabalho, as segundas, dádivas recebidas da e de graça mediante a fé. Ambas estão vinculadas, pois a bênção de Deus geralmente é precedida pela ação do homem. É a lei da colheita e também a virtude do contentamento. Planta-se o que deseja colher, aquieta-se, aprecia-se o vicejar das flores até o amadurecer oportuno dos frutos. Aprendi a apreciar a viagem e não apenas o destino desejado. Durante o percurso deste ano recebi bens imensuráveis. O conhecimento de mundo partilhado por grandes mestres, o redespertar da sensibilidade a partir da compaixão, a troca de saberes pelo diálogo, a revisão de posturas pelo confronto, a libertação de vontades humanas e alheias, uma maior emancipação de mim mesmo em pró de um Reino que é superior a qualquer instituição ou personalidade. Claro que está de bem com a mordomia material é importante, mas esta nunca deve sobrepor os valores que alimentam a alma e abrigam o espírito. A vida de um homem não consiste na abundância nem na escassez de bens corrosivos e corruptíveis que acumula, mas sim na qualidade da relação de amor com o Criador e com as pessoas por quem Ele ofertou o Filho.
            Apesar das fragilidades, teimosias e pecados, Deus continua sendo bom para comigo. E esse conceito sobre Ele independe de juízos, pessoas, conquistas ou bênçãos. Independe de bons ou difíceis anos. Continuarei a realizar esse balanço reflexivo anual, a fim de remir o tempo enquanto os dias são maus. Sobretudo, continuarei a crer e a experimentar o amor de Deus por mim e nos outros, até o momento em que habitarei em Sua Presença eternamente.

Pr. Alex Gadelha.

24 de outubro de 2011

NÃO



            “Não” é uma palavra de impacto e na maioria das vezes é ouvida de mal grado. Exprime negação, significa proibição, limitação, recusa, oposição, por isso as pessoas não gostam de ouvi-lo como resposta. Sentem-se como se alguém estivesse manipulando sua vontade ou limitando o seu querer. Mas, o fato é que precisamos desse termo, sem ele não sobreviveríamos, pois um mundo de “sims” é um mundo de caos.
A primeira negativa que o homem recebeu foi no Éden, quando Deus estabeleceu a seguinte proibição para Adão e Eva: “...da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerás.” Gn. 2:16. O Senhor tinha entregado verbalmente uma grande lista de permissões, mas faltava-lhes a proibição que lhes dariam a oportunidade de escolha. Eles escolheram transgredir e até hoje sentimos as conseqüências do seu pecado. Realmente, quando teimamos em infringir os “nãos” estabelecidos por Deus, as conseqüências são terríveis: inimizades, contendas, crimes, doenças, morte, etc.
Observe o que aconteceu com a vida de um rei e de um povo que foram indiferentes ao NÃO de Deus: 
O rei Davi não atentou ao “Não cobiçarás a mulher de teu próximo” e a conseqüência foi um reino, uma família e um homem destroçado pelo pecado: O reino dividiu, o filho gerado do adultério morreu, incesto e assassinato ocorreram no seio da família, foi perseguido pelo filho Absalão, o qual morreu no conflito com o seu exército. Sua vida tornou-se um mar de angústias (Sl. 51). 
O povo de Israel também foi insensível aos mandamentos de Deus e por causa da dureza de seus corações ficaram prostrados no deserto. Dos milhares que saíram do Egito, apenas Josué e Calebe entraram na Terra Prometida. A morte daquela geração foi o preço da cobiça, idolatria, imoralidade e murmuração, coisas estas condenadas expressamente por Deus (1ª Cor. 10:1-11). Paulo diz “que estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado”. Por isso, nossos olhos, ouvidos e corações devem estar abertos ao Não de Deus.
         Deus ensina também a dizer Não. O cristão tem de usufruir o poder de rejeitar tudo aquilo que está fora da vontade de Deus, tudo aquilo que não edifica nem gera saúde física e espiritual. Dizer não para o pecado é afirmar a fé em Jesus e revelar firmeza de caráter; é estar convicto do que quer e mostrar que não é manipulado pela opinião do mundo; dizer não é crescer espiritualmente revelando domínio-próprio, paciência e fidelidade; é manifestar resistência às tentações e força para obedecer à Palavra de Deus.
  • José do Egito disse não a sedução da mulher de Faraó (Gn. 39:7-23); 
  • Daniel disse não às finas iguarias da babilônia (Dn. 1:8); 
  • Sadraque, Mesaque e Abede-nego disseram não à idolatria (Dn. 3:16-18); 
  • No deserto da Judéia, Jesus disse não às propostas de Satanás (Mt. 4:1-11); 
  • Os apóstolos disseram não a ordem do Sinédrio de parar a pregação do Evangelho (At. 5:27-29).

         Duas decisões têm de ser tomadas dia a dia: A de obedecer ao NÃO de Deus e a de dizer NÃO para tudo aquilo contrário aos valores de Cristo. Agindo assim, estaremos construindo um caráter sólido, maduro e comprometido com Deus.


            Pr. Alex Gadelha

25 de setembro de 2011

Para a liberdade foi que Cristo nos libertou



      Um pássaro que vive muito tempo em uma gaiola, não consegue enxergar a porta aberta. E mesmo que passe por ela, tende a voltar, pois se acostumou a enxergar o mundo entre arames. Os gálatas podiam ser comparados a pássaros que ganharam a liberdade, mas que insistiam em voltar para a gaiola. Vamos entender um pouco o contexto dessa história: A Galácia era uma província romana situada na região da Ásia menor, onde o apóstolo Paulo fundou várias igrejas por volta dos anos 45-48 d.C. Cerca de 10 anos depois, alguns mestres judaizantes se infiltraram nas igrejas, conquistando o zelo dos irmãos e impondo a guarda da lei, especialmente a circuncisão como requisito para salvação. Estando informado da situação, Paulo escreveu repreendendo os gálatas e defendendo de forma irrefutável a salvação pela graça e a liberdade cristã. Em vários trechos da epístola explicou que “por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl. 2:16; 3:11; 5:6; 6:15). Logo no início da carta, o apóstolo mostrou sua surpresa diante da facilidade com que os crentes daquela região estavam passando do evangelho da liberdade em Cristo para o da opressão da lei. Estavam pondo novamente sobre si o jugo da escravidão, trancando a cela pelo lado de dentro, retornando aos rudimentos fracos e pobres do passado de religiosidade.

