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20 de janeiro de 2008

Naum apresenta o Deus Vingador


Meu primeiro contato com o livro do profeta Naum aconteceu quando ainda novo convertido, num período onde a chama nascente de minha fé estimulou-me a ler a Bíblia inteira, no ritmo de Gênesis a Apocalipse. Naum é um livro curto, de apenas três capítulos, mas que descreve Deus com uma veemência que me deixou estupefato. O profeta revelou um atributo divino que resistimos em não aceitar ou dificultamos compreender. Ele mostrou a vingança, a indignação, a ira e a fúria do Deus Vivo contra os inimigos de seu povo.


A visão é uma sentença contra Nínive, capital da Assíria, uma nação que impunha temor pela maneira cruel com que tratava os vencidos de guerra (Na. 3:19). O Juiz que levaria a efeito é o próprio Senhor Deus, cujo caráter “zeloso e vingador” é explicitado nos primeiros versos: “o Senhor toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para com seus inimigos”. O Deus descrito por Naum é o mesmo Deus das oportunidades, tardio em irar-se, misericordioso e de grande clemência (Sl. 145:8). No entanto, tais atributos não permitem que tome o culpado por inocente, seja conivente ou indiferente ao pecado. Sua compaixão não contradiz a sua Justiça. Para alguns, pode ser confuso, porém não é contraditório, desde que tenhamos a consciência de que os pensamentos de Deus vão infinitamente além dos nossos.


O quadro desenhado pelo o elcosita apresenta o Senhor caminhando entre furacões e estrondos, as nuvens servem-lhe como simples estribos. É Ele Quem causa a seca, míngua os rios e murcha a primavera. Sua presença trás o calor de uma erupção, a terra e seus habitantes são levantados, sacudidos pelo terremoto. O profeta faz perguntas retóricas, cujas respostas são óbvias: “Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por Ele demolidas”. Uma imagem assim provoca não somente temor, mas também medo. O medo vivido por muitas pessoas que beberam do cálice da ira divina. Como reafirma o escritor aos hebreus: “Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:30, 31).


Mas quem deve abalar-se diante da presença ameaçadora do Senhor? Os seus inimigos. Em Naum, Nínive é a inimiga. A mesma que um dia ouviu a pregação do teimoso Jonas, que se arrependeu e recebeu o perdão divino. A cidade-rainha, após 150 anos, voltou aos pecados de outrora. O principal e mais perigoso deles foi o de odiar o povo de Deus. Odiar o povo de Deus significa desprezar o Senhor desse povo. A mensagem pregada pelo profeta Naum é considerada a mais dura dentre os proclames proféticos. Ele pregou o que Jonas gostaria de ter pregado: A aniquilação de Nínive. O ódio reincidente deste povo cruel subiu aos céus mais uma vez e incitou o Vingador a que descesse até eles.


Deus esqueceu de seu amor? De modo nenhum. Amar também significa não se alegrar com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. É por isso que mesmo entre as linhas austeras de Naum, ainda há espaço para falar da bondade, acolhimento e onisciência de Deus (1:7). Se de um lado o Senhor persegue com trevas e inundação os inimigos de seu povo, por outro, aos que nEle confiam, Ele se põe como fortaleza no dia da angústia. Se isso não bastasse, ainda garante-lhes liberdade, quebra de jugos e rompimento de laços (1:13, 15).


Quando Paulo exortou sobre o dever da ira sem pecado e sobre a maneira como tratar os inimigos, talvez pautou-se na revelação de Naum e com certeza nos ensinos de Jesus. Ambos instruíram a amar os inimigos e deixar que Deus seja o Vingador (Rm. 12:9; Mt. 5:43-45; Ef. 4:26).


Pr. Alex Gadelha

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