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18 de outubro de 2009

Provação e Alegria

Tiago 1:1-12

O sofrimento é um fato universal. Ele está presente em todo o mundo, entre todas as pessoas, independente de quem sejam ou o do quanto possuam. Apresenta-se de diferentes formas e atinge o homem por inteiro. A alma é assediada constantemente por sentimentos doentios como a angústia, amargura, depressão, medo e tantos outros desconfortos internos, invisíveis e mui dolorosos. O espírito sofre com a ausência de Deus, quando O sente distante ou decide negá-lo. O corpo é o elemento mais sensível do homem, está sujeito a doenças, desequilíbrios, fraturas, hematomas, morte.

O sofrimento não acontece sem causa, antes é suscitado por decisões próprias, agressão de outros, circunstâncias biológicas ou até mesmo dores infringidas por vontade Divina. Claro que nem sempre é fácil explicá-lo, muitas conjecturas e teorias acabam confundindo mais do que esclarecendo. Mas porque procuramos respostas? Procuramos racionalizar a dor com a intenção de amenizá-la ou até mesmo extingui-la. Para a maioria de nós conformar-se com o inexplicável é insatisfatório e isso acaba por aumentar a aflição. É bom entender que existem dores que são diagnosticadas, outras são humanamente indecifráveis.

Alguém em perfeito estado de consciência irá fugir do sofrimento, principalmente o evitável. Sofrer não é bom, mas dependendo da reação pode gerar coisas boas em nós. No início é natural lágrimas, taquicardias e insônias, mas quando superamos ou sabemos administrá-lo pode resultar em uma força imensurável e provocar uma reflexão sobre a vida que conduz a novas visões e atitudes diante dela. Uma das primeiras lições que aprendemos é a de que quando perdemos o status de conforto, nos tornamos sensíveis à importância das pessoas e dos momentos que considerávamos comuns.

Há possibilidade de conciliar sofrimento e alegria? Eis uma pergunta que parece insana. Porém, é possível experimentar paz e gozo quando o sofrimento é superado, ou bem administrado ou ainda quando suportado devido à nobreza da causa.

O apóstolo Tiago escreveu sua carta aos judeus da Dispersão, que eram os irmãos pertencentes às doze tribos judaicas espalhadas pelo mundo. No prólogo logo se infere que eles estavam passando por dificuldades como perseguição à fé e pobreza. Mas o conselho do irmão do Senhor foi o de se alegrar nas várias provações, pois através delas a fé seria avaliada, confirmada e produziria perseverança. A perseverança é a capacidade de continuar no Caminho mesmo diante de circunstâncias adversas. Esse tipo de atitude é capaz de reparar deficiências, tornando o cristão maduro e íntegro.

E quando não sou perseverante? Quando desisto facilmente? O que fazer? Tiago exorta os crentes a pedirem sabedoria ao Deus Benevolente. Agora é necessário pedir com fé, sem oscilar. O cristão de ânimo dobre (o indeciso, de duas vontades) é inconstante na obediência ao Senhor, fácil de dissuadir e por isso recebe como pena a rejeição de sua oração. Sem fé é impossível agradar a Deus.

O apóstolo ainda exorta sobre os problemas de relacionamento derivados da desigualdade social. O crente de condição humilde não pode vender ou desvalorizar sua dignidade. Pelo contrário, ele deve desenvolver uma atitude de contentamento e zelo pela obediência a Deus. As condições econômicas não discernem se um crente é mais espiritual ou mais abençoado que o outro. O que se prova na balança divina é o coração e a disposição de fazer a vontade de Deus. O rico deve ter sua glória não nas riquezas, mas no reconhecimento de sua insignificância diante de um Deus Eterno. Assim como Isaías, Tiago compara a glória do rico à efemeridade de uma flor, que aparece tão formosa no seu vicejar, mas, de repente, murcha, seca e despenca do alto.

Se existe um motivo para sentir-se feliz, esse é o de ser capaz, pela fé, de suportar a provação com perseverança. No grande Dia, os que amam ao Senhor, serão recompensados pela sua fidelidade incondicional. Para estes, a coroa da vida está guardada.