          Essa situação vivida há séculos não difere muito da estrutura de algumas igrejas ditas “evangélicas” que ainda distorcem o “evangelho” para manipular e dominar pessoas. São instituições que ao invés de restaurar a vida das pessoas, acabam por adoecê-las por meio de um legalismo imposto de forma sutil ou explicita. Esses grupos pseudocristãos menosprezam todo o conhecimento que se diz cientifico, conluiam-se a candidatos e partidos ao invés de construírem uma consciência política ética e cidadã. Alguns até usam a vinda de Cristo como instrumento de alienação social. Pensam e pregam: “se Cristo está próximo, então não vale apenas investir nos estudos, na profissão ou na aquisição de bens”. Dessa forma impedem a socialização de seus membros, a criação de laços de amizade e compaixão, consequentemente, a divulgação das boas novas nos diversos meios, classes e lugares.  

O cristão consciente de seu lugar no mundo e livre pelo conhecimento de Deus sabe que todas as suas conquistas convergem para a expansão do Reino de Jesus. Ele trabalha não simplesmente pelo sustento, mas também pelo desejo de investir no crescimento do número de salvos pelo Evangelho; ele assume a cidadania porque luta pela liberdade da fé; pode envolver-se na política assumindo o desafio de ser diferente, não se corrompendo, mas sendo honesto e íntegro. O cristão que experimenta da liberdade conquistada na cruz não é um alienado social, mas quer está contextualizado para a evangelização do mundo. Entende que somos livres! Deus nos chamou para a liberdade, não para pecar, mas para viver a vida abundante que Ele prometeu em Cristo.

A liberdade é um tema polêmico, especialmente quando a fé está envolvida. Quando não se está consciente dela, alguns se tornam presas fáceis de egomaníacos que oprimem as ovelhas com seus “achismos”. Em contrapartida, outros em nome da mesma liberdade, cultivam uma permissividade que conduz ao pecado. Na fronteira, entre os extremos, está o bom senso pautado nas Escrituras. São poucos que o encontram, porque poucos são os que têm humildade para reconhecer conceitos que foram formados em opiniões pessoais ou culturais, não em bases bíblicas. Aliás, fundamentação bíblica possui somente quem mergulha na leitura e no ruminar da Palavra. Alguém que se alimenta apenas de púlpitos ou de simples teologia tem um discernimento infantil, por não exercitar suas faculdades (mente, emoção e vontade) (Hb.5:13, 14). Assuntos como tamanho e forma de roupas, estilos e ritmos de música, dança, gestos, ocupam lugar especial no trono da intolerância dos enclausurados pela tradição religiosa.


A liberdade que o Evangelho oferece foi conquistada na cruz com o amor e o sangue do Filho de Deus. Ignorar os seus ensinamentos e abraçar preceitos e doutrinas humanas é uma escolha insensata por escravizar a alma às más intenções de homens impiedosos. Por isso, é necessário um senso de vigilância que nos proteja das heresias e uma prática de estudo bíblico e oração que consolide a nossa fé. A exortação de Paulo aos gálatas continua viva e aplicável em nossas vidas: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl. 5:1).
            
Pr. Alex Gadelha

12 de setembro de 2011

Bartimeu



Marcos 10:46-52 / Lucas 18:35-43

         
      Quando escuto ou leio o texto que narra a cura do cego no caminho de Jericó, sinto-me estimulado pelo seu exemplo de fé, vontade e decisão. Bartimeu era um homem que vivia à margem da sociedade, isso porque em seu tempo qualquer tipo de deficiência ou necessidade especial era interpretado como consequência dos próprios pecados ou das gerações precedentes (Jo. 9:2). Bartimeu possuía família, pois o nome de seu pai Timeu é mencionado, no entanto, vivia como mendigo. Talvez seus parentes não se importassem com ele. Os seus olhos derramavam lágrimas em resposta à humilhação e a solidão. Posso imaginar suas mãos estendidas, suas roupas moribundas, sua voz clamando pela sobrevivência. Bartimeu parecia ter motivos suficientes para viver em um fel de amargura, sem fé nem esperança. 
      No entanto, Bartimeu, como a maioria dos que não possuem o sentido da visão ocular, desenvolveu uma capacidade que poucos possuem: Ouvir. Seus ouvidos eram sensíveis, acurados e investigativos. Certa manhã seu coração agitou-se quando ouviu tão numerosos passos de uma só vez. Algo incomum naquele povoado situado na planície do rio Jordão estava acontecendo. “E, ouvindo o tropel da multidão que passava, perguntou o que era aquilo”. (Lc. 18:36).
      - O que é isso? Estamos sendo atacados? É uma revolta contra o império romano? Por que tanta correria? Quem está chegando? “Anunciaram-lhe que era Jesus, o Nazareno” (Lc. 18:37). Bartimeu com seus ouvidos curiosos já ouvira falar sobre o nome de Jesus e com certeza tinha bem guardado em sua memória auditiva muito de seus milagres: os coxos andam, os mudos falam, os surdos ouvem, os cegos vêem! Os cegos vêem? Sim, os cegos vêem! Vou procurar a Jesus, vou clamar até perder a minha voz, é minha oportunidade! É este o homem que pode me libertar das trevas!
      “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim! Jesus filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc. 10:47, 48). Bartimeu conhecia a promessa da vinda do Messias, pois clamava usando um dos títulos messiânicos de Jesus. “E os que iam na frente o repreendiam para que se calasse” (Lc.18:39).       Quando queremos nos aproximar do Mestre sempre há quem se sinta incomodado, censurando e querendo formar uma barreira de desânimo. Mas nunca devemos desistir de procurar uma vida mais profunda com Deus.
      “Mas ele cada vez gritava mais...” (Mc. 10:48). O cego mendigo estava determinado a encontrar-se com o Mestre e nada iria lhe impedir. Sua alma estava tomada de convicção, força, disposição, esperança, vontade, fé.
      E, assim, o clamor de alguém desejoso pela cura conseguiu interromper por um precioso instante a caminhada de Cristo a Jerusalém: “Parou Jesus”. Não somente parou, mas centrou toda a sua atenção em Bartimeu: “Chamai-o”. Depois de tanta insistência e resistência dos discípulos, Bartimeu ouviu algo maravilhoso: “Têm bom ânimo; levanta-te, ele te chama” (Mc. 10:49). Jesus não foi em sua direção, chamou-o e queria dele a ação de ir ao seu encontro. A resposta foi imediata: “lançando de si a capa, levantou de um salto e foi ter com Jesus”. (Mc. 10:50). A velha capa foi lançada na estrada poeirenta, não iria precisar mais dela para se proteger do sol ou da chuva, seu habitat não seria mais o caminho de Jericó. Sua fé se expressa no salto em direção ao Senhor. Ele atendeu o chamado de Jesus!
      Mas ao aproximar-se, o Senhor lhe fez uma pergunta que parecia boba: “Que queres que eu te faça?” (Mc. 10:51).  “É evidente que quero ter minha visão de volta” poderia ser a resposta. Mas a indagação tinha um propósito. Jesus queria ouvir de seus lábios o desejo de seu coração. É incrível perceber que nas Escrituras o próprio Deus provoca a vontade do homem. Chamando-lhe “Mestre”, Bartimeu humildemente pede o que havia perdido: “Que eu torne a ver” (Mc. 10:52). Ele conseguiu o que tanto almejava: Seus olhos se abriram e a primeira face em sua frente foi a de Seu Mestre: “Vai, a tua fé te salvou”. Você esta livre, está curado. Jesus exalta a fé salvadora. E Bartimeu, diferente dos nove leprosos que não voltaram nem sequer para agradecer a cura (Lc. 17:11-19), continuou ao lado Jesus, seguindo-o estrada fora.

