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A Humildade Fala à Razão sobre o Amor

Por meio do engano, a Razão destronou o Amor e tornou-se Dona do mundo. Mas certo dia, quando estava passeando pelos jardins da teoria e caminhando pelo pátio da experiência, a Razão observou ao horizonte uma velha senhora, ex-conselheira do seu reinado, que estava a se aproximar. Orgulhosa, ignorou-a. No entanto, a pequena se aproximou, olhou serenamente em seus olhos e com uma voz mansa disse: - Há muito quero falar-te. Que bom que a encontrei, pois preciso comunicar-lhe um pedido. Peço que me atendas. A Razão não era de dar ouvidos a conselhos de ninguém e não se importando com a ética nas palavras iniciou um discurso irônico e altivo: - O que desejas? Eu entendo todas as coisas, sou eu quem governa este mundo e sei por que me procuras: Estás doente e sabes que tenho a cura para todos os seus males!? E se é de recursos tecnológicos que precisas, criei e desenvolvi sistemas avançados, perfeitos e resistentes que irão fornecer conforto e todas as informações necessárias. Não ...

Em Memória de Arlan Carlos Gadelha

Em um dia 05 de Outubro perdi meu irmão. Há três anos ele partiu e deixou sua cadeira vazia na família. Ele se foi de forma inesperada e dolorosa, num gatilhar de um revólver. Lembro-me que estava na Igreja, ministrando o estudo no culto de oração, quando recebi a notícia de que teria sofrido um acidente e estava no hospital. Só que ao chegar lá logo confirmei a triste intuição de que havia morrido. Foi um choque. Alguém com quem convivi durante quase toda a minha vida acabara de dar o último suspiro aos trinta e três anos. Naquele momento passou pela minha cabeça o famoso filme gerado pela memória, resgatando as muitas experiências que compartilhamos juntos: Os anos de guerra e paz, de escassez e abundância, de tristezas e alegrias, de incredulidade e de fé. Sobrevivemos dois anos juntos em uma casa que evocava solidão. Superamos muitos desafios, até que encontramos nossas amadas e decidimos nos casar, ele uma semana antes do que eu. Tivemos naturalmente de nos separar. O casamen...

Ensinar É a Arte Da Conquista: Uma Reflexão Sobre a Prática Pedagógica

A prática do ensino é um conjunto de ações envolvidas pelo desejo de conquista. É um jogo de vontades pessoais e coletivas, um confronto de forças entre o educador e o educando. Esse conflito não é físico ou particular, nem deve está relacionado ao alcance da supremacia de um sobre o outro. Mas, pelo contrário, ele é saudável à medida que as partes envolvidas têm como alvo o conhecimento e a realidade. O conhecimento porque é a partir dele que o homem se torna homem e habilita-se para a vida social. A realidade é um alvo porque quando se está consciente dela, livramo-nos do jugo dos maus intencionados que tentam dominar sob os estribos da ignorância e da ausência de senso crítico. Na dinâmica do ensino-aprendizagem existem resistências. De um lado está o educador, que tenta atrair a consideração do aluno e construir junto a ele uma mente pensante e autônoma. Do outro o educando, que em nome de si mesmo tenta ignorar a necessidade de um mediador ou de alguém que seja seu parceiro na con...

Um País Sob a Ira de Deus

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“Deus se ira todos os dias”. Quero confessar alguns sentimentos que me ocorrem quando contemplo o caráter de Deus. Todas as vezes que examino as ações e os sentimentos divinos sinto uma profunda admiração para com a Sua Pessoa. De um lado admiro sua benevolência, paciência, compaixão e amor, por outro, fico reverente diante de sua santidade, sua justiça, sua ira, sua vingança. Também mexe comigo a tentativa de compreender a essência de Deus na triunidade, sua manifestação através do Filho e a contínua ação pelo Espírito Santo. Sinceramente, não é todas as vezes que consigo compreender a essência divina. Mas quando realizo pequenas descobertas, minha mente saltita como uma criança que é surpreendida com um presente do pai. Como conseqüência de algumas descobertas, outro sentimento que nasce em meu coração é o temor. Aquele respeito gerado devido a quem a pessoa é e não meramente ao que ela possui. A fidelidade e a excelência do Senhor seduzem a minha alma e lança o meu corpo ao chão, ao...

O Absurdo Da Vida Sem Deus

A palavra “absurdo” é originária do latim, era utilizada para indicar uma música fora do tom ou sem harmonia. Os romanos foram os primeiros a usarem-na de forma figurada relacionando à falta de coerência de um enunciado. Na filosofia cotidiana usamos o termo quando pretendemos discordar ou rejeitar uma idéia, um fato ou até mesmo uma pessoa. Tal expressão trás a noção de algo contrário à razão, ilógico, incoerente, sem harmonia. E como seres racionais que fomos criados, para que possamos compreender uma idéia precisamos de uma explicação que preencha os critérios exigidos pelas leis do pensamento. Nesse sentido, se formos intelectualmente honestos iremos afirmar que a compreensão da vida sem Deus é um absurdo. Quando a pseudociência tenta explicar a origem do mundo, do homem e dos valores por meio de teorias que excluem a Deus, logo se torna carente da verdade e atrai um olhar desconfiado dos que zelam por ela. O fato é que para compreendermos a vida, os valores e a nós mesmos existe ...

Ouvindo as Mesmas Coisas, Reagindo da Mesma Maneira e Continuando a Mesma Pessoa

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As mensagens proclamadas nos templos da Igreja e entre as ruas da cidade falam as mesmas verdades, só que de formas diferentes. No conteúdo da pregação cristã está a obediência, o arrependimento, o perdão, a humildade, a pureza, a fé e tantos outros valores pautados na Pessoa de Jesus Cristo. Eles aparecem não só em forma de sermões, mas também por meio de louvores, peças teatrais e lieraturas, além do ensino nas escolas bíblicas e conversas informais. O fato é que estamos constantemente ouvindo ou falando sobre princípios divinos. Agora, se não obedecemos, uma coisa é certa, não é por falta de informações que o fazemos. Talvez em países não evangelizados o argumento do pecado por ignorância possa até ser usado, mas no nosso caso não. Certa vez parei para observar a postura da Igreja durante um momento de culto. Os cânticos mostravam profundidade em suas letras, irmãos participavam compartilhando experiências significativas, a mensagem clara, simples e prática. Mas enquanto todas estas...

Meu Pai na Fé

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Nestes últimos dias estive revirando o meu baú de memórias e encontrei a minha história de conversão a Cristo. Logo na primeira página, minha lembrança fixou-se no primeiro contato que tive com um evangelista. Foi o pastor Plínio Kremer quem introduziu o Evangelho em minha família. Por alguns domingos bateu a porta de minha casa para discipular os novos convertidos do bairro, entre eles a minha irmã Kaliana, a primeira dos gadelhas a se converter. Lembro do pastor com sua bicicleta, camisa molhada de suor e rosto vermelho do sol. Seu exótico estereótipo gaúcho-alemão despertou-me a curiosidade. Mostrava uma paciência de Jó, perseverante, uma mansidão admirável, tão calmo que chegava a irritar um jovem impaciente como eu. Por várias vezes convidava-me para participar dos estudos, mas o meu orgulho e indiferença religiosa diziam sempre não ou às vezes ignorava-o. Lembro de uma tarde de Domingo, quando estava em frente a tv enquanto eles “debatiam” sobre temas bíblicos. De costas par...