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31 de dezembro de 2012

Rupturas e Novas Perspectivas


           

Romper é abrir caminhos. Exige coragem, paciência, discernimento, perseverança. Esperar que o tempo abra fendas para que as barreiras desabem por si só pode resultar no efeito contrário, o de concretar ainda mais os muros existenciais que fixam as coisas como estão. É quando a força do hábito que beneficia com a necessária disciplina à vida escraviza pelo “conforto” de um miserável status quo. Pessoas se acostumam a coisas ruins. Por quê? Algumas são covardes, outras são desonestas e ainda existem as que não possuem perspectivas. Perspectiva é o olhar espichado para frente. Uma visão distante, mas alcançável. Capaz de mover os passos rumo a um caminho melhor. O melhor depende da visão de mundo. Para quem busca olhar conforme as lentes de Jesus, o melhor é a vontade de Deus, boa, perfeita, agradável (Rm. 12:1 e 2).

Na carta escrita aos filipenses Paulo narra como rompeu com o seu passado para criar uma nova e excelente perspectiva: “... mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Fp. 3:13-14). Para conquistar um conhecimento sublime o apóstolo rompeu com os privilégios políticos e religiosos que gozava como cidadão romano e fariseu. Abdicou das regalias para assumir o propósito de “ganhar a Cristo, e ser achado nele, não tendo justiça que vem da lei, mas a que vem da fé em Cristo”. (Fp. 3:8,9). A compreensão de Paulo era de que a glória humana era inferior ao favor Divino. Essa verdade inarrancável de seu coração lhe custou a vida. Não é de surpreender, pois estava pronto para sofrer e até morrer pelo nome de Jesus (At. 21:14). Como dizia Martin Luther King: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”.

Ao longo da vida permitimos a construção de diques que impedem o fluir da esperança e o amadurecimento. De modo voluntário ou muitas vezes involuntário nos condicionamos a hábitos, situações, afetos e pensamentos que rapinam o amor próprio. Autorizamos pessoas a construírem muros de contenção à nossa liberdade. A tomada de consciência do que outros fizeram com e sobre nós não deve negar a segurança e as aprendizagens que nos proporcionaram, mas exige pensarmos os condicionamentos sofridos e permitidos. Assim estaremos aptos para selecionar o que é bom e depois deitar fora tantas bugigangas que ocupam a mente e acumulam no coração o pó de sentimentos escravizadores. Essa limpeza acontece através de decisões temperadas que vislumbram boas consequências e novas possibilidades. Possibilidades nascem da reflexão sobre futuras ações. Serão bem sucedidas se dirigidas pela mentalidade do Espírito de Deus (Rm. 8:6); vividas em oração submissa ao Senhor; seguindo o conselho de amigos que conquistaram o direito de serem ouvidos; e no exame cuidadoso e contextualizado da história de homens e mulheres que amaram a Deus e provocaram rupturas nos sistemas internos e externos repressores de suas almas. A Bíblia está repleta com narrativas de e sobre pessoas assim.

Sem a direção do Senhor acabamos alimentando o olhar superficial da carne, fragilizando o espírito e nos tornando presa fácil daquele que penetra o aguilhão do pecado nos olhos incrédulos, cuja intenção é evitar o resplandecer da luz da glória do Evangelho de Cristo (2ª Co. 4:4). Olhar a vida de fora para dentro resultará em escolhas egocêntricas e mal consequentes. Quando a perspectiva é do Alto, então se pode perceber que não é o casamento que precisa ser destruído, mas os preconceitos e falsas expectativas sobre ele; que às vezes o problema não é o emprego nem o salário, mas o valor excessivo que lhes são dados; que não existem famílias perfeitas, mas seguras; que a religião pode ser superada pela entrega do ser ao Autor e Consumador da fé (Hb. 12:1, 2); que a qualidade das relações depende da qualidade dos corações.

Jesus é o fundamento inabalável e irremovível que permite a dinâmica de rupturas e perspectivas que sustentam e nutrem a fé de um discípulo. Ele é quem nos dá a liberdade para restaurar paredes, pintar janelas e construir cômodos no ser. Tudo para acolher ao próximo dentro e fora de nós. É isso que importa. É assim que se anda em novidade de vida. Experimentando transformações internas materializadas no amor a quem está espiritualmente longe e que precisa ser feito próximo. Só vale a pena romper com as perspectivas opacas que nos cegam e escravizam, se as mudanças desejadas em nós agradem a Deus e alcancem a vida dos outros.

Pr. Alex Gadelha

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