      Uma das virtudes notáveis de Bartimeu foi a sua determinação. Como a viúva na parábola do juiz iníquo que o importunou por justiça até ser atendida (18:1-8), assim foi ele em busca de sua cura. Ora, Deus fala por boca do profeta Jeremias: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” Jr.29:13. Quando queremos nos aproximar de Deus, alguns tentam nos barrar com duras críticas, piadas, acusações (2ª Tm. 3:12). Mas se realmente estamos determinados em buscar a face de Cristo, nada nos impedirá, vamos romper todas as barreiras por meio da fé. O clamor honesto e consciente de um homem faz o Senhor parar e inclinar os ouvidos à sua oração. (2ª Cr. 7:14). O Senhor não cura quem não quer ser curado, nem salva quem não está interessado em salvação. “Os sãos não precisam de médico” (Mt. 9:12; Lc. 19:10). E se Bartimeu não fosse curado? O fato de ouvir a voz do mestre e ter a sua carinhosa atenção já poderia ser considerado o maior milagre de sua vida.

Pr. Alex Gadelha


Escute (e veja também) essa canção:

“Deixando as coisas de menino...”



1ª Co. 13:11

      O apóstolo Paulo, homem culto e inspirado, usou a metáfora do desenvolvimento biológico e psíquico para exortar aos crentes de Corinto sobre a necessidade de crescer espiritualmente. No capítulo três, considerou-os como crianças em Cristo, porque não tinham desenvolvido a salvação, mas estagnaram-se em práticas infantis: Eram ciumentos e contenciosos, usavam os dons como forma de autopromoção, lutavam por status, havia queixas, discussões sobre alimentos, irresponsabilidade moral, espírito vingativo, precipitação e egoísmo.

         O capítulo 13 da mesma carta mostra o caminho da maturidade. De forma clara e objetiva Paulo definiu a importância e os frutos do amor: paciência, benignidade, confiança, humildade, bom senso, generosidade, mansidão, perdão, justiça, verdade, firmeza e eternidade.

Amar como Jesus amou é o foco da maturidade cristã.

          No verso 11, o apóstolo incita à reflexão através do amadurecimento natural que todos nós experimentamos: a transição da infância à fase adulta. Da mesma forma que a criança cresce e deixa suas práticas infantis, assim também deve o cristão crescer espiritualmente e abandonar aquelas atitudes que refletem imaturidade. Ele explica que quando era menino se comportava como menino, mas quando atingiu a maioridade, desistiu de agir como menino, agora deveria falar, sentir e pensar como homem.

           Estas três faculdades destacadas podem ajudar a avaliar o nosso nível de amadurecimento pessoal-espiritual:
  • “Falava como menino...” – As palavras de uma criança de modo geral são precipitadas e sem conteúdo. É natural que as crianças falam de maneira repetitiva e atribuam demasiada importância a temas triviais.

  • “Sentia como menino...” – Crianças são susceptíveis, criam birras com facilidade, seus sentimentos dominam suas ações. Quando contrariadas, se comportam com intolerância. Raramente aceitam o “não” como resposta, ficam zangadas ou condoendo-se por dentro.  São vingativas, revidam à agressividade através do choro, gritos, tapas etc. Nesta fase existe uma ausência de domínio próprio acentuada, porque agem motivadas por paixões.

  • “Pensava como menino...” – Os primeiros anos de nossa existência são caracterizados pela assimilação de informações que vão garantir a sobrevivência e formação de nosso caráter. É neste período que idéias, crenças e valores são internalizados, por isso, não são estranhos em uma criança pensamentos superficiais e ingênuos sobre si mesmo, as pessoas e o mundo. No entanto, na fase adulta, exige-se pensamentos que demonstrem experiência e conteúdo. Tratando-se de vida espiritual, espera-se que o cristão desenvolva pensamentos virtuosos, centrados nas coisas do alto e não daqui da terra (Fl. 4:8; Cl. 3:2). Deus nos chama à transformação a partir da renovação de nossas mentes (Rm. 12:2), como também ao cultivo da mente de Cristo em nosso cotidiano (1ª Co. 2:16, Fl. 4:8).

    “Quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Ao atingir a varonilidade, espera-se que um homem fale, sinta e pense de forma organizada, consistente e adulta. A tolice infantil deve ser substituída pela consistência no discurso; em lugar de precipitações, o domínio próprio; a verborragia precisa ceder espaço à palavras de conteúdo e edificação; o orgulho, vencido pela humildade.

     Enquanto se é menino, a sociedade tolera as coisas de menino, mas um adulto-infantil não é encarado com bons olhos. Homens se comportando como crianças causam desconforto e intolerância.

    Mas, para alguns, continuar “menino” traz supostos benefícios como ausência de responsabilidades, satisfação das vontades, cuidados especiais, proteção paterna etc. “Deixar” ou “desistir” das coisas de menino, envolve disposição para se desatrelar das comodidades da infância. “Crescer dói”, por isso poucos se esforçam em buscar a formação de um caráter sério e adulto. As pessoas têm medo de mudanças, principalmente das que exigem a saída do oásis do lar para as escaldantes areias do mundo. Agindo assim, semeiam uma personalidade acomodada, inoperante e covarde.