Pr. Alex Gadelha

25 de julho de 2009

Deus e a Família

     Presenteando a Adão com Eva e ordenando-lhes que se multiplicassem sobre a terra, Deus estabeleceu a Família. Ela foi um remédio divino para a solidão humana. Na união entre o homem e a mulher e na conseqüente geração de filhos, a criatura experimentou a plenitude emocional, espiritual e física proporcionada pelo Criador. Após o pecado as coisas mudaram. E para pior. As dores de parto se multiplicaram, os meios de provisão tornaram-se áridos e os filhos nutriram sentimentos de disputa e vingança. O paraíso chamado Família parecia ter chegado ao fim. O ideal Divino havia fracassado?
           Deus olhou do céu, viu um homem e sua Família. Alguém que caminhava com Ele durante todo o percurso da vida. Noé atraiu o olhar e o coração do Pai e foi poupado do Dilúvio, bem como sua esposa, seus três filhos e suas noras. Uma família sobreviveu às águas da morte. Após a confusão das línguas causada pela rebelião da Torre de Babel, o coração divino foi atraído novamente pela fé de um homem. Seu nome era Abrão. Logo o separou de sua parentela idólatra e o levou a terra prometida. Mas o pai da fé não estava só, Sarai sua esposa e Ló seu sobrinho os acompanharam na peregrinação. A clara intenção divina era, através de Abraão, abençoar “todas as famílias da terra”. A instituição divina continuava viva!
          Acelerando os ponteiros do tempo vamos chegar até Jesus, Filho de Deus, Verbo encarnado, Auto-suficiente, mas que escolheu nascer entre um homem e uma mulher que se amavam. Deus deu o prazer a um casal de criaturas de exercerem a paternidade sobre Ele. E o menino Emanuel era-lhes submisso (Lc. 2:51). Ainda é relevante saber que Jesus teve irmãos e irmãs (Mc. 6:3). Ele experimentou a família e nela se nutriu de sabedoria, cresceu em estatura e graça, diante de Deus e dos homens (Lc. 2:52). Na opção Divina a intenção de preservar a família.
Após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, a Igreja continuou a missão de pregar as Boas Novas e em muitos momentos estas alcançaram famílias inteiras como aconteceu nos casos do carcereiro de Filipos (At. 16), do centurião Cornélio (At.10) e de Crispo, principal da sinagoga (At. 18). É registrado que muitos lares serviram para reunir a Igreja do Senhor (Rm. 16). Com certeza, a conversão de famílias inteiras contribuiu para que o trabalho missionário ganhasse  força.
          Uma Igreja forte possui em seus membros famílias fortes, pois estas têm o poder de influência coletiva pelo bom exemplo e equilíbrio nas relações dentro de casa. É nestes tipos de relações que a sociedade precisa se inspirar. E como sal da terra e luz do mundo, os cristãos devem assumir a responsabilidade de ser o bom exemplo. Claro que não existem famílias perfeitas e que algumas vivem absurdamente distantes do ideal pensado por Deus. E sofrem por isso. No entanto, mesmo que haja deficiências, é necessário dedicar atenção e esforço para viver dentro da boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Ef. 6, Rm. 12).
         Deus ama a Família. É uma evidência histórica. E nós como promotores desse amor somos chamados para nutrir de esperança nossos lares e o daqueles que parecem não ter solução. Jesus pode e quer entrar em nossa casa, para instruir a vontade e restaurar os sonhos, para fortalecer os laços de afeto e de alegria. Creia. Busque-o. Ele ama você e sua família.
Pr. Alex Gadelha.

2 de julho de 2009

Como Vivo a Fé no Cristo que me Ama

Procuro viver minha fé de modo discreto e persuasivo. Quero que quem me conheça logo descubra a fonte da minha paz e prudência: o Senhor Jesus Cristo. Não preciso mentir nem inventar histórias miraculosas que não vivi para atrair as pessoas ao Salvador. Ele é admirado quando amo sem acepção, quando olho nos olhos e transmito serenidade. Acredito que podemos conduzir alguém a se aproximar de Deus mostrando-lhe interesse por sua vida, seu bem. Trabalhar para o seu bem não significa satisfazer todas as suas vontades nem ignorar todos os seus erros, inclui também confrontá-lo naquilo que precisa mudar e incentivá-lo no desenvolvimento das virtudes cristãs. Isso envolve a dura tarefa de ajudar as pessoas a conhecerem a si mesmas principalmente a Deus.

Deus é bom e os que o amam se esforçam para o ser. É uma questão de consciência. Para mim uma das maiores manifestações da bondade de Deus está nas oportunidades criadas por Ele mesmo. Essas se evidenciam na iniciativa do Criador em “fazer as pazes” com o homem. Mas não espere um anjo do céu descer até você trazendo uma mensagem ou uma visão mirabolante. O costume de Deus tem sido usar pecadores como ministros de reconciliação. Confesso que assumir tal ministério não é tarefa fácil. Exige uma postura repleta de ambiguidades, paradoxos, ou qualquer expressão que comunique a ideia de atitudes aparentemente contraditórias. Isso porque ao mesmo tempo em que amo as pessoas, odeio o pecado. Então, se você deseja agradar a Deus e se libertar do emaranhado de vícios e mágoas, pode contar comigo. Mas não espere que esconda sua maldade debaixo do tapete da religiosidade. Em alguns momentos posso oferecer um sorriso fácil com risadas acústicas, também chorar ao seu lado, compartilhando sua dor. Em outras situações meu rosto pode permanecer rígido, minha alma triste, meu espírito silencioso, apenas orando e olhando a distância. Diria que esse é meu jeitão de dizer que não concordei com sua atitude. Mas não se preocupe, não deixarei de te amar. Aliás, quem deixou de amar nunca o fez de verdade.

Uma vez alguém me disse olhando nos olhos que sentia o Espírito Santo em mim, “via esperança”. Outra pessoa disse que conseguia ver pureza, sinceridade. A primeira foi uma presidiária, 33 anos, presa por tráfico de drogas. A segunda uma professora universitária. Duas diferentes mulheres. Elas acertaram? Também preciso de pessoas que consigam enxergar coisas do meu “eu oculto”, aqueles pontos cegos que só os outros são capazes de ver. O problema é quando se projetam-se em mim. Projetar-se é ver a si mesmo nos outros. Sinceramente, gostaria de refletir Jesus. Não apenas no meu olhar, mas na maneira de tratar as pessoas. Ore por mim.

É mais ou menos assim que vivo a fé no Cristo que me ama. Querendo representá-lo não apenas no mundo das idéias, mas especialmente nos relacionamentos. Silenciosamente peço mansidão e humildade para suportar as críticas injustas, os olhares acusadores e subestimadores. Penso que se existe algo de bom em mim, é porque Deus o colocou. Não há um justo, nem sequer um. Mas existem muitos justificados pela cruz. Fico com um elefante atrás da orelha quando vejo homens que não precisam da cruz, auto-suficientes, donos do poder e da vontade divina. Eu não acredito em um servo do Senhor de coração altivo. Admiro a fé simples de homens e mulheres que obedecem a Deus, que O amam no próximo e na Igreja. Esse tipo de relacionamento com Deus atrai outros para a comunhão, pois é doce, suave, leve. E ao mesmo tempo em que inquieta, também refrigera. É o que eu quero e tento viver.

