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18 de outubro de 2009

Provação e Alegria

Tiago 1:1-12

O sofrimento é um fato universal. Ele está presente em todo o mundo, entre todas as pessoas, independente de quem sejam ou o do quanto possuam. Apresenta-se de diferentes formas e atinge o homem por inteiro. A alma é assediada constantemente por sentimentos doentios como a angústia, amargura, depressão, medo e tantos outros desconfortos internos, invisíveis e mui dolorosos. O espírito sofre com a ausência de Deus, quando O sente distante ou decide negá-lo. O corpo é o elemento mais sensível do homem, está sujeito a doenças, desequilíbrios, fraturas, hematomas, morte.

O sofrimento não acontece sem causa, antes é suscitado por decisões próprias, agressão de outros, circunstâncias biológicas ou até mesmo dores infringidas por vontade Divina. Claro que nem sempre é fácil explicá-lo, muitas conjecturas e teorias acabam confundindo mais do que esclarecendo. Mas porque procuramos respostas? Procuramos racionalizar a dor com a intenção de amenizá-la ou até mesmo extingui-la. Para a maioria de nós conformar-se com o inexplicável é insatisfatório e isso acaba por aumentar a aflição. É bom entender que existem dores que são diagnosticadas, outras são humanamente indecifráveis.

Alguém em perfeito estado de consciência irá fugir do sofrimento, principalmente o evitável. Sofrer não é bom, mas dependendo da reação pode gerar coisas boas em nós. No início é natural lágrimas, taquicardias e insônias, mas quando superamos ou sabemos administrá-lo pode resultar em uma força imensurável e provocar uma reflexão sobre a vida que conduz a novas visões e atitudes diante dela. Uma das primeiras lições que aprendemos é a de que quando perdemos o status de conforto, nos tornamos sensíveis à importância das pessoas e dos momentos que considerávamos comuns.

Há possibilidade de conciliar sofrimento e alegria? Eis uma pergunta que parece insana. Porém, é possível experimentar paz e gozo quando o sofrimento é superado, ou bem administrado ou ainda quando suportado devido à nobreza da causa.

O apóstolo Tiago escreveu sua carta aos judeus da Dispersão, que eram os irmãos pertencentes às doze tribos judaicas espalhadas pelo mundo. No prólogo logo se infere que eles estavam passando por dificuldades como perseguição à fé e pobreza. Mas o conselho do irmão do Senhor foi o de se alegrar nas várias provações, pois através delas a fé seria avaliada, confirmada e produziria perseverança. A perseverança é a capacidade de continuar no Caminho mesmo diante de circunstâncias adversas. Esse tipo de atitude é capaz de reparar deficiências, tornando o cristão maduro e íntegro.

E quando não sou perseverante? Quando desisto facilmente? O que fazer? Tiago exorta os crentes a pedirem sabedoria ao Deus Benevolente. Agora é necessário pedir com fé, sem oscilar. O cristão de ânimo dobre (o indeciso, de duas vontades) é inconstante na obediência ao Senhor, fácil de dissuadir e por isso recebe como pena a rejeição de sua oração. Sem fé é impossível agradar a Deus.

O apóstolo ainda exorta sobre os problemas de relacionamento derivados da desigualdade social. O crente de condição humilde não pode vender ou desvalorizar sua dignidade. Pelo contrário, ele deve desenvolver uma atitude de contentamento e zelo pela obediência a Deus. As condições econômicas não discernem se um crente é mais espiritual ou mais abençoado que o outro. O que se prova na balança divina é o coração e a disposição de fazer a vontade de Deus. O rico deve ter sua glória não nas riquezas, mas no reconhecimento de sua insignificância diante de um Deus Eterno. Assim como Isaías, Tiago compara a glória do rico à efemeridade de uma flor, que aparece tão formosa no seu vicejar, mas, de repente, murcha, seca e despenca do alto.

Se existe um motivo para sentir-se feliz, esse é o de ser capaz, pela fé, de suportar a provação com perseverança. No grande Dia, os que amam ao Senhor, serão recompensados pela sua fidelidade incondicional. Para estes, a coroa da vida está guardada.

Pr. Alex Gadelha

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