    A Igreja e o mundo precisam de “homens” que decidam resolutamente abandonar as coisas de menino.

Pr. Alex Gadelha

31 de agosto de 2011

“Sabe, e vê, que mau e quão amargo é deixares o SENHOR teu Deus”

Jeremias 2:1-19.


           Jeremias foi um jovem profeta constituído por Deus com a missão de pregar aos rebeldes de Israel e às nações vizinhas. O conteúdo de suas palavras consistia na sentença de Deus “sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e plantares”. 
            As palavras que o Senhor colocou em sua boca foram de destruição mais que de prosperidade. 

           POR QUE A MENSAGEM DE JEREMIAS FOI TÃO ÁSPERA?

             O passado de Israel: Israel era uma nação afeiçoada por Deus, seu amor era como o de uma noiva; empenhava-se em seguí-lO mesmo em meio a um deserto, “em uma terra que não se semeia”. Era consagrada ao Senhor, as primícias da sua colheita. Estabelecida sob o escudo de Deus. (Jr.2:2, 3).

             A traição: Traição, “Ato de ruptura de uma promessa, de um compromisso, 
de uma aliança; quebra da lealdade e fidelidade”. Israel despedaçou a aliança feita com Deus. Correram atrás da nulidade dos ídolos e se tornaram nulos eles mesmos (Vs. 4, 5).

             O Senhor quer uma resposta: “Que injustiça acharam vossos pais em mim?” Por que nem sequer perguntaram: “onde está o Senhor que nos fez subir da terra do Egito?” (vs. 6). 
          O Senhor foi quem os introduziu “em uma terra fértil, para que comêsseis o seu fruto e o seu bem” (vs. 7). No entanto, os israelitas contaminaram e abominaram sua herança; os sacerdotes esqueceram o SENHOR, os pastores (reis) faltaram com o dever de estabelecer justiça e os profetas profetizaram por Baal, tornando-se inúteis (vs. 8).

Eis o porquê da mensagem do profeta ser mais enfática nos castigos do que nas bençãos: 

“... o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que não é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o Senhor. Porque dois males cometeu o meu povo”:

1º.  “A mim me deixaram, o manancial de águas vivas,...”.

2º.  “E cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retém as águas”. (vs. 11-13).

         Em uma terra desértica trocar um manancial de águas cristalinas por uma cisterna rota, é um absurdo! “As cisternas consistia em reservatórios cobertos, escavados na terra ou na rocha, para onde escorria o excesso das águas da chuva, das fontes ou dos riachos, que eram para ali canalizadas e guardadas. Como as chuvas eram raras entre maio e setembro na Palestina, as cisternas tornavam-se o principal meio de se contar com um bom suprimento de água, naqueles meses”. Se suas paredes se fendessem, acumular-se-ia mais lama do que água e assim estaria morta, inutilizada. Já um manancial em uma terra tão árida era raríssimo, dele brotava incessantemente água límpida e abundante.

          Usando esta metáfora, o Senhor quis mostrar a seu povo que eles trocaram, como muitos hoje fazem, Sua segurança e proteção por cousas inseguras, terrenas e passageiras. As conseqüências vieram, “os leões novos” (os assírios), escravizaram o povo, devastaram os campos, queimaram as cidades e esvaziaram Jerusalém. Os egípcios também os exploraram (vs. 14 – 16). 
         
          Por que tamanha tragédia? Porque deixaram o Senhor quando este o guiava pelo caminho, porque fizeram aliança com nações idólatras (vs. 17, 18). Confiaram no braço do homem, faltaram com a confiança no Senhor (17:5-8).

           “Um povo que se esqueça do Senhor conhecerá o mal e a amargura (vs. 19). Pois o bem-estar de um povo está fundamentado em seu relacionamento com o Deus vivo. Quando as alianças desse relacionamento são quebradas, o declínio torna-se inevitável” (Stanley R. Hopper).

Pr. Alex Gadelha  

22 de agosto de 2011

Como Recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai NEle


 Cl. 2:6-15
  
          Paulo vivia uma grande luta de intercessão a favor dos colossenses: Ele intercedia pedindo consolo, amor e riqueza da forte convicção do entendimento para aqueles irmãos. Falou de Cristo como aquele “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” e advertiu quanto o engano dos raciocínios falazes que tentavam negar esta verdade. Embora Paulo estivesse ausente no corpo, em espírito estava com eles, alegrando-se e verificando a firmeza de sua fé.
          Com o mesmo zelo, Paulo apela para a memória dos colossenses exortando a andarem em Jesus da mesma forma como o receberam e foram inicialmente instruídos.  Quando os colossenses receberam ao Senhor estavam enraizados nele, construíam suas vidas sobre ele e tinham sua fé confirmada. A gratidão seria uma forma de continuarem crescendo (v. 6, 7). 
        A constância na fé era e ainda é uma das maiores dificuldades dos cristãos, o comum é observarmos crentes com uma vida de altos e baixos, dúvidas e certezas, perdas e ganhos, avanços e recuos, cai aqui, levanta acolá, o que pode se tornar um ciclo vicioso que impede o  crescimento (Hb. 12:1b). Os ingredientes para uma vida de progresso espiritual já sabemos: conhecimento, confiança e obediência. O que falta para muitos é aplicá-los no dia a dia. E isso requer esforço de nossa parte.
         A questão doutrinária estava em foco aqui e Paulo, pela segunda vez (1:13-23), enfatiza a verdade sobre a Pessoa de Cristo. Depois de adverti-los a não caírem na armadilha de filosofias e de vãs sutilezas, fundamentadas na tradição dos homens, nos rudimentos do mundo e não nos ensinos de Cristo (v. 8), volta a falar da excelência do Filho de Deus:
-    Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Ele é Deus (v. 9);
-    Nele somos aperfeiçoados; Ele é o cabeça de todo principado e potestade (v. 10);
-    Nele firmamos um pacto com Deus - circuncisão de Cristo (v.11);
-  Através do batismo fomos simbolicamente sepultados e ressurretos com ele mediante a nossa fé no poder de Deus (v. 12);
-    Ele nos deu vida, perdoando todos os nossos pecados (v. 13);
-    Cancelou nossa dívida – devíamos algo que nos prejudicava e que não tínhamos condição de pagar pela obediência às ordenanças da lei. Ele cravou nossa dívida na cruz, o preço foi a sua vida (v. 14).
-    Com sua morte na cruz e sua ressurreição, Jesus triunfou sobre o império das trevas, envergonhando os principados e potestades do mal (v.15).
         Na carta aos Colossenses, Paulo nos ensina o caminho para sair do labirinto das heresias e das contradições religiosas: O caminho é Cristo. “Para entender a verdade e evitar a confusão precisamos ter uma forte convicção de sua Supremacia". Jesus está acima de tudo. “Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual fora de Cristo com certeza vai falhar”. “O conhecimento de Jesus é a base para o discernimento”.
         Não podemos negligenciar o estudo da Pessoa de Jesus, pois Ele é o ponto fundamental da nossa fé. Quando seitas e religiões negam a sua divindade ou menosprezam a sua grandeza trazem condenação sobre si mesmas. A nossa adoração, nossas orações, devoção, obediência e consagração pertencem exclusivamente a Jesus, nada deve ocupar o lugar que pertence somente a Ele. A Ele, pois, a Glória eternamente! Amém.