Pr. Alex Gadelha

1 de maio de 2009

“Eles nem sabem que coisa é envergonhar-se”

Jeremias é um daqueles homens de quem pediríamos a Deus porção dobrada de seu espírito. Isso significaria uma dose dupla de coragem, temor, persistência, ousadia, resistência e tantas outras atitudes de um coração virtuoso. Era filho de Hilquias, o sacerdote de quem herdaria o ofício religioso. Mas de forma surpreendente, como Deus gosta de fazer, ainda jovem ouviu o chamado para repreender os muitos pecados de Judá, dentre eles a aliança feita com os caldeus, idolatria, malícia, corrupção sacerdotal, prevaricação e constante hipocrisia.

            Desde o início, o Senhor havia deixado claro que a missão designada não seria fácil porque sua pregação repercutiria em todo o mundo de seu tempo. Disse-lhe o Senhor: “Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares” (1:10). O conteúdo de seus discursos possuía um teor condenatório, isso causou inquietação entre reis, autoridades religiosas, familiares e em toda a sociedade israelita. A dureza das palavras postas por Deus em sua boca reprovava principalmente o culto superficial dos judeus e as abominações idólatras praticadas pelo povo. A fidelidade do jovem profeta à sua missão lhe custou os privilégios sacerdotais, a morte de sua amada e a própria liberdade, além de rigorosos sofrimentos nas mãos das autoridades furiosas.

O que mais impressiona na geração do profeta é a frieza da nação diante das imundícies praticadas. Havia uma descarada religiosidade frívola que tentava camuflar a infidelidade do povo. Deus enviou Jeremias para adverti-los sobre o fato de que o Juiz de toda a Terra não estava alheio às motivações egoístas e práticas pecaminosas da nação. Os pactos com pagãos e as escolhas das autoridades culminariam em um tempo de desgraça, destruição do templo, dos muros e da cidade de Jerusalém, além de dura escravidão, morte e tantas outras desventuras sujeitas a qualquer que se desvia do Caminho. A dureza de coração demonstrada pelos seus compatriotas mereceu todo rigor da punição. Perceba nas palavras do profeta a condição em que o povo se relacionava com o seu Senhor: “Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR” (Jeremias 6:15).

            Eles não sentiam vergonha pelo pecado. Sabe o que isso pode resultar na vida de alguém que serve a Deus? Acúmulo da ira, perigo, castigo eminente. Ora o que significa não sentir vergonha? A palavra vergonha vem do latim verecundĭa, era utilizada para descrever a vermelhidão nas faces provocadas pelo insulto à honra. Neste sentido, não sentir vergonha é próprio de pessoas que não possuem respeito a si mesmos e aos valores que assumem. Sentir vergonha, no sentido aqui discutido, deve ser entendido como zelo pelos valores que assume, pelas crenças as quais se dedica e pelas pessoas a quem ama. Não cuidar pela coerência entre o que acredita e o que faz é falta de vergonha. Falta de honestidade consigo mesmo e com os outros com quem convivemos, mas principalmente com o Deus a quem nos entregamos.

            Será que a geração dos crentes do século XXI  assemelha-se a do profeta Jeremias? Alguns, envergonhados, irão dizer que sim. atualmente podemos observar a falsa espiritualidade que contamina igrejas, diagnosticada nos belos discursos impregnados de um distanciamento exorbitante da prática. Assim fica difícil de lidar com as pessoas, pois não assumem sua real condição diante de Deus e ainda mostram-se externamente “fervorosos” a sociedade. Entretanto, o fato é que ninguém é tolo o suficiente para ser enganado centena de vezes. Como diz o provérbio popular: “Você pode enganar cem pessoas de uma vez, mas não enganará cem vezes a mesma pessoa”. Um dia a máscara cai e enxergam a falta de vergonha que tanto cauteriza a mente e o coração dos hipócritas.

            Procuram-se pessoas de vergonha. Homens e mulheres que sintam quando sua fé e honra estão sendo feridas e que zelem por preservá-las ou recuperá-las. Não apenas a Igreja, mas a sociedade com um todo mostra o caos quando a honra é relativizada ou ignorada. Enquanto não houver uma construção sólida de uma consciência baseada nos ensinos de Cristo e na Pessoa de Deus, haveremos de sofrer com o péssimo testemunho dos desavergonhados. Então podemos concluir que um dos atuais desafios para os discípulos de Jesus é o de assumir uma postura de coragem profética, ou seja, abraçar a idéia de serem modelos de honra para a presente geração.

Pr. Alex Gadelha. 

14 de fevereiro de 2009

Deus

Deus não é uma idéia ou um conceito, mas uma Pessoa. É assim como decidiu se revelar, assumindo a semelhança humana. Deus expressa sentimentos quando ira-se contra o pecado, alegra-se com os humildes e chora devido à incredulidade e o sofrimento. Ele também evidencia a capacidade de pensar. Sua Sabedoria é notória em toda a História revelada na Bíblia e existem questões do Seu Pensamento que ultrapassam a nossa mente finita. Em certos casos alguns tentam negá-lo, mas precipitam-se na sua finitude. O fato de não compreender uma Pessoa por completo, não é motivo para afirmar que ela não exista. Deus também escolhe. Isso significa que Ele tem vontade e liberdade para dizer sim ou não, ir adiante ou parar. As decisões do Criador não são arbitrárias ou sem critérios de Justiça. Ele é a Justiça em Pessoa, é perfeito em todos os seus caminhos. A plenitude do conhecimento de Deus é insondável, inescrutável. O pouco que conhecemos do Criador nos maravilha e às vezes nos confunde, mas é suficiente para exigir uma decisão de apreciação ou rejeição de sua Pessoa e Vontade.

Deus escolheu vir no Homem Jesus Cristo para revelar e ensinar a sua essência: o amor. O amor vivido em Jesus não se identifica com a inconstância dos sentimentos humanos, pelo contrário, é algo consistente, perseverante e íntegro. O amor de Deus é a síntese de todos os Seus atributos. Isso quer dizer que a afirmação bíblica de que Deus é amor, explica que tanto age com misericórdia, paciência e bondade como também com zelo, sabedoria e justiça. Deus salva o homem porque ama. Deus condena o homem porque ama. O amor não é injusto, mas alegra-se com a execução da justiça nos que crêem e nos que escolheram não crer.

