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8 de fevereiro de 2009

Submissão

Esta palavra gera um sentimento de medo, principalmente por parte das mulheres. A idéia de ser “submissa ao próprio marido como ao Senhor” é aterrorizante. E para minimizar a dor ideológica formulam-se conceitos que minimizem a possibilidade “humilhante” de ser vista como submissa. Isso acontece porque muitas tiveram sua dignidade ferida por maridos cruéis ou por setores da sociedade que ultrajam a mulher, ou ainda como desculpa para defender um espírito rebelde. Mas é importante destacar que o princípio da submissão não está restrito ao sexo feminino, ele é universal.

Foi o próprio Deus Quem estabeleceu a idéia de alguns seres governarem outros. É só considerar a hierarquia dos anjos dos céus, a ordem para o homem dominar a Terra, a relação entre o homem e a mulher, a honra que os filhos devem prestar aos pais e os mais novos aos anciãos, a existência de governos e a presença de líderes entre amigos, na escola, no trabalho, na Igreja. Quer queiramos ou não, estamos em uma rede de relacionamentos onde alguns possuem poder de decisão sobre nós. Em certos casos esse poder é conquistado pelo caráter, pelo jeito-líder de ser, noutros foi dado por alguém, comprado ou até imposto.

Será que o conceito de submissão está claro na mente dos que o rejeitam? É mais fácil ouvirmos o que não é submissão: “não é escravidão”, “não é humilhação”, “não é anular a personalidade”, “não é...”. Às vezes definir negativamente é uma maneira de preservar sua opinião e fugir de certos deveres. Entretanto, tentemos uma conceituação afirmativa utilizando a etimologia do termo: O prefixo “sub” quer dizer “abaixo de” e “missão” algo a ser cumprido. Então, submissão seria estar debaixo de uma responsabilidade. Para a mulher seria a de auxiliar o marido, cuidar do lar. O dever do marido é o de amar a sua esposa como Cristo amou à Igreja. Ele fez isto doando a própria vida (Ef. 5:22-27). A missão dos filhos seria honrar os pais (Ef. 6:1-3). A responsabilidade dos cidadãos é de obedecer as leis estabelecidas pelo Governo Humano, desde que estas não contrariem a Lei Divina (Rm. 13:1-7). Também é necessário reconhecer o dever de obediência aos pastores e líderes do Corpo (Hb. 13:17). Os empregados devem servir de coração aos seus patrões como estes devem zelar por eles (Cl. 3:22-4:1). Para o dia a dia Paulo exorta considerar os outros superiores a si mesmo (Fl. 2:1-4). E com relação a Deus devemos amá-lo entregando-lhe a vontade, assumindo total dependência (Mt. 22:37). Alguns podem entender a aceitação destas orientações como uma declaração de óbito dos desejos pessoais, mas não é isso que Deus quer.

Reconhecer a autoridade do outro não significa deixar de existir, de pensar ou decidir. Quando isso acontece não é submissão, mas alienação. Em uma relação saudável de autoridade há liberdade para o diálogo, para a argumentação respeitosa. Se isso não acontece resulta em autoritarismo, tirania. Por outro lado, não podemos usar a liberdade de pensamento como subterfúgio para defender a insubmissão. Existem momentos em que devemos abrir mão da nossa opinião em respeito à autoridade do outro. Nessa relação paradoxal é necessário o difícil equilíbrio entre o ceder e o resistir, o argumentar e o calar, o falar e o ouvir. Em situações críticas precisamos apelar à justiça divina, aquietar-se e esperar que Deus resolva. Outros casos exigem uma atitude de ousadia em defesa da verdade, não propriamente de si mesmo. Submissão é obediência inteligente.

Agora note a maneira como Deus trata o seu povo. Como Autoridade Soberana Ele aponta caminhos, oferece opções e também adverte sobre as conseqüências (Mt. 7:13, 14). Ele abre espaço para o arrazoar (Is. 1:18-20). Bate na porta, espera uma resposta (Ap. 3:20). Coloca condições (Jo. 3:18). É uma relação saudável que não anula o Poder do Criador, mas, pelo contrário, evidencia-o e leva-nos a reconhecê-lo como totalmente digno de nossa confiança, admiração e obediência. A submissão a alguém de caráter íntegro enaltece a identidade do submisso, pois a autoridade além de merecer honra, tem a responsabilidade de dar segurança, nutrir de conhecimento e promover a maturidade de quem o honra. Observar o caráter do senhor é uma maneira de conhecer também o do servo. “Diga-me a quem tu obedeces, e eu direi quem tu és”.

Por fim, doar-se inteligentemente extrapola o ego, ensina o amor. E o amor é o vínculo da perfeição. Ele inevitavelmente será expresso em gestos, palavras e sentimentos sublimes. Ser submisso é ser honesto no nível moral do seu relacionamento, é não ter medo de ceder. A submissão é uma bênção que precisa ser compreendida.
Pr. Alex Gadelha.

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