Pr. Alex Gadelha

13 de agosto de 2011

O Homem Natural, o Espiritual e o Carnal




          Afirmamos e cremos que somente aquele que tem o Espírito de Deus pode entender as coisas de Deus. Paulo usou a analogia do espírito humano para explicar isto. Ele disse que assim como apenas o espírito do homem conhece as coisas do homem, “assim, também as cousas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”, isto porque “o Espírito a todas as cousas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus (1ª Co. 2:10, 11).
         Segundo a Palavra, nós temos o Espírito de Deus e este tem nos revelado a sabedoria de Deus e ensinado o conhecimento que nos foi dado gratuitamente por Ele (vs. 12). É uma espécie de conhecimento que não se conquista nas universidades nem na escola da vida, pois é algo ensinado pelo Espírito Santo, que nos capacita a conferir coisas espirituais com espirituais (v. 13). 
         Então surgem perguntas: Por que muitos crentes não entendem a Palavra de Deus? Por que ainda escutamos absurdos vindos de crentes velhos na fé? Irmãos que deveriam ser mestres e ainda são meninos na Palavra? No mesmo texto da Carta, Paulo aponta três tipos de pessoas existentes na Igreja: O homem natural, o homem espiritual e o homem carnal.
          “O homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (v.14). O homem natural é o não convertido, que pode está entre a igreja, mas não entende o significado real de ser cristão. Para ele a igreja é uma organização social, um lugar de lazer ou de rituais religiosos e a vida cristã é encarada à quatro paredes. Não evangeliza, não contribui, nem sente o peso do pecado. É um incrédulo de coração endurecido. Dentro da congregação dos salvos, mas condenado ao inferno. 
     O homem espiritual, à medida do tempo, vai adquirindo discernimento e mergulhando nas profundezas de Deus. Os seus pensamentos e sentimentos resultam em um comportamento de temor e obediência à Palavra de Deus. Ele tem a capacidade de julgar situações e saberes, e ser respeitado nos seus julgamentos.
          No capítulo 3, Paulo se refere aos coríntios como “a carnais, como a crianças em Cristo” (v.1). Os coríntios são exemplos da terceira espécie de crentes: os carnais ou infantis. Em Corinto os problemas eram vários: contendas, impureza, litígio entre irmãos, idolatria e vã glória. Estes irmãos eram salvos, mas confusos quanto às cousas de Deus devido à vida de pecado. O Espírito Santo em um crente carnal está aceso na intensidade de uma vela, por isso pouco ilumina.
         Tanto o homem natural como o crente carnal pode vir a ser um homem espiritual. Para isso, ambos precisam se debruçar sobre a Palavra de Deus e vivê-la intensamente. O homem natural pode se tornar filho de Deus e ser cheio do Espírito e o crente carnal, ou infantil, pode reascender o Espírito e continuar desenvolvendo a mente de Cristo.

Pr. Alex Gadelha

8 de agosto de 2011

EXORTAÇÃO PARA CRESCER NA ORAÇÃO


                      
 “O que exorta faça-o com dedicação” (Rm. 12:8). A palavra grega para exortação tem em si a mesma raiz de um dos títulos do Espírito Santo: O “parakletos”, que significa consolador, ajudador ou advogado. Paraklesis é a palavra usada para exortação no português e significa “chamada”, “ordem”, “consolo”, “exortação”. Exortação é um dom de Deus, visando o despertar e consolo dos crentes que formam a Igreja do Senhor. Exortar é chamar ou até mesmo ordenar ao crescimento e solidificação da fé através do ensino; é servir como apoio didático.

Exortação para Crescer na Oração: “Se quisermos conhecer uma pessoa não devemos perguntar o que ela faz e sim o que ela mais ama” (Agostinho). 

A oração inclui: Falar com Deus; Prestar-lhe adoração; Apresentar-lhe petições; Confissão de pecados; e intercessão por outros. A oração deve priorizar elementos espirituais, no entanto, o que temos vivido?
Oração consumista: Quando somente pedimos; ausência de palavras de gratidão e louvor pelos atributos de Deus; Oração materialista: Buscando o reino material; inversão de valores: o ter em lugar do ser.

JESUS: NOSSO MAIOR EXEMPLO DE PRÁTICA DE ORAÇÃO: “Ele se retirava para lugares solitários e orava”. Lc. 5:16. “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava”. Mc. 1:35. “Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus”. Lc. 6:12. “Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar”. Lc. 9: 28. “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti”.  Jo. 17:1.

Orou ao ser batizado; Lc. 3:21.
Orou para escolher os seus discípulos; Lc. 6:12.
Ensinou seus discípulos a orar; Mt. 6:5-15. 
Ensinou-lhes a eficácia oração com fé e advertiu-lhes sobre obstáculos da oração; Mc. 11:20-26.
Orou do cair da tarde à quarta vigília (entre 3h e 6h da manhã); Mt. 14:23.
Orou impondo suas mãos sobre crianças; Mt. 19:13.
Orou na companhia de três de seus discípulos; Lc. 9:28.
Orou intercedendo pelos discípulos do presente e do futuro; Jo. 17:20.
Orou dando graças antes da última ceia; Lc. 22:19.
Orou para fortalecer a fé de Pedro. Lc. 22:32.
Orou três vezes para suportar a agonia no Getsêmani; Lc. 22:39-46.
Orou nos últimos momentos da crucificação; Lc. 23:34.

