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4 de março de 2008

Oração de um Incomodado


Senhor, estou inquieto. Meu coração angustiado ante o descaso ao teu Nome. Sinto-me aflito por ver o culto transformado em show e o senso de verdade substituído pelo emocionalismo. Estão afirmando o que o Senhor não disse. Prometem o que não prometeste. Exigem a obediência a mandamentos que não são teus. Utilizam-se da Tua Glória para promoverem a si mesmos. A honra está nos lábios, o coração está distante.
Sei que a tua glória não repartes com ninguém. Mesmo que sinta tentado, quero fugir dos holofotes e aplausos, porque sei que dons e habilidades foram dados para te exaltar e não para alimentar nossa vaidade. Como João Batista e tantos outros servos teus, quero que cresças e eu diminua. Quero ser discreto e não dependente de elogios. Quero esconder-me por trás da cruz, de maneira que percebam apenas o Crucificado.

Ó Senhor! Perdoa-nos, pois o ajuntamento solene carece de reverência, se esvai o perfume da adoração e uma fragrância humanista está impregnada na poesia. Estão vindo ao templo para serem notados, reconhecidos e até idolatrados. Não Lhes prestam atenção. Preferem os canhões e os jogos de luzes, ao invés de Sua invisível aprovação. Ofuscam-se com o brilho da fama e não enxergam a responsabilidade de iluminar o mundo com atitudes nobres e santas.

Nestes ajuntamentos, enquanto o teu Nome é supostamente enaltecido, alguns mostram um desinteresse descarado. Não consigo me concentrar, tenho dificuldades de louvar-te em ambientes assim. Não consigo acreditar naqueles que pregam com intrepidez e cantam com vozes de arcanjos, mas vivem como se o Senhor não existisse. Ajuda-me, porquanto meus olhos são seduzidos a observar a má postura dos que se afirmam filhos teus.

Estou atônito por ver teus servos, meus irmãos, facilmente seduzidos pelo canto da sereia. Os comerciantes da fé fazem-nos massa de consumidores, objetos de mercado. Vendem-se testemunhos, mercadejam tua Palavra, negociam bênçãos. Fazem de teu povo curral eleitoral, meio de enriquecimento ilícito. E o mais revoltante é que é em teu nome que fazem isso. Dá-nos coragem para virar as mesas e expulsar os vendilhões do templo.

Sei Senhor que a missão que nos foi dada é a de ir e pregar o Evangelho ao Mundo. Infelizmente, temos estado acomodados nos guetos dos templos e casas de eventos. Estreitados em nós mesmos. Não saímos do arraial nem alargamos a comunhão porque temos vergonha ou não sabemos o que dizer. O povo perece de estupidez. Cantam o que não entendem, pregam o que não saiu de tua boca, entregam o amém às sutilezas do engano, multiplicam-se heresias e heresias. Falta senso crítico, olhar clínico, discernimento espiritual.

Se continuarmos assim, aonde chegaremos Senhor? Assiste-nos no retorno às primeiras obras. Desvenda-nos para percebermos a própria ignorância e contemplarmos as maravilhas da tua Lei. Cura-nos do egocentrismo, livra-nos do analfabetismo bíblico, quebranta-nos e nos impele ao arrependimento.

Ó Deus de toda graça! Levanta e preserva dentre o seu povo um remanescente, que lhe preste o culto racional, que não esteja preso a tradições humanas, que salgue o mundo com a imitação de Cristo, que siga o seu modelo de evangelização, que goze de uma comunhão alicerçada no amor e que considere tua Palavra.

Pai, estou incomodado. Auxilia-me a reconhecer os meus erros e a despertar em teu povo o mesmo. Usa-me para inculcar o contentamento celestial ao invés da ambição terrena, a priorizar o serviço em lugar da diversão, que a humildade vença o narcisismo. Traze-nos de volta à sã consciência e amenize esse incômodo em meu coração.
Pr. Alex Gadelha

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