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2 de fevereiro de 2010

Um Sonho de Liberdade

        Você já refletiu sobre a visão de um cárcere? Ela traz a ideia de um lugar que míngua a espontaneidade dos movimentos, silencia a voz e massacra as emoções. É um ambiente onde a  sensação de desconfiança tolhe a possibilidade de amizades sem reservas. E não é preciso estar encerrado para sentir o peso das grades, muros e olhares ameaçadores. Basta algumas visitas para entender que o sistema carcerário perpetua a prisão da alma, pois mesmo após deixá-lo a memória armazena os duros golpes experimentados ali. Até o organismo internaliza vícios adquiridos no espaço e nas relações de aperto. Essas marcas não desaparecem, apenas são administradas, às vezes escondidas, mas continuam vivas. 

Assim, a prisão mais sufocante se torna não aquela instituição governamental apresentada como lugar de reabilitação social, símbolo de vigilância e punição, construída de pedras, concreto e ferro. A punição maior não é a interdição do ir e vir do indivíduo. O que mais maltrata são as algemas postas no coração. Aqueles sentimentos que conservam a vergonha provocada pela culpa, por agressões verbais e gestos de desprezo. Essas grades anulam a capacidade de sonhar e o senso de valor, gerando na mente um mantra de desesperança que repete continuamente: “não tenho mais jeito”.

Porém não se engane, pois corações algemados não é condição somente dos que estão sob pena de reclusão. Muitos que andam “livres” pelas ruas vivem a mesma tensão das relações sob suspeita e nutrem fobias por decepções ou traições. Um dos mecanismos de fuga preferidos é o isolamento no cárcere privado de si mesmo. Uma espécie de prisão que produz relacionamentos superficiais, impondo regras e rijos critérios de aproximação. Entre eles o de não expressar afeto, não mostrar vulnerabilidades nem admitir culpa. Despir a alma é arriscado para quem está acorrentado a opinião alheia.

Também chama atenção a facilidade com que algumas pessoas se adaptam a condições repugnantes. Esse comportamento pode ser comparado a síndrome de Estocolmo, aquela onde depois de um tempo no cativeiro os reféns sentem até afeição pelos sequestradores. É como um pássaro que tem seus instintos condicionados a gaiola e que se ouriça na presença do seu algoz. Não adianta deixar a porta aberta, ele não quer voar, habituou-se à rotina. E a rotina adoece, encurta a vida, destrói a criatividade e aliena a consciência de qualquer homem. Pessoas assim sobrevivem na mesmice. Comem as mesmas coisas, andam pelos mesmos lugares, lêem os mesmos livros, ouvem as mesmas canções, conversam com as mesmas pessoas sobre os mesmos assuntos, nutrem os mesmos sentimentos e minam possibilidades de mudança. Claro que uma boa dose de disciplina é vital, mas é preciso ter cuidado para não se envenenar com ela. Apreciar a dinâmica da vida com as pessoas boas que ela tem é uma possibilidade para quem tem seu espírito livre.

É curioso perceber como a idéia do “novo” traz medo a quem está enclausurado. Sempre é mais cômodo permanecer na tradição e nos costumes dos antigos. Mas ignorar a renovação que acontece ao nosso redor é insensatez. Basta apenas analisar a transformação da cultura e das circunstâncias que nos envolvem. Isso com responsabilidade e reflexão, com uma postura firme e crítica pertinente a quem deseja ampliar seus conhecimentos e se aproximar de Deus, o Autor Criativo.

Falar sobre liberdade incomoda principalmente aqueles que são tomados de uma cosmovisão proibitiva. Aquela mania de ver pecado em todas as coisas, mesmo nas permitidas por Deus. Para quem vê o mundo desse jeito todas as ações, sejam elas as mais simples, precisam da permissão de outrem. Há uma dependência de decisões alheias, de uma tutela que arraste pela mão e diga o que fazer, mas que também serve como expiação para erros ou equívocos. Evidente que devemos admitir o valor da submissão e do respeito às autoridades legais, pois ser livre não significa fazer o que se quer, ou ignorar a lei, seja dos homens ou de Deus. Agir assim é libertinagem, anomia, anarquia ou coisa parecida. Liberdade só faz sentido quando existe um pacto que a garanta e a preserve nas relações entre os homens e com Deus. Ela deve respeitar a máxima de fazer ao outro o que gostaria que fizesse consigo. Isso implica em afirmar que a liberdade entre os homens depende da libertação interna, do desprendimento pessoal, da renúncia de desejos egoístas, do abrir das algemas do coração. São estas que mantêm homens e mulheres escravas a pensamentos de intolerância, apegados a futilidades materiais, invejosos da felicidade alheia e resistentes a esperança.