Jesus, o Mestre da Oração nos dá o exemplo e nos exorta a estar em constante comunhão com Deus para suportar as dificuldades neste século e formar um caráter santo, firme e maduro. “Vigiai e orai!” é a sua ordem, que possamos romper com o superficialismo espiritual no qual muitos estão mergulhados. Que Deus nos ensine a orar como convém, que Ele nos deixe cônscios de que uma vida cristã sem oração é uma vida medíocre, estática e frágil. A oração fortalece a fé, por isso, “orai sem cessar”.


Pr. Alex Gadelha 

4 de agosto de 2011

DUAS LÓGICAS EM EFÉSIOS 4:17-24



            No capítulo 04 de Efésios, além de tratar sobre a unidade da fé e do ministério dos santos, Paulo fala da nova vida em Cristo, listando pecados que precisam ser abandonados e virtudes que devem ser cultivadas. No texto de Ef. 4:17-24 podemos entender duas lógicas: A da compreensão e do comportamento que os gentios têm em relação a Deus e a que Ele espera que desenvolvamos como novas criaturas.
            O apóstolo enfatiza nestes versículos a importância do pensamento sobre assuntos espirituais, ou seja, a necessidade de ter uma mente transformada para compreender a Deus e sua vontade. Observe as expressões usadas por ele para contrastar a mente do velho homem e a do novo:

A MENTE DO VELHO HOMEM:

·       “Vaidade dos seus próprios pensamentos” (v.17).
·       “Obscurecidos de entendimento” (v. 18a).
·       “Alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem” (v.18b).
·       “Dureza do seu coração” (v.18c).
·       “Se corrompe segundo as concupiscências do engano” (v. 22).

A MENTE DO NOVO HOMEM:

  • ·      “Não foi assim (como os gentios depravados) que aprendestes a Cristo” (v.20).
  • ·       “O tendes ouvido e nele fostes instruídos” (v.21).
  • ·       “Vos renoveis no espírito do vosso entendimento” (v.23)
  • ·       “O novo homem criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (v.24).

            As descrições acima mostram o foco da discussão, que é a necessidade de uma nova compreensão em Cristo. O apóstolo ainda deixa claro que o fato dos gentios estarem alheios à vida de Deus faz com que se tornem insensíveis, perdendo assim a razão e o sentimento que alerta sobre o pecado. Esta falta de conhecimento e de sensibilidade produz um comportamento desviante da verdade, onde os homens se entregam a perversão dos bons costumes e cometem incontrolavelmente toda sorte de impurezas. Essa é a lógica do pecado:

Falta de Conhecimento–> Insensibilidade ao Pecado–> Comportamento Desviante.

            Para os novos crentes de Éfeso, Paulo afirma que se eles ouviram e assimilaram a verdade que foi ensinada em Jesus, não deveriam seguir a lógica de pecado. A exortação é para que os crentes arranquem de si a forma de pensar e agir do passado, do velho homem que é corrompido pela sedução do engano. A renovação começa no “espírito da nossa mente”.
            É a partir do conhecimento da verdade que somos revestidos do novo homem, criado por Deus em justiça e santidade. Eis a lógica do novo homem em Cristo: 

Conhecimento de Deus -> Vigilância  contra o Pecado -> Santidade.

            Na conclusão do capítulo e no restante da carta podemos conferir exortações práticas para os cristãos. Exortações que envolvem não apenas o pensamento, mas também a boca que deve preferir a verdade e usar palavras de edificação; o temperamento controlado; a batalha contra o diabo; as mãos que precisam trabalhar; sentimentos saudáveis e relacionamentos uns com os outros.
            Duas lógicas em Efésios 4:17-24. Qual delas você está seguindo?

Pr. Alex Gadelha.

18 de julho de 2011

Um amor que Excede a todo o Entendimento


        O amor se personificou na pessoa de Jesus. Cada palavra, cada gesto, cada ato seu, uma expressão exata e viva do amor de Deus. “Nunca alguém foi tão odiado por amar tanto”. Ele amou leprosos, cegos, surdos, mudos, possessos, prostitutas, fariseus, ladrões, ricos, pobres, enfim, a todos, independente de classe, posição social ou deficiência física. É interessante notar que seu amor não se limitava ao sentir ou desejar, incluía a ação em favor do próximo. Quem experimentava do amor de Cristo não poderia permanecer o mesmo. Os discípulos tiveram seus conceitos e ideias a respeito da relação com o próximo destruídos e reconstruídos. Enquanto a lei asseverava “olho por olho dente por dente”, Jesus pregava “não resistais aos perversos; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” (Mt.5:38, 39), a lei mandava amar ao próximo e odiar o inimigo, Ele mandou amar os inimigos e ainda orar pelos perseguidores (Mt. 5:43, 44).
Cada traço da Pessoa de Cristo revela um sublime amor. Todos os seus atos nos ensinam a excelência do fruto do Espírito:

Sua ira ante aos cambistas e mercadores refletiu o amor que possuía pelo lugar de oração (Jo. 2:13-22). Foi uma atitude corretiva, nunca de ódio ou crueldade. O livro de Hebreus nos diz que “o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo o filho que recebe” (Hb. 12:6). 

Sua equidade na questão do tributo a César (Lc. 20:19-26) não objetivava desmoralizar ou menosprezar o Império Romano. A resposta “dai a César o que é de César e a Deus o que pertence a Deus” foi uma manifestação de amor pela justiça. Não ouviu a voz do povo nem a do Império, porque o amor não é parcial nem se alegra com a injustiça.

Sua humildade tencionou ensinar os discípulos. Ao lavar-lhes os pés não demonstrou complexo de inferioridade, autopiedade ou autocomiseração (Jo. 13:1-17). Queria impactar aos aprendizes, mostrando que gestos sensíveis podem se tornar inesquecíveis e que a humildade precisa existir em todo aquele se dispõe a seguí-lo.

Sua compaixão. As lágrimas diante daqueles que sofriam pela morte do amigo Lázaro foram de amor, não fraqueza emocional ou sentimentalismo exacerbado. Chorava porque enxergava, ouvia e sentia a  dor alheia (Jo. 11:1-44). Trazia conforto e esperança para aqueles que sofriam solitários a sua miséria.