Em Jesus, Deus decidiu se aproximar como nunca antes. Nascendo, crescendo, alimentando-se, trabalhando, dormindo, olhando nos olhos, tocando, relacionando-se com pais, irmãos e parentes, homens, mulheres e crianças, políticos e religiosos, pobres e abastados, assassinos, prostitutas, ladrões, bêbados, doentes, endemoniados, mentirosos e honestos, preguiçosos e trabalhadores, orgulhosos e humildes. Amou a todos. Exortando-os ao arrependimento, repreendendo certas atitudes, corrigindo falsas idéias, curando o corpo e a alma, perdoando pecados, ensinando a esperança, sofrendo vicariamente, morrendo de forma humilhante e ressuscitando em glória. Deus em Cristo contraria o senso de autojustificação, aquela idéia de conquistar a redenção através do poder do braço ou da articulação da inteligência. A religião como sistema de regras e crenças alicerçadas em tradições humanas tenta sutilmente deixá-lO do lado de fora do Trono da Vida, coroando a criatura ao invés do Criador. Mas a graça de Deus superabunda sobre a ignorância humana e proporciona a salvação pela fé no amor da cruz. O sacrifício do calvário outorgou o meio de salvação como sendo através de Jesus, o Deus amoroso encarnado. Para receber o dom da vida eterna basta apenas reconhecer-se necessitado do favor divino para o perdão dos pecados. O Favor Divino é Jesus.

Jesus não quer apenas salvá-lo, também quer amá-lo em um relacionamento invisível, mas real. Fazendo-lhe o bem, transformando sua maneira de sentir, pensar e agir. Ampliando sua visão do mundo e das pessoas através de ensinamentos preciosos, repletos de sabedoria e felicidade. Preparando-te para a batalha diária entre Reinos invisíveis, o das trevas e o da Luz. Cuidando das circunstâncias que circundam seu respirar. Talvez Ele não as mude, talvez seja você quem experimente uma ação transformadora na maneira como vê o mundo. A morte, doenças, tragédias, bens materiais, dinheiro, éticas e estéticas são entendidos com os olhos da fé.

A fé é a convicção do invisível e a certeza da esperança gerada pela compreensão da Palavra de Deus revelada na Bíblia. Crendo, você conhece a Deus, supera a deficiência da descrença e torna-se um ser potencialmente amoroso. Ora, o amor é o vínculo da perfeição.

Pr. Alex Gadelha

8 de fevereiro de 2009

Submissão

Esta palavra gera um sentimento de medo, principalmente por parte das mulheres. A idéia de ser “submissa ao próprio marido como ao Senhor” é aterrorizante. E para minimizar a dor ideológica formulam-se conceitos que minimizem a possibilidade “humilhante” de ser vista como submissa. Isso acontece porque muitas tiveram sua dignidade ferida por maridos cruéis ou por setores da sociedade que ultrajam a mulher, ou ainda como desculpa para defender um espírito rebelde. Mas é importante destacar que o princípio da submissão não está restrito ao sexo feminino, ele é universal.

Foi o próprio Deus Quem estabeleceu a idéia de alguns seres governarem outros. É só considerar a hierarquia dos anjos dos céus, a ordem para o homem dominar a Terra, a relação entre o homem e a mulher, a honra que os filhos devem prestar aos pais e os mais novos aos anciãos, a existência de governos e a presença de líderes entre amigos, na escola, no trabalho, na Igreja. Quer queiramos ou não, estamos em uma rede de relacionamentos onde alguns possuem poder de decisão sobre nós. Em certos casos esse poder é conquistado pelo caráter, pelo jeito-líder de ser, noutros foi dado por alguém, comprado ou até imposto.

Será que o conceito de submissão está claro na mente dos que o rejeitam? É mais fácil ouvirmos o que não é submissão: “não é escravidão”, “não é humilhação”, “não é anular a personalidade”, “não é...”. Às vezes definir negativamente é uma maneira de preservar sua opinião e fugir de certos deveres. Entretanto, tentemos uma conceituação afirmativa utilizando a etimologia do termo: O prefixo “sub” quer dizer “abaixo de” e “missão” algo a ser cumprido. Então, submissão seria estar debaixo de uma responsabilidade. Para a mulher seria a de auxiliar o marido, cuidar do lar. O dever do marido é o de amar a sua esposa como Cristo amou à Igreja. Ele fez isto doando a própria vida (Ef. 5:22-27). A missão dos filhos seria honrar os pais (Ef. 6:1-3). A responsabilidade dos cidadãos é de obedecer as leis estabelecidas pelo Governo Humano, desde que estas não contrariem a Lei Divina (Rm. 13:1-7). Também é necessário reconhecer o dever de obediência aos pastores e líderes do Corpo (Hb. 13:17). Os empregados devem servir de coração aos seus patrões como estes devem zelar por eles (Cl. 3:22-4:1). Para o dia a dia Paulo exorta considerar os outros superiores a si mesmo (Fl. 2:1-4). E com relação a Deus devemos amá-lo entregando-lhe a vontade, assumindo total dependência (Mt. 22:37). Alguns podem entender a aceitação destas orientações como uma declaração de óbito dos desejos pessoais, mas não é isso que Deus quer.

