Lições da Cachoeira

Martins é um município situado no Oeste Potiguar, à mais de 700 metros acima do nível do mar. A cidade é conhecida especialmente pela beleza dos vales serranos e por seu clima ameno. Lá habitam pouco mais de 8 mil pessoas, mas em feriados ou datas festivas o número cresce perceptivelmente. Cidade tranqüila, onde se caminha à noite com a mesma segurança do dia. O eco-turismo também é explorado, as digitais de Deus estão impressas abundantemente naquela região. Os pontos mais conhecidos são a Pedra do Sapo, os mirantes do Canto e da Carranca, a Casa de Pedra e as duas cachoeiras.

Martins é um pequeno paraíso onde durante quatro dias desfrutamos do frio e de suas belezas naturais. No retiro que passamos ali, não apenas descansamos das fadigas da “cidade grande”, mas também tivemos oportunidades de aprender sobre Deus e sobre nós mesmos.

Uma das lições reafirmadas foi a de que o que faz um ambiente agradável não são as paisagens, mas as pessoas. As paisagens com o decorrer do tempo perdem o encantamento, passam pelo processo de psicoadaptação, ao contrário das pessoas que nos mostram a surpreendente dinâmica dos relacionamentos. Diante de belas paisagens, não podemos esquecer que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Nós somos a obra-prima.

Mas a experiência mais marcante foi a caminhada até as cachoeiras. Depois de andar por um bom pedaço de chão, contemplamos e mergulhamos na primeira cachoeira. Ali oramos, cantamos e presenciamos o batismo de Daniel Veríssimo e de Flávia Maiara, ambos obedeceram ao mandamento do Mestre de descer às águas. E as emoções só estavam começando. Nosso intento era o de chegar à segunda queda d’água. Só que o ímpeto de chegar até lá causou alguns desconfortos e erros de estratégia que nos dividiram em quatro grupos.

O grupo mais apressado partiu gastando fôlego e esquecendo os que para trás ficaram. O resultado foi que erraram o caminho da esquerda e andaram uma distância três vezes maior que a necessária. Como tinham muito vigor, voltaram, se encontraram com o grupo a que pertenciam, mas logo a curiosidade fez com que o abandonasse segunda vez. No final, frustrados, não tiveram a visão do fio das águas que se estendia pelo lajedo.

O grupo que estava na cola dos apressados começou a cansar, faltou fôlego, pernas tremeram. Apesar do cansaço e desorientação, ainda tiveram motivação para rir, questionar limites, superar medos, confessar erros e expressar preocupação com a segurança dos outros. E mesmo em meio à mata e ao suor, existia um sentimento de que tudo iria terminar bem.

O primeiro grupo a desistir foi prudente. Quando sentiram o desgaste do corpo perceberam a hora de voltar e nos ensinaram como é importante reconhecer os próprios limites e não ter vergonha de voltar ao lugar seguro. “Os planos mediante os conselhos têm bom êxito; faze a guerra com prudência” dizia o sábio Salomão.

Mas ninguém chegou à segunda cachoeira? Entre pedras e muito suor, um grupo alcançou o seu objetivo. É bem verdade que alguns passaram mal, mas o fato de continuarem juntos favoreceu a conquista das águas. A tensão e o esgotamento físico também chegaram lá. Vômitos, oscilações de pressão, tonturas, câimbras e estresse fizeram parte do feito. Em meio a tudo isso, alguns apontaram culpados, outros sorriram e ainda outros choraram, todos chegaram. Situações assim revelam como somos diferentes e como reagimos de diferentes maneiras.

As experiências foram didáticas. Uma delas serviu para ensinar que a comunhão deve ser cultivada independente das circunstâncias. Outra nos chamou a atenção para a necessária prudência diante de um desafio desconhecido. Mas a melhor delas foi a consciência de que Deus está conosco em todas as circunstâncias.

Pr. Alex Gadelha

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