A verdade foi aplicada por Jesus como antídoto para a cegueira espiritual. O amor que tinha por aqueles que viviam ignorantes à vontade de Deus o incomodava, por isso procurava provocar nas pessoas o desejo de alcançarem a verdade por elas mesmas. Contava-lhes parábolas e ilustrações a fim de enxergarem a luz do Evangelho. Foi assim com Nicodemos, que era considerado mestre em Israel, mas tinha os olhos vendados de presunção, até o momento em que experimentou do amor de Jesus e do novo nascimento (Jo. 3).

           O Messias prometido, o Deus encarnado no homem Jesus, mandou amar ao próximo assim como Ele nos amou. Amar não é uma opção, é um mandamento que deve ser obedecido por todos que estão sob o suave jugo de Cristo. Ele amou de fato e de verdade, e nós como seus discípulos precisamos fazer o mesmo. “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo. 13:35).

Pr. Alex Gadelha

11 de julho de 2011

Transformando através da Verdade


Jo. 3:1-15

      “A verdade é revolucionária” disse Antonio Gramsci. Jesus viveu este principio quando  o aplicou com o fim de transformar os homens. No trato com as pessoas não usou atalhos, nem bajulação para adquirir credibilidade. O Senhor falou a verdade de forma consistente, completa, direta e com tato. Para cada tipo de pessoa usava uma abordagem diferente, porque as pessoas são diferentes, porém, todas precisam ouvir a verdade.

       A Bíblia registra a história de um homem chamado Nicodemos. Este foi “de noite” ter com Jesus. E por que de noite? Porque “estava com medo do que as pessoas pudessem dizer ou fazer, se tornasse conhecida sua visita a Jesus. Ele foi ‘de noite’ porque não tinha fé nem coragem suficiente para vir durante o dia”. Quando chegou a Sua presença, usou elogios e palavras de afirmação: Chamou-o de Rabi e disse que Ele vinha do céu, da parte de Deus, devido a sua autoridade e poder. Talvez esperasse uma atitude de reverência, afinal era um homem importante, um dos principais dos judeus. Mas o Senhor nunca se deixou levar por palavras ou hierarquia (Jo. 2:23-25). Foi direto e falou da necessidade de um novo nascimento: “Se alguém não nascer de novo, não pode VER o Reino de Deus” (vs. 3). 

     O fariseu indagou como poderia um homem já velho nascer de novo? Perguntou ironicamente se era possível retornar ao ventre materno e sair uma segunda vez. Sua fuga foi tentar limitar a verdade dita por Jesus a dimensão material, física. Jesus estava falando de coisas espirituais (1ª Co. 2:14) e insistiu dizendo ao religioso que precisaria nascer da água e do Espírito para ENTRAR no Reino de Deus (vs. 5). Nicodemos estava acostumado a ensinar, mas naquela noite, ele era o aluno. O Mestre lhe ensinou que havia diferença entre aqueles que nascem apenas biologicamente (da carne) daqueles que nascem espiritualmente (do Espírito). Mas tal ensinamento era estranho à mente do fariseu, que confuso perguntou: “Como pode suceder isto?” (vs.9).

       Jesus questionou o "mestrado" de Nicodemos: “Tu és mestre em Israel e não compreendeis estas coisas?” (vs.10). Ora, conhecimento religioso não significa intimidade com Deus. Os fariseus conheciam os 614 mandamentos da lei, as cerimônias, os rituais, dogmas e tradições, no entanto, não tinham comunhão com Deus. Comportavam-se como “ateus religiosos”, afirmavam acreditar em Deus, mas viviam como se Ele não existisse. Jesus continuou a confrontá-lo, dizendo que se não aceitavam o seu testemunho a respeito de coisas terrenas, como poderiam crer se falasse das celestiais? (vs. 11). Explicou ao mestre judeu que a serpente levantada no deserto era uma figura de sua crucificação: No deserto quem olhasse para a serpente de bronze seria curado, na cruz quem O contemplasse pela fé seria salvo (vs. 14, 15). 

      No decorrer do discurso, não lemos nenhuma interrupção feita por Nicodemos. Ele se calou ante aos ensinos de Jesus, que ainda falou do amor de Deus pelo mundo, enviando o seu Filho para dar a vida em resgate dos que nele crêem (vs. 16). Asseverou que aqueles não criam já estavam julgados (condenados) porque amaram as trevas e rejeitaram a luz (vs. 18).

     O texto não revela o resultado imediato desta conversa, mas sabemos que Nicodemos defendeu Jesus quando este foi acusado pelos principais sacerdotes e fariseus (Jo. 7:51), foi ele quem embalsamou o corpo do Mestre com 30 quilos de mirra e aloés (Jo. 19:39, 40). Penso que depois daquela noite Nicodemos não foi mais o mesmo, Cristo revolucionou a sua vida através da verdade.

Pr. Alex Gadelha

7 de julho de 2011

Marque na Sua Agenda!


