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4 de janeiro de 2009

Pesando 2008

Quando queremos expressar uma situação dificultosa temos o costume de dizer que “a coisa está pesada’’. Imaginamos uma bagagem que vai ficando difícil de carregar a fim de explicar a sensação de pressão que as circunstâncias e as pessoas colocam sobre nós. Coloquei 2008 na balança e concluí que foi um ano pesado. Tive de carregar muitos fardos, meus e de outros. Na verdade, observei essas cargas na vida de muitos. Desde inundações, assaltos, crises financeiras e desempregos, a separações, violência, enfermidades, mortes e tantas outras situações. Vi, ouvi e provei atitudes como a falta de ética, hipocrisia, indiferença, insubmissão, fofocas, invejas e outras mazelas que se repetem todos os anos, em todo o mundo, mas não tão próximas de mim como neste.

Situações pesadas não significam situações vazias. Aprendemos muito com elas. E uma dessas experiências marcantes foi o período em que estava ensinando à crianças, adolescentes e jovens em uma escola pública. Logo percebi como a Igreja está distante de pessoas carentes, que estão longe dos pastos verdejantes e das águas tranqüilas. O perfil que observei é preocupante. Ora desatentos, ora explosivos, às vezes silenciosos, amáveis, mas também indiferentes, tanto ingênuos como maliciosos. Uma mistura da simplicidade considerada por Jesus e Rousseau, e da estultícia observada por Salomão e o cartesianismo.

No árduo trato educativo com estes aprendizes tive a oportunidade de amá-los e de testemunhar um interesse real e empático de professores que me ensinavam silenciosamente a arte de educar. Além de criar vínculos, pude testemunhar minha fé e notar mudanças na atitude de alguns alunos e docentes. Procurei internalizar aquela postura de Rubem Alves, ao dizer que “quando se admira um mestre, o coração dá ordens à inteligência para aprender as coisas que o mestre sabe. Saber o que ele sabe passa a ser uma forma de estar com ele. Aprendo porque amo, aprendo porque admiro”. Tomado por este sentimento procurei ultrapassar a transmissão de conhecimento, procurei construir vida, de maneira que os que estivessem ao redor sentissem atraídos pela fonte de meus princípios e atitudes: O Mestre Jesus.

Estive também na direção e nas salas do Seminário Teológico McClanahan. Ali tive de suportar idéias, ações, reações e sentimentos de peso. Posturas indesejáveis, indiferença à autoridade, orgulho, desvalorização de princípios divinos, procrastinação e tantos fardos podem servir para o amadurecimento e nos ensinar a amar como Jesus. Mas não existiram apenas cargas ásperas entre o grupo de estudantes, existiu aquelas que demandaram grandes esforços em pró de Boas Novas. Os três dias de experiência missionária em Icapuí foi uma delas. O grupo de seminaristas e pastores se desgastaram prazerosamente. A hospitalidade do povo, a disposição e a habilidade do missionário José Carlos e o contato contínuo entre nós produziram uma reflexão profunda sobre a nossa prática ministerial e nosso relacionamento com Deus. Sol, suor e areia se misturaram à comunhão, evangelização e adoração. Que dias cansativos, desgastantes, agradáveis e edificantes foram aqueles!

2008 também foi um ano difícil na e para a Igreja. Pouca conversões falta de voluntariedade, pecados revelados, queixas, críticas, espírito faccioso, ausências, legalismos, liberalismos e um conjunto de problemas que rondam qualquer pastor, qualquer igreja. Em situações de crise todos criticam, procuram algum culpado, e geralmente sobra para quem está em evidência. É o peso da liderança. Mas críticas honestas e apropriadas podem transformar atitudes. Já as desonestas, sem conhecimento de causa, produzem desmotivação. O segredo é perguntar ao crítico o que ele pode fazer para ajudar a mudar a situação. Geralmente não há respostas, ou elas não ultrapassam o verbalizar, fogem da ação. Mas não posso ser injusto com pessoas que ajudam a suportar a carga da liderança. Muitas mãos e ombros se uniram para promover as coisas boas vividas em 2008. Tais acontecimentos quase foram soterrados pelo pessimismo e o egoísmo, mas vale a pena tentar desenterrá-lo na solitude da memória. Deixo isso para você fazer quando estiver lendo este texto. Eu já fiz.

Os pesos de 2009 estão à porta. Quero carregá-los, mas não sozinho. Preciso de ajudantes dispostos a tomar a iniciativa de conduzir o barco quando a maré estiver baixa, longe do conforto e da estabilidade. Espero em Deus que eu encontre você.

Pr. Alex Gadelha

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