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21 de junho de 2011

Abigail: A Pérola do Carmelo


1º Samuel 25

Monte Carmelo (Mount Carmel)
            “Por trás (ou ao lado) de um grande homem sempre existe uma grande mulher”. Você já deve ter ouvido essa expressão alguma vez em sua vida. Geralmente ela é usada quando se pretende elevar a auto-estima de uma mulher frente a uma conquista ou elogio ao marido. Mas, o que dizer de uma mulher virtuosa que possui um marido mau caráter? Talvez a paixão, que é diferente do amor, pois enquanto este é um ato consciente, aquela é uma catarse emocional que emburrece e cega, foi o motivo que os uniu. Isso não significa que tudo está perdido e que o casamento será uma eterna penitência. Deus faz o impossível e é capaz de realizar o milagre de transformar um mau casamento em uma união prazerosa e edificante.
            A história de Abigail nos oferece oportunidades de pensar sobre a postura de uma mulher que vive com um homem mal. Ela casou-se com um mau caráter chamado Nabal. A “fonte de alegria” casou-se com a “loucura”. Provavelmente por imposição dos pais, pois na época o casamento era acertado entre as famílias e não entre os noivos. Ele era um homem com características grotescas e desprezíveis. A ambição por suas riquezas parece ter influenciado a sua personalidade de maneira que era um ser abastardamente mesquinho, duro e maligno no trato com as pessoas, fossem servos, estrangeiros ou a própria esposa. Como seria viver com um homem assim?
            Abigail poderia ter escolhido ser uma esposa rebelde e contumaz, que ignorasse a vontade de seu marido e provocasse a sua vergonha diante da família e da sociedade. No entanto, o texto nos diz que era uma mulher sensata, consciente de si mesma e capaz de prever situações e atitudes acertadas nos momentos de tensão. Não é comum as pessoas agirem precedidas de reflexão. O que observamos no dia a dia são mulheres precipitadas, que somente pensam depois que falaram ou fizeram alguma “besteira”. Outras apressam o rio, não deixando as águas fluírem sozinhas. Querem resolver em curto prazo situações que exigem paciência e esforço. Existem coisas na vida, como um mau casamento, que demandam tempo para serem reparadas, ajustadas ou aperfeiçoadas.
Pelas más atitudes do marido, entendemos que Abigail era uma mulher paciente, mas não acomodada. Além de formosa, a jóia do Carmelo tinha iniciativa e liderança. Quando soube da asneira de Nabal em destratar os servos do Rei e na determinação deste de matar todos do sexo masculino de sua casa, ela imediatamente juntou os servos, tomou provimentos e os enviou às ocultas. A sua coragem de acompanhar o cortejo de mantimentos também é notável. Sua humildade de se prostrar em reconhecimento da autoridade e grandeza do Rei, mostra o respeito diante de um ungido do Senhor. Ela não encobriu o mau caráter do marido, mas assumiu a culpa, intercedeu por perdão. Além de abençoar ao rei, aconselhou-o a não derramar sangue sem causa, mas permitir que Deus o vingasse de seus inimigos.  
A delicadeza e sabedoria de Abigail quebrantaram o coração do rei, que reconheceu ter sido ela enviada por Deus para impedi-lo de vingar-se com as próprias mãos. Davi bendisse a prudência de Abigail e também a ela mesma. Recebeu os mantimentos de sua mão e a despediu em paz. O que haveria de acontecer quando o seu esposo soubesse de tal “traição”? Ela deveria contar o acontecido? Sim. Mas em um momento de lucidez. Assim, esperou o amanhecer quando passou o efeito do vinho ingerido durante o “banquete de rei” que fez para si mesmo na noite anterior. Após ouvir o acontecido pela boca de sua mulher, Nabal petrificou o coração de amargura e dez dias depois foi ferido de morte por Deus. É assim, quando se mistura álcool, mesquinhez e orgulho.
O caráter e a beleza de Abigail conquistaram o coração de Davi, que quando soube da vingança do Senhor sobre Nabal, mandou seus servos falarem a viúva o seu desejo de tomá-la como mulher. E mais uma vez ela se apressou, dessa vez para ser esposa de um rei. 

Pr. Alex Gadelha

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