3 de julho de 2011

Um Homem Movido de Grande Compaixão

Jo. 11:1-46

    O que está acontecendo com a humanidade? De onde vem tanto desprezo pelo próximo, pelo solitário, o enfermo, o preso e o necessitado? Os homens estão mais insensíveis à dor alheia. E insensibilidade não é virtude, é doença da alma. O apóstolo Paulo profetizou que nos últimos dias os homens seriam egoístas, desafeiçoados, implacáveis, cruéis, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus (2ª Tm. 3:1-5). Falta compaixão, falta o compartilhar de si mesmo para aliviar o fardo dos outros.
    Enquanto os religiosos de sua época gabavam-se de uma suposta santidade e pureza, Jesus mostrava-se um homem piedoso e compassivo, procurando e sendo procurado por enfermos, pobres e marginalizados. Censurava os fariseus porque estes seguiam rigorosamente a lei, mas negligenciavam os preceitos mais importantes dela: a justiça, a misericórdia e a fé (Mt.23:23; Mq. 6:8). A “misericórdia farisaica” tinha como fim o reconhecimento dos homens e isso não agrada a Deus (Mt.6:1-4). Quando Jesus curava, alimentava e consolava os que estavam em sofrimento, não pretendia atrair “popularidade”, agia assim porque tinha compaixão. Eram atos de amor e não estratégias de manipulação.
      Certa vez, quando estava nas proximidades do rio Jordão, Jesus recebeu a notícia de que: “estava enfermo aquele a quem amas” (vs. 3). Referiam-se ao amigo Lázaro, irmão de Marta e Maria, na casa de quem uma vez se hospedaram (Lc. 10:38, 39). Após receber o comunicado, o Senhor ainda demorou dois dias para atendê-lo. Ora, ele bem sabia o milagre que estava a fazer. Nem chegou a Betânia, Marta saiu ao seu encontro lamentando sua ausência durante a enfermidade do irmão. Cristo a consolou dizendo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (vs. 25, 26). Marta ao ouvir isto confessou sua fé dizendo “eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (vs. 27).
       A morte aflige a alma. Jesus sabia disto, pois em outras ocasiões consolou pessoas que pranteavam entes queridos (Lc. 7:13; 8:49-56). Diante do sentimento de perda causado pela ausência de Lázaro, O Senhor “agitou-se no espírito e comoveu-se” (vs. 33). A sua reação não ficou oculta, foi expressa através de lágrimas. A Bíblia diz claramente que Jesus chorou (vs. 35), e não foi a única vez que se registrou este fato (Lc. 19:41). A compaixão não se resume apenas no sentir ou no chorar, envolve o agir. O apóstolo Tiago escreveu: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? (Tg. 2:15, 16). Jesus sentia, mas também agia: perguntou onde estava o corpo, mandou afastar a pedra e ressuscitou a Lázaro (vs. 34-44).
          Não foi apenas a morte que causou compaixão no Mestre. A fome alheia fez com que multiplicasse os pães e os peixes (Mt. 15:32); a aflição e o cansaço do povo, o fizeram interceder junto aos discípulos (Mt. 9:36-38); o sofrimento dos doentes movia-o a cura (Mt. 4:23, 24); a condenação eterna dos homens, fez com que Jesus deixasse seu trono de glória para sacrificar-se na cruz (Rm. 5:8).
      Nós, como Igreja do Senhor, não podemos nos tornar insensíveis a dor alheia. Precisamos usar de compaixão para com os que sofrem, cuidando também daqueles que ainda não conhecem o Salvador. 

Pr. Alex Gadelha


21 de junho de 2011

Abigail: A Pérola do Carmelo


1º Samuel 25

Monte Carmelo (Mount Carmel)
            “Por trás (ou ao lado) de um grande homem sempre existe uma grande mulher”. Você já deve ter ouvido essa expressão alguma vez em sua vida. Geralmente ela é usada quando se pretende elevar a auto-estima de uma mulher frente a uma conquista ou elogio ao marido. Mas, o que dizer de uma mulher virtuosa que possui um marido mau caráter? Talvez a paixão, que é diferente do amor, pois enquanto este é um ato consciente, aquela é uma catarse emocional que emburrece e cega, foi o motivo que os uniu. Isso não significa que tudo está perdido e que o casamento será uma eterna penitência. Deus faz o impossível e é capaz de realizar o milagre de transformar um mau casamento em uma união prazerosa e edificante.
            A história de Abigail nos oferece oportunidades de pensar sobre a postura de uma mulher que vive com um homem mal. Ela casou-se com um mau caráter chamado Nabal. A “fonte de alegria” casou-se com a “loucura”. Provavelmente por imposição dos pais, pois na época o casamento era acertado entre as famílias e não entre os noivos. Ele era um homem com características grotescas e desprezíveis. A ambição por suas riquezas parece ter influenciado a sua personalidade de maneira que era um ser abastardamente mesquinho, duro e maligno no trato com as pessoas, fossem servos, estrangeiros ou a própria esposa. Como seria viver com um homem assim?
            Abigail poderia ter escolhido ser uma esposa rebelde e contumaz, que ignorasse a vontade de seu marido e provocasse a sua vergonha diante da família e da sociedade. No entanto, o texto nos diz que era uma mulher sensata, consciente de si mesma e capaz de prever situações e atitudes acertadas nos momentos de tensão. Não é comum as pessoas agirem precedidas de reflexão. O que observamos no dia a dia são mulheres precipitadas, que somente pensam depois que falaram ou fizeram alguma “besteira”. Outras apressam o rio, não deixando as águas fluírem sozinhas. Querem resolver em curto prazo situações que exigem paciência e esforço. Existem coisas na vida, como um mau casamento, que demandam tempo para serem reparadas, ajustadas ou aperfeiçoadas.
Pelas más atitudes do marido, entendemos que Abigail era uma mulher paciente, mas não acomodada. Além de formosa, a jóia do Carmelo tinha iniciativa e liderança. Quando soube da asneira de Nabal em destratar os servos do Rei e na determinação deste de matar todos do sexo masculino de sua casa, ela imediatamente juntou os servos, tomou provimentos e os enviou às ocultas. A sua coragem de acompanhar o cortejo de mantimentos também é notável. Sua humildade de se prostrar em reconhecimento da autoridade e grandeza do Rei, mostra o respeito diante de um ungido do Senhor. Ela não encobriu o mau caráter do marido, mas assumiu a culpa, intercedeu por perdão. Além de abençoar ao rei, aconselhou-o a não derramar sangue sem causa, mas permitir que Deus o vingasse de seus inimigos.  
A delicadeza e sabedoria de Abigail quebrantaram o coração do rei, que reconheceu ter sido ela enviada por Deus para impedi-lo de vingar-se com as próprias mãos. Davi bendisse a prudência de Abigail e também a ela mesma. Recebeu os mantimentos de sua mão e a despediu em paz. O que haveria de acontecer quando o seu esposo soubesse de tal “traição”? Ela deveria contar o acontecido? Sim. Mas em um momento de lucidez. Assim, esperou o amanhecer quando passou o efeito do vinho ingerido durante o “banquete de rei” que fez para si mesmo na noite anterior. Após ouvir o acontecido pela boca de sua mulher, Nabal petrificou o coração de amargura e dez dias depois foi ferido de morte por Deus. É assim, quando se mistura álcool, mesquinhez e orgulho.
O caráter e a beleza de Abigail conquistaram o coração de Davi, que quando soube da vingança do Senhor sobre Nabal, mandou seus servos falarem a viúva o seu desejo de tomá-la como mulher. E mais uma vez ela se apressou, dessa vez para ser esposa de um rei. 

Pr. Alex Gadelha

Conselhos no Twitter