Reconhecer a autoridade do outro não significa deixar de existir, de pensar ou decidir. Quando isso acontece não é submissão, mas alienação. Em uma relação saudável de autoridade há liberdade para o diálogo, para a argumentação respeitosa. Se isso não acontece resulta em autoritarismo, tirania. Por outro lado, não podemos usar a liberdade de pensamento como subterfúgio para defender a insubmissão. Existem momentos em que devemos abrir mão da nossa opinião em respeito à autoridade do outro. Nessa relação paradoxal é necessário o difícil equilíbrio entre o ceder e o resistir, o argumentar e o calar, o falar e o ouvir. Em situações críticas precisamos apelar à justiça divina, aquietar-se e esperar que Deus resolva. Outros casos exigem uma atitude de ousadia em defesa da verdade, não propriamente de si mesmo. Submissão é obediência inteligente.

Agora note a maneira como Deus trata o seu povo. Como Autoridade Soberana Ele aponta caminhos, oferece opções e também adverte sobre as conseqüências (Mt. 7:13, 14). Ele abre espaço para o arrazoar (Is. 1:18-20). Bate na porta, espera uma resposta (Ap. 3:20). Coloca condições (Jo. 3:18). É uma relação saudável que não anula o Poder do Criador, mas, pelo contrário, evidencia-o e leva-nos a reconhecê-lo como totalmente digno de nossa confiança, admiração e obediência. A submissão a alguém de caráter íntegro enaltece a identidade do submisso, pois a autoridade além de merecer honra, tem a responsabilidade de dar segurança, nutrir de conhecimento e promover a maturidade de quem o honra. Observar o caráter do senhor é uma maneira de conhecer também o do servo. “Diga-me a quem tu obedeces, e eu direi quem tu és”.

Por fim, doar-se inteligentemente extrapola o ego, ensina o amor. E o amor é o vínculo da perfeição. Ele inevitavelmente será expresso em gestos, palavras e sentimentos sublimes. Ser submisso é ser honesto no nível moral do seu relacionamento, é não ter medo de ceder. A submissão é uma bênção que precisa ser compreendida.
Pr. Alex Gadelha.

O que Esperar de uma Igreja ao Longo do Tempo?

Diferente do lento processo de maturação que passa o corpo e a mente do ser humano, penso que a Igreja pode acelerar o seu crescimento. Não por suas próprias forças, mas pela dependência de Deus. Ser dependente de Deus não significa ser inútil ou inativo. Mas, pelo contrário, significa entregar-se durante o serviço. E dentre muitas coisas, essa entrega envolve a disposição de conhecer a vontade de Deus revelada na Palavra, o contato contínuo com o Criador por meio da oração, sensibilidade à voz do Espírito Santo, o compartilhar do coração uns com os outros na comunhão e acima de tudo a difícil decisão de amar ao próximo.

Creio que a vontade de Deus é que com o passar do tempo a Igreja cresça por meio dos seus membros. Cada um executando a sua função no Corpo, cooperando com todas as partes, fortalecendo-se mutuamente e intensificando sua influência sobre o mundo. Quando uma igreja pára de crescer, não é porque Deus quer assim, mas porque os membros não exercem os seus dons. Ora se alguns atrofiam, o Corpo inteiro sofre, sobrecarrega, pois somos uma teia de relacionamentos, interdependentes. Mas também não devemos esperar pelo dia onde todos assumirão suas responsabilidades ou quando deixarão de ser consumidores e possuirão um alto nível de vida devocional. Esse dia não existe. Primeiro, porque nem todos que vêm à Igreja são de fato convertidos à Jesus, segundo, porque alguns têm sido sufocados pelos cuidados, riquezas e preocupações desta vida.

E a idéia de “mudar a sua Igreja começando em si mesmo” só funciona se a intenção estiver voltada para adorar a Deus, edificar o irmão e evangelizar o próximo. Se a causa da aceitação de novas atitudes for egoísta, haverá mudanças, mas para pior. É necessário querer mudar a si mesmo para se ofertar como instrumento de transformação dos irmãos. É assim que o Senhor pode despertar a Igreja. É assim que podemos experimentar o milagre da salvação na vida de tantos amigos, familiares e desconhecidos.

Sou grato a Deus pelos poucos que remam no barco da Igreja do Senhor. Mas trabalho para que esses se multipliquem, influenciem e gere força capaz de impactar quem passa pela nossa comunhão. Imagino o dia onde a maioria da Igreja assuma sua responsabilidade pelo sustento financeiro, vença os vícios da preguiça, do escorar-se na liderança e seja firme na sã doutrina, não se deixando contaminar pelos modismos do mundo gospel.

Espero que não precise aguardar muito tempo para testemunhar um crescimento significativo da Igreja. Peço a Deus que faça de cada dia um divisor de águas para os anos que virão, caso o Senhor não nos arrebate.

Você pode começar a mover a vida de sua Igreja, decidindo rever atitudes e posturas, assumindo a sua parte no ministério e cumprindo sua função no Corpo. Não esquecendo de que todas estas atitudes precisam estar revestidas com o mesmo amor do Dono da Igreja: Jesus Cristo.

Pr. Alex Gadelha

6 de fevereiro de 2009

Eu Acredito em Deus nas Pessoas

Eu acredito em Deus nas pessoas. Mesmo que a sociedade considere alguns casos irreversíveis, tento não ser seduzido pelo pessimismo da maioria e viver de maneira a conduzir desesperançados à presença do Senhor do impossível. Entre os desacreditados estão principalmente os envolvidos com algum tipo de vício: A jogatina, o cigarro, o álcool, as drogas “pesadas”, o sexo lascivo, enfim, os prazeres da noite que escravizam e provocam reações de desprezo. E diante de casos assim sou tentado à descrença, mas luto para não perder a esperança. Decido não querer o olhar acusatório do diabo. Procuro desenvolver a sensibilidade de um bom médico que examina as causas da doença, entende-as e assim medica a fim de alegrar-se com a cura. Quero a atitude do pastor que enxergou a centésima ovelha distante do rebanho. Quero amar como Jesus.