Entendo e creio que a resposta para uma vida livre está em uma Pessoa, não em uma religião ou governo. Estas instituições sob liderança mal intencionada ou inepta se tornam masmorras. Já Jesus Cristo, o Deus encarnado, chama para uma nova dimensão onde a amizade com o Criador possibilita a libertação da alma de pecados, incertezas e angústias.

Como os pecados se assenhoreiam de um homem? Por meio da compulsão pelo prazer. O vício pelas drogas (lícitas e ilícitas), jogatinas, sexo, dinheiro, comida. A liberdade ensinada, vivida e oferecida por Jesus diz que todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm ou devem dominar o discípulo seu. O desfrute do prazer precisa ser guiado pela consciência e pela fé nas orientações de Quem os criou. Neste sentido, quem é livre pode dizer não aquilo que tenta dominá-lo.  

A confusão sobre aspectos essenciais da existência é outro elemento que aprisiona a mente em incerteza. O relativismo sobre Deus é uma das questões que embaçam a visão de quem o busca. Mas essa obscurecência pode ser iluminada através de um relacionamento vivo com o Verbo. A compreensão e entrega à Verdade Personificada em Jesus é suficiente para despedaçar os grilhões da ignorância religiosa e espiritual. Além disso, essa devoção nos faz visualizar a concretude de um futuro de alegria plena. Assim, os tormentos escatológicos que afloram o mundo não podem roubar a segurança do coração crucificado com Cristo. Mesmo o assombro da pós-morte é vencido pela fé depositada no Único Deus. A garantia de vida eterna e comunhão com o Salvador é porta de acesso a um morrer consolado e sereno. Depois de conhecer Jesus e se apropriar de suas promessas pode-se resistir ao aguilhão da morte e ter certeza da vitória pela ressurreição.

Esta geração vive uma peste negra emocional. A impressão é que fobias, pânicos, depressão, complexos, recalques, revoltas e tanto outros termos semelhantes nunca estiveram tão em moda como atualmente. No entanto, é real a possibilidade de que esta profunda inquietude seja apaziguada pela companhia de pessoas que amam de verdade e principalmente pela Presença de Deus. A vida abundante prometida por Jesus, o fluir de águas vivas do interior e o cuidado do Senhor sobre nós não nos isenta dos riscos emocionais, mas, com certeza, provê a força necessária para suportar e quebrar tais cadeias.  

A proposta do Evangelho de Cristo está embebida de liberdade espiritual e vivencial. E quando alguém desfruta de uma Igreja fundamentada nos seus ensinamentos, na prática do amor e no conselho do Espírito Santo gozará de libertação não só da condenação do pecado, mas da opressão religiosa (idolatria, legalismo, alienação) e demais prisões da alma (culpa, solidão, rancor, amargura, ansiedade). Em Cristo, aquele que o abraça como Senhor pode desenvolver a potencialidade de amar com o mesmo amor recebido. E quem se dispõe a amar é livre de si mesmo, desprendido de coisas e pronto a promover a felicidade do outro.

É um sonho de liberdade. Esse sonho começa com o reconhecimento de Jesus como Libertador, como o Único capaz de quebrar as barreiras erguidas dentro de nós. E continua durante toda a vida com Deus, um processo de amadurecimento do ser que nos fará experimentar a plenitude da vida.

Pr. Alex Gadelha

3 comentários:

Anônimo disse...

exelente texto pastor Alex, parabens!

IgoDelanio

INES KAYASHIMA BUSTAMANTE disse...

MEU CORAÇÃO É GRATO A DEUS POR TODOS QUE ENCONTRO NO CAMINHO...
PARA MIM O SENTIDO DA VIDA ESTÁ NO AMOR INCONDICIONAL QUE DERRUBA QUALQUER TIPO DE BARREIRA SEJA NO SER OU FORA DELE E NOS CONDUZ AO ENCONTRO COM O PRÓXIMO MESMO QDO ESTAMOS GEOGRAFICAMENTE LONGE ... ESSE AMOR É PROPRIO JESUS CRISTO.

UM FORTE ABRAÇO DESDE A TERRINHA DOS OLHINHOS PUXADOS.

DEUS É CONTIGO E COM TODA SUA FAMILIA.
COM CARINHO E SINGELEZA DA ALMA

INÊS K BUSTAMANTE

Ana claudia Stelet Moreno da Silva disse...

Olá! graça e paz. Passando para conhecer seu espaço. Benção pura seu blog e de excelente conteúdo. Que Deus te levante a cada dia para ser uma carta escrita não com tinta , mas com o Espirito da verdade, influenciando esta geração à um evangelho simples da graça de Jesus. Se quiser nos visitar será uma alegria.
blogdamulhercrist.blogspot.com


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