Dizem que reconhecer as falhas é o primeiro passo para superá-las. Pois bem, confesso que a utopia de amar como Cristo anda dentro de minhas letras, mas distante da minha prática, pois assumo que tenho sido influenciado pela frieza do mundo. E quando falo em mundo não estou me referindo apenas ao sistema de práticas que habituamos condenar, nem à pessoas que costumamos evitar. O mundo que me influencia está dentro da Igreja, naquelas atitudes mesquinhas que levam a desprezar o mais pobre, o menos escolarizado, o mais avançado em idade, o portador de deficiência, os ditos “anormais” e aqueles que teimam em não ter os mesmos gostos pessoais ou não conseguem atingir o mesmo “status” estético-econômico-espiritual. O mundanismo infiltra-se com esta roupagem e não propriamente em ritmos musicais ou estilos de roupas.

Mas apesar das sutilezas, queixumes e caprichos que tenho de lidar no cotidiano da comunhão, acredito que é nela onde Deus possibilita as pessoas experimentarem e gerarem transformações. Esse acreditar não é fatalista, não significa um cruzar de braços diante de más línguas e intenções. Tal esperança me faz ensinar, pregar e confrontar com a verdade, de maneira que possa ver os sonhos de Deus se tornarem realidade na vida dos outros. Tenho a sincera convicção de que manipulação não muda ninguém, mais cedo ou mais tarde as pessoas percebem isso e se revoltam ao descobrirem que suas consciências estavam alienadas. É o amor sincero que ajuda as pessoas a tomarem decisões, porque sentir-se amado gera segurança e coragem para seguir adiante.

A cada amanhecer reafirmo que minha esperança está em Cristo. Sinto-me amado pelo Sumo-Pastor e espero todos os dias que Ele aja de maneira particular e universal. Esse anseio alimenta o meu amor, ainda me impulsiona à obediência e à perseverança. Não desisto porque estou olhando para a cruz. Ai de mim se focar os erros dos que vestem paletós e gravatas! Escolho acreditar que eles travam a mesma luta interna, sendo que alguns evidenciam, confessam, outros escondem, sofrem sozinhos, mas ambos tentam acertar.

Deus nos chamou para sermos agentes de esperança, sacerdotes intercessores. Vasos de barro que servem como depósito de tesouros preciosos ou pequenos templos que acomodam o Espírito Santo. Mesmo com tamanha fragilidade, o Senhor nos dá senso de valor e nos surpreende com os resultados. Isso me faz sentir como Paulo, ou como os heróis da fé que extraíam força da fraqueza e tudo podiam naquele que fortalece. Isso nutre a minha fé e me leva a acreditar que Deus continua a agir nas pessoas.

Pr. Alex Gadelha

22 de janeiro de 2009

Há Esperança

Jonas era um menino fujão. Fugia de suas responsabilidades e sua família sofria muito com isso. Na escola isso se refletia com mais força, pois sentia incomodado e se lamentava pelas aulas que tinha de assistir. Era inquieto, barulhento e teimoso. Não conseguia se concentrar por um minuto sequer. O seu comportamento resultava na falta de aprendizado, principalmente nas habilidades básicas da leitura e escrita. Para as provas Jonas não estudava, mas ainda conseguia alcançar a média. Isso porque colava em todas elas ou os professores o “passavam” para se verem livres do mau aluno.

Jonas cresceu, mas não amadureceu. Envolvido com um namoro problemático continuava a desprezar os estudos e freqüentava a escola devido a cobrança de seus pais. Ele se tornou um jovem irresponsável, preguiçoso e tolo. Até que sua família se aborreceu e com freqüência e de forma áspera cobrava uma atitude para que conseguisse um emprego e ajudasse nas despesas de casa. Como Jonas não concluiu eficazmente os estudos, encontrava muitas dificuldades. Testes e entrevistas eram uma tortura, pois não sabia se expressar e nunca alcançava a pontuação necessária para a etapa seguinte do processo de contratação. O tempo o pressionava e deixava-o desesperado e revoltado, ora contra os pais, ora contra a sociedade. Estava à procura de culpados, mas sabia que ele mesmo era o responsável pela situação. E as cobranças aumentavam. Como forma de dar satisfação tentou o vestibular. Claro que não passou. Os anos de cola atrofiaram sua inteligência.

Jonas parecia sem jeito. Ele se via assim. E na fuga pulou dentro do álcool. Conheceu uma turma que não lhe negava a meia de cachaça nem o gole da cerveja. Mas sua estadia entre eles foi breve, pois testemunhou confusões e desavenças surgidas ao redor da mesa, sofreu acidentes na perigosa mistura com a velocidade e perdeu amigos afogados no fundo do copo. Entre eles existiam aqueles que iam além da bebida, usavam drogas. Um deles ofereceu um “emprego” com excelente salário. Jonas começou a imaginar o fim das cobranças dos pais e a liberdade financeira com que tanto sonhava. Mas logo passou a mão na consciência e apagou tais expectativas. É que dentro de si ainda existiam as advertências de sua mãe sobre o não envolver-se com drogas. “Empregar-se” como traficante não dá.

Ele se afastou da turma da pesada e também do mundo. Trancou-se em casa e em si mesmo. Era depressão, mas os seus pais não entendiam, não estudaram o suficiente para isso. E os amigos? Que amigos? O temperamento explosivo não permite amizades duradouras. Ou mais cedo ou mais tarde a bomba perde o pino e lança as pessoas para longe. Parecia o fim da irresponsabilidade e do próprio Jonas.

Mas aconteceu que ele recebeu uma visita inusitada, capaz de alimentá-lo de esperança. Foi o Francisco, mais conhecido como “irmão Chico”, o vigia da escola. Um senhor prestes a se aposentar a quem o Jonas não via há cinco anos. Seu Chico era alguém que acordou para a vida apenas depois de conhecer o Autor dela. E à medida que iam conversando percebiam que suas histórias se assemelhavam. O “irmão” disse que na sua juventude foi fujão e irresponsável, confessou que concluiu os estudos apenas aos trinta e cinco anos, também disse que passou pelas mesas de bares e que quase usou e vendeu drogas. Mas era inevitável ele mencionar o fato que serviu como divisor de águas para a sua vida: Jesus Cristo. Ao ouvir este nome, Jonas quis se aborrecer e logo pensou sobre o “papo careta de religião”. Mas a simplicidade, o exemplo e o interesse daquele senhor nutriram um sentimento de respeito, por isso entregou-lhe o direito de ser ouvido. E Chico falou com sua simplicidade sobre a diferença entre seguir a Jesus e a Religião, falou sobre amor, responsabilidade pessoal e julgamento divino. Jonas entendeu e quis conhecer mais do Cristo que moveu a vida daquele senhor e que estava renovando a sua esperança.
E Jonas mudou. Cristo o mudou. Com muita fé, esforço e “bicos” ele se reergueu da sepultura, superou a depressão, ganhou vida. Uma oportunidade para recomeçar, a qual soube aproveitar muito bem. Reaprendeu a ler, a escrever e a se expressar. Passou a ser admirado, imitado. Os seus pais também decidiram crer no mesmo Salvador e seguiram-no até o último fôlego. Jonas concluiu o curso técnico, conseguiu um bom emprego, casou-se na Igreja, teve filhos, descobriu seus dons e assumiu responsabilidades com Deus.

Jonas é um exemplo de que ainda há esperança para o aflito, para alguém que trilha pela depressão, drogas, religiosidade frívola e tantas mazelas da vida sem Deus. Jesus Cristo é a Vida. Entenda, creia.

Pr. Alex Gadelha

11 de janeiro de 2009

O Desafio de Uma Equipe Pastoral Ética

Um pastor é uma autoridade. Alguém que exerce influência diretiva sobre outras pessoas, ou seja, alguém que devido à função em que foi colocado por Deus tem a responsabilidade e a capacidade de orientar a vida de outras ovelhas como ele. A autoridade pastoral deve ser conquistada pelo caráter e não pela imposição. Entenda caráter aqui como integridade, conhecimento, sabedoria, convicção, amor. É importante admitir que o ministério pastoral advém de um dom que precisa ser reconhecido pelos irmãos e desenvolvido por quem o recebeu. Ele precisa estar consciente de que é um dos muitos membros que integram o Corpo, por isso não deve fazer tudo em uma Igreja, precisa seguir a orientação bíblica de aperfeiçoar os santos para o desempenho do ministério, para a justa cooperação entre as partes. Sozinho ele adoece, enfarta. Em Corpo ele vive e deixa a Igreja viver.

Em algumas Igrejas o pastor não é o único a exercer este dom, portanto, ele tem a oportunidade de trabalhar com outros de mesma vocação. Isso é bom, é bíblico, mas também pode trazer problemas. Não somente devido a números, mas, sobretudo, por questões de relacionamentos. Em qualquer trabalho de Equipe as más intenções que habitam em nós insistem em se evidenciar através da competitividade, inveja, orgulho, mentira e ciúmes. É a tentação pelo poder que ainda teima em seduzir o homem e que precisa ser resistida, combatida, aniquilada. É a difícil prática de considerar os outros superiores. É a barreira do orgulho, o desafio de amar como Cristo amou.

Mas apesar da maldade intrínseca no homem, o trabalho em equipe, quando bem orientado, gera força, amadurecimento, confiança. Assim, uma equipe pastoral teologicamente afinada, respeitosa aos diferentes estilos no exercício do dom e tolerante aos tipos de personalidade tende a se tornar inabalável, restauradora. Ora, uma igreja local onde os seus pastores ultrapassam o coleguismo e cultivam amizades significativas irá desenvolver uma liderança curativa por ser imersa em amor. E isso é bom. Muito bom.

À medida que uma igreja cresce, surge a necessidade da equipe se estender para diferentes locais e servir a diferentes rebanhos. Nesse caso, como deve ser o relacionamento entre ministros e congregações? É preciso privilegiar o bom senso. Pois se na filosofia unipastoral as insatisfações correm entre os corredores da Igreja local, no pluripastoralismo tanto críticas honestas como comentários maliciosos podem rondar os ouvidos da Equipe. Para não ser usado como peça de xadrez, urge uma postura que não se precipite ao ouvir sobre as deficiências dos companheiros. Isso porque o contato e a prática ministerial mostram que deficiências e ineficiências são percebidas em qualquer pastor. Alguns têm problemas com o domínio da língua, outros com o da pregação; existem aqueles que são tímidos, como também os que lutam contra o temperamento explosivo; pode se falar dos maus administradores das finanças e do lar, além dos que combatem a preguiça e o orgulho. Enfim, percebe-se que pastores também cometem os mesmos erros dos humanos. Dos humanos, os “divinos” não erram.

Ora, por sermos vulneráveis, é necessário respeitarmos a fronteira ética entre a equipe, com uma atitude sincera e respeitosa à vocação e à pessoa do ministro. Isso não diz respeito a pecados, pois quando estes envolvem o todo precisam ser tratados mediante decisão coletiva, com uma disciplina que objetive a sincera restauração. Mas sobre o relacionamento entre pastores e congregações, mais especificamente sobre o derramar de queixas de membros sobre um colega, a reação à crítica ao terceiro ausente deve zelar pela discrição e pela honestidade, por aquele princípio bíblico de não aceitar acusação, senão na presença de duas ou três testemunhas. Às vezes as insatisfações e acusações de uma pequena parte da Igreja não refletem o todo nem a realidade. Ou às vezes as expectativas que as ovelhas criam sobre o pastor são irreais. Quando um pastor de outra localidade tem contatos esporádicos e superficiais com alguns membros, é preciso pesar as opiniões e a vida de Igreja, pois lá pode está alguém que serve há anos, que conhece histórias e intenções, que está semanalmente ensinando, ouvindo, vendo e falando com as ovelhas do pasto.

Um ministério pastoral saudável precisa cultivar um clima ético, acima de tudo amigável, transparente, leal. Um ambiente onde haja liberdade para ser quem se é e onde haja espaço para se abrir sem o medo de que tudo o que for dito num momento de crise pessoal possa ser usado em um outro de conflito e discordância. Que a tendência ad hominen esteja vigiada antes da exortação ou repreensão, mas que essas duas atitudes reparadoras sejam aplicadas com um espírito firme e brando. Que se olhe para o companheiro com um coração sinceramente preocupado em vê-lo crescer e não em rebaixá-lo ou agredi-lo por meio de um humor depreciativo, crítico e escamoteado.

Enfim, pastores que trabalham juntos devem não apenas olhar para a Igreja, mas sobretudo olhar para si e entre si. De maneira que se evite hipocrisia, privilégios e partidos. Também devem se esforçar por desenvolver uma sensibilidade capaz de discernir quando o outro precisa de conselhos, de suporte e de uma intervenção permitida. Penso que será assim que qualquer ministério pastoral vencerá o desafio de trabalhar em equipe e de forma ética.

Pr. Alex Gadelha

4 de janeiro de 2009

Pesando 2008

Quando queremos expressar uma situação dificultosa temos o costume de dizer que “a coisa está pesada’’. Imaginamos uma bagagem que vai ficando difícil de carregar a fim de explicar a sensação de pressão que as circunstâncias e as pessoas colocam sobre nós. Coloquei 2008 na balança e concluí que foi um ano pesado. Tive de carregar muitos fardos, meus e de outros. Na verdade, observei essas cargas na vida de muitos. Desde inundações, assaltos, crises financeiras e desempregos, a separações, violência, enfermidades, mortes e tantas outras situações. Vi, ouvi e provei atitudes como a falta de ética, hipocrisia, indiferença, insubmissão, fofocas, invejas e outras mazelas que se repetem todos os anos, em todo o mundo, mas não tão próximas de mim como neste.

Situações pesadas não significam situações vazias. Aprendemos muito com elas. E uma dessas experiências marcantes foi o período em que estava ensinando à crianças, adolescentes e jovens em uma escola pública. Logo percebi como a Igreja está distante de pessoas carentes, que estão longe dos pastos verdejantes e das águas tranqüilas. O perfil que observei é preocupante. Ora desatentos, ora explosivos, às vezes silenciosos, amáveis, mas também indiferentes, tanto ingênuos como maliciosos. Uma mistura da simplicidade considerada por Jesus e Rousseau, e da estultícia observada por Salomão e o cartesianismo.

No árduo trato educativo com estes aprendizes tive a oportunidade de amá-los e de testemunhar um interesse real e empático de professores que me ensinavam silenciosamente a arte de educar. Além de criar vínculos, pude testemunhar minha fé e notar mudanças na atitude de alguns alunos e docentes. Procurei internalizar aquela postura de Rubem Alves, ao dizer que “quando se admira um mestre, o coração dá ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que ele sabe passa a ser uma forma de estar com ele. Aprendo porque amo, aprendo porque admiro”. Tomado por este sentimento procurei ultrapassar a transmissão de conhecimento, procurei construir vida, de maneira que os que estivessem ao redor sentissem atraídos pela fonte de meus princípios e atitudes: O Mestre Jesus.

Estive também na direção e nas salas do Seminário Teológico McClanahan. Ali tive de suportar idéias, ações, reações e sentimentos de peso. Posturas indesejáveis, indiferença à autoridade, orgulho, desvalorização de princípios divinos, procrastinação e tantos fardos podem servir para o amadurecimento e nos ensinar a amar como Jesus. Mas não existiram apenas cargas ásperas entre o grupo de estudantes, existiu aquelas que demandaram grandes esforços em pró de Boas Novas. Os três dias de experiência missionária em Icapuí foi uma delas. O grupo de seminaristas e pastores se desgastaram prazerosamente. A hospitalidade do povo, a disposição e a habilidade do missionário José Carlos e o contato contínuo entre nós produziram uma reflexão profunda sobre a nossa prática ministerial e nosso relacionamento com Deus. Sol, suor e areia se misturaram à comunhão, evangelização e adoração. Que dias cansativos, desgastantes, agradáveis e edificantes foram aqueles!

2008 também foi um ano difícil na e para a Igreja. Pouca conversões falta de voluntariedade, pecados revelados, queixas, críticas, espírito faccioso, ausências, legalismos, liberalismos e um conjunto de problemas que rondam qualquer pastor, qualquer igreja. Em situações de crise todos criticam, procuram algum culpado, e geralmente sobra para quem está em evidência. É o peso da liderança. Mas críticas honestas e apropriadas podem transformar atitudes. Já as desonestas, sem conhecimento de causa, produzem desmotivação. O segredo é perguntar ao crítico o que ele pode fazer para ajudar a mudar a situação. Geralmente não há respostas, ou elas não ultrapassam o verbalizar, fogem da ação. Mas não posso ser injusto com pessoas que ajudam a suportar a carga da liderança. Muitas mãos e ombros se uniram para promover as coisas boas vividas em 2008. Tais acontecimentos quase foram soterrados pelo pessimismo e o egoísmo, mas vale a pena tentar desenterrá-lo na solitude da memória. Deixo isso para você fazer quando estiver lendo este texto. Eu já fiz.

Os pesos de 2009 estão à porta. Quero carregá-los, mas não sozinho. Preciso de ajudantes dispostos a tomar a iniciativa de conduzir o barco quando a maré estiver baixa, longe do conforto e da estabilidade. Espero em Deus que eu encontre você.

Pr. Alex